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Giovanna Figueredo

Giovanna Figueredo

Repórter do Seu Dinheiro com cobertura focada em mercado imobiliário, pequenas e médias empresas e temas ESG. Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA‑USP).

VAI UM SORVETINHO?

Gelato Borelli: como esta rede importou uma tradição italiana para o interior de São Paulo e chegou a um faturamento anual de R$ 500 milhões

A marca de gelatos passou de um hobby para um negócio com lojas em todos os estados brasileiros – e agora tem planos de internacionalização

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
13 de abril de 2026
6:02 - atualizado às 16:40
sorvete borelli capa
Imagem: Divulgação

O que diferencia um sorvete de um gelato? Tony Miranda, CEO da rede de gelaterias Borelli, explica que há alguns segredos, como: qualidade dos ingredientes, quantidade de açúcar, temperatura e sabor. Mas na esfera empresarial, o que diferencia uma companhia de sobremesas comum de outra com R$ 500 milhões de faturamento no ano e lojas por todo o Brasil?

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É isso que Miranda explicou para o Seu Dinheiro em uma entrevista exclusiva sobre a Gelato Borelli.

A marca, que nasceu na Rua Professor João Fiúza, uma das mais famosas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, teve origem bem longe do endereço brasileiro: direto da Itália.

Tony Miranda, CEO da Gelato Borelli. (Imagem: Divulgação)

Embora Miranda seja CEO da empresa desde 2023, quem fundou a marca foi o casal Eduardo e Gisele Borelli, em 2013.

Antes, o fundador tinha uma atuação profissional mais voltada para a construção civil e o agronegócio — dois setores fortes no interior paulista —, mas viu na gastronomia, até então um hobby, uma oportunidade de negócio. Foi aí que ele fez as malas e embarcou para a Itália para estudar e entender como colocar em prática a culinária italiana.

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De pizzaria a gelato

O plano inicial do casal era abrir uma loja híbrida de pizzas e sorvetes. Foi pensando nisso que ele viajou para a Itália em 2012 para fazer um curso de gastronomia diretamente onde esses produtos foram criados.

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De volta ao Brasil, se deu conta de que Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, tinha uma característica bem favorável para o gelato: o calor. Conhecida como a “Califórnia brasileira” pelas temperaturas elevadas, a cidade tem clima quente em boa parte do ano e chamou a atenção do empreendedor por não ter uma oferta de gelato artesanal nos moldes italianos.

Ele passou uma imersão com estudos teóricos e experiência prática: trabalhou em gelaterias, se conectou com gelataios e fabricantes de máquinas, desenvolveu receitas e estruturou o modelo de negócio.

Diante desse cenário, desistiu da pizzaria e focou nos gelatos.

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O problema, porém, é que os consumidores brasileiros não conheciam o conceito de gelato no modelo italiano. Então, a empresa precisou se esforçar especialmente na comunicação do produto, explicando quais eram os atributos artesanais que não eram encontrados nos sorvetes tradicionais vendidos pela concorrência.

Com isso, a empresa começou a conquistar clientes curiosos em experimentar os produtos.

Eduardo Borelli, fundador da rede de gelatos. (Imagem: Divulgação)

Primeira loja deu início a modelo de franquias

Um ano depois da abertura da primeira loja, os fundadores expandiram para uma segunda unidade em 2014 em Ribeirão Preto, mas não demorou até levarem a marca para outras cidades do interior de São Paulo.

Amigos e conhecidos começaram a se interessar pelo modelo de negócio da Borelli e o CEO da marca atribui esse movimento à “primeira onda de crescimento da empresa”.

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Em 2016, a gelateria começou a abrir lojas em Bauru, Uberaba e Araraquara, por exemplo. Mas a virada de chave para a expansão da empresa foi em 2019, quando chegou a um modelo de franquias.

O fundador explica que, com o número crescente de pessoas interessadas em ter a própria Borelli, percebeu que o modelo que havia construído podia ser replicado em maior escala.

“Isso levou a investir no modelo de franquias como o caminho mais eficiente para uma expansão rápida e capilarizada”.

Atualmente, com a estratégia de franquias, a empresa tem 240 lojas abertas, com mais da metade na região Sudeste do país. A Borelli está presente também no Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste com pelo menos uma loja em cada estado, além do Distrito Federal.

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Além das unidades já em operação, a marca tem 68 projetos em fase de implantação —buscando ponto, fazendo projeto arquitetônico, em obras ou treinamento. Ou seja, a empresa já calcula mais de 300 lojas no portfólio.

