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Neste Dia do Pinot Noir, selecionamos 13 rótulos que ajudam a entender a imensa popularidade da uva, que ganhou até um famoso episódio cinematográfico

A história é conhecida de amantes de vinho e do cinema. Ela acontece em 2004, quando um road movie independente cruza a fronteira do mundo real e faz balançar o mundo do vinho - sobretudo para os produtores de Merlot e de Pinot Noir.
O filme em questão é Sideways - Entre Umas e Outras, a comédia dramática de Alexander Payne, adaptado do romance de Rex Pickett. Na trama, dois amigos cruzam as regiões vinícolas da Califórnia para a despedida de solteiro de um deles. E, entre romances e desencontros, o vinho aparece, às vezes como cenário, às vezes como protagonista.
Ao espectador, esse universo é descrito principalmente por Miles Raymond, interpretado por Paul Giamatti, o enófilo e melancólico amigo do noivo, que expressa a cada cena suas opiniões sobre a bebida. Acontece que essa opiniões acabaram tendo efeitos inesperados e impactando até mesmo a indústria do vinho nos Estados Unidos.
O efeito mais sensível também tenha recaído sobre o mercado de Merlot. Assombrado pelo trauma de um divórcio, o protagonista associa a ex-mulher a sua variedade favorita - e não mede palavras para atacar a uva: "Se alguém pedir Merlot, eu vou embora. Eu NÃO vou tomar nenhuma p**** de Merlot!", brada ele a certa altura.
A cena, bom exemplo do humor do filme, acabou sendo mal interpretada. Em pouco tempo, as vendas de Merlot, que cresciam cerca de 13% ao ano nos Estados Unidos, estagnaram, com uma queda imediata de 2% registrada entre 2005 e 2008.

O contrário foi visto com Pinot Noir. Questionado sobre sua "obsessão" com a uva em determinada cena, o personagem de Giamatti filosofa: "Não sei. É uma uva difícil de plantar. Pinot requer cuidado e atenção constante e só cresce em cantos específicos do mundo. E apenas os mais habilidosos e pacientes produtores conseguem fazer, trazer à tona suas qualidades mais frágeis e delicadas", diz. "E, quando acontece, seus sabores são os mais assustadores e brilhantes e sutis e excitantes e ancestrais do planeta."
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É claro que o efeito específico de um filme sobre as vendas de um rótulo de vinho é uma métrica é difícil de precisar. O fato é que logo em 2005, ano após o lançamento do filme, as vendas de Pinot Noir cresceram 16% nos Estados Unidos. E a variedade, antes responsável por 1% da produção no país, hoje já responde por 10% de seu total.
Miles estava certo. Pinot Noir é uma uva delicada, de produção considerada desafiadora. Uma casta tinta, de pele fina, que requer clima fresco a moderado para desenvolver-se bem. Sua suscetibilidade às mudanças climáticas, bem como a doenças a torna particularmente difícil.
Ainda assim, seu sabor frutado e refrescante e seu corpo leve a tornam uma uva que dialoga bem com as tendências e padrão de consumo atuais, que pedem variedades mais refrescantes. Além disso, é versátil, sendo usada tanto em vinhos monovarietais (apenas com Pinot), como em cortes com outras uvas, na produção de espumantes, Champagne ou rosés. Além disso, exemplares excelentes podem envelhecer bem, tornando a bebida ainda mais complexa.
Tão popular que é, ganhou inclusive uma data comemorativa, o Dia do Pinot Noir, comemorado em 18 de agosto. Para celebrar a variedade, selecionamos 13 rótulos para agradar diferentes perfis - desde os clássicos da Borgonha, na França, até exemplares brasileiros. Cada um com seu perfil, eles ajudam a compor parte do que torna a uva uma movie star do universo do vinho.

Elaborado por uma das casas mais tradicionais da França, este vinho é sugerido para quem inicia o contato com a Pinot Noir. Ele foca no equilíbrio e em uma paleta aromática centrada na fruta fresca.
Apesar de ser produzido no Domaine de Valmoissine, nas colinas da Provence, o resultado demonstra uma elegância que a borgonhesa Maison Louis Latour busca imprimir em seus vinhedos, mantendo o frescor característico da uva que celebramos neste 18 de agosto.

Diferente da anterior, esta opção representa a interpretação clássica da Borgonha pela família Latour. Destinado a quem procura aprofundar o conhecimento na região, o rótulo busca traduzir a essência do solo borgonhês, com vinhedos espalhados da Côte d'Or, mais ao norte, a Mâconnais, mais ao sul.
Trata-se, portanto, um vinho que preza pela tipicidade histórica da casta em seu berço de origem, entregando um perfil elegante e representativo da denominação regional.

Vindo da porção sul da Côte de Beaune, este tinto rompe com a fama majoritariamente branca da comuna de Chassagne-Montrachet. É um vinho de maior complexidade e estrutura, elaborado a partir de vinhedos selecionados.
Diferente de outros exemplares desta lista, o rótulo apresenta personalidade marcante e é indicado para experiências gastronômicas mais exigentes, refletindo o prestígio dos grandes vinhos da região.

Este rótulo francês busca equilibrar aromas de frutas negras e vermelhas com um discreto aporte de madeira. Seu foco, porém, está na nitidez da fruta e na textura macia dos taninos.
Na gastronomia, sua versatilidade permite acompanhar desde aves e queijos de cura média até pratos com cogumelos e carnes de caça. Em comum, mantém um final de boca refinado.

Este exemplar francês apresenta um perfil descomplicado e vibrante. Como não passa por barris de carvalho, preserva sua leveza natural e suas notas de fruta.
Produzido na ensolarada Languedoc-Roussillon, no sul da França, leva a Indicação Geográfica Protegida Pays d'Oc, ou seja, respeitando regras de produção adequadas - o que não o impede de apresentar perfil descontraído, ideal para ser consumido com ou sem acompanhamento de comida.

Originário do Valle do Uco, na Argentina, este vinho foca na juventude da casta. A vinificação ocorre inteiramente em recipientes de inox para ressaltar as características do terroir de altitude.
No paladar, demonstra versatilidade, podendo escoltar desde massas com molho de tomate até pratos com salmão ou cogumelos.

Localizada em Mendoza, a vinícola propõe uma versão mais estruturada da variedade. Aqui, o vinho repousa por um ano em barricas de carvalho francês, o que lhe confere um corpo médio