“O crescimento aconteceu de forma muito orgânica. Muitos franqueados abriram segunda e terceira unidades. No último ano, mais da metade das novas lojas foi aberta por franqueados já existentes”, diz o CEO.

Para não abrir mão das características da marca, os executivos explicam que há uma supervisão sobre a produção dos gelatos e um processo seletivo para se tornar franqueado.

Durante essa seleção, a marca avalia alguns critérios pessoais do interessado em abrir uma franquia: a aderência cultural com a empresa, a afinidade com o setor alimentício e uma boa relação com pessoas, por exemplo.

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“A capacidade financeira não é tudo. Já deixamos de fazer parcerias com investidores grandes por não terem fit cultural com a Borelli”, destaca Miranda.

Outra exigência é que o franqueado visite a sede, em Ribeirão Preto, para conhecer a operação na prática em diferentes áreas da empresa, como comercial, marketing, financeiro e jurídico, antes de abrir a própria loja.

Para chegar ao veredito, diferentes líderes avaliam o possível investidor e, com a unidade em operação, a Borelli oferece diferentes treinamentos e realiza visitas in loco para verificar o desempenho, bem como o acompanhamento constante de métricas das lojas.

Além disso, uma das iniciativas para manter o padrão foi a inauguração da Casa do Sabor em 2024, que funciona como um centro de distribuição de ingredientes para cada loja.

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Ou seja, trata-se de um modelo de produção verticalizado e que, nas estimativas da empresa, aumenta a capacidade produtiva em 58%.

Ainda assim, os gelatos em si são feitos diretamente nas lojas por ter um prazo de validade reduzido, de 48 horas.

Imagem: Divulgação

Lifestyle é a estratégia da Borelli

Segundo Miranda, a Borelli cresceu ao longo de 13 anos muito pautada em lifestyle. Para ele, a marca “concorre com cinema, teatro e encontros com amigos”, por exemplo.

Portanto, os diferenciais da marca sempre foram pensados com um trabalho de marketing em cores, aromas, sons e mesmo na preparação da equipe de cada loja.

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Outra estratégia ao longo do tempo foi a fidelização. Desde 2025, a Borelli tem um aplicativo de celular que nasceu para “fortalecer o vínculo com o consumidor”, diz o CEO.

Os clientes sobem de nível à medida que consomem e recebem benefícios de acordo com o grau de fidelidade. Os grupos são: bronze, prata, ouro e diamante.

Para quem faz parte do diamante, que é o topo do programa, há o presente de um quilo de sorvete e cinco cascões no mês do aniversário, e frete grátis para entregas duas vezes ao mês entre os incentivos.

A empresa também divulga os sabores de gelato que são queridinhos entre os clientes: pistache, doce de leite e chocolate belga.

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Os próximos passos da gelateria

Apesar de já registrar um faturamento anual de meio bilhão de reais em 2025, a Borelli tem planos traçados para expandir o negócio.

A marca acredita que pode faturar R$ 650 milhões em 2026, um crescimento de 30% em relação ao ano passado, e chegar a 400 lojas.

Outra meta está relacionada à Casa do Sabor. A expectativa é de que a iniciativa aumente a capacidade produtiva e o volume de vendas seja impulsionado em 20% neste ano. Para efeito de comparação, foram vendidos 5,5 milhões de cascões artesanais em 2025.

Mas depois de marcar presença em todos os estados brasileiros, a Borelli tem um plano mais ousado para os próximos anos: a internacionalização.

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O CEO defende que 2026 ainda deve ser um ano para concluir o “xadrez Brasil”, mas diz que a expansão para outros países está em discussão entre os executivos da empresa.

O movimento deve começar entre o segundo semestre de 2027 e o início de 2028. Por enquanto, a equipe da Borelli avalia possíveis destinos com foco em legislação, mercado consumidor, parceiros fornecedores e capacidade de operação que mantenha os padrões da marca.

Para abrir uma unidade Borelli como franqueado, a empresa diz que é necessário dispor de um investimento inicial de R$ 790 mil. O faturamento médio anual de cada franquia é de R$ 2 milhões, com lucratividade média de 20% a 25%.

De acordo com o CEO da rede, há alguns pontos que interferem na lucratividade, como: a localização da loja, o controle de estoque, produção ajustada à demanda para não haver excessos, gestão realizada pelo franqueado, além do período de maturação da loja após a abertura.

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O retorno do investimento deve chegar entre 20 e 36 meses, segundo estimativas da Borelli, e a marca cobra royalties de 5% e taxa de publicidade de 2%.

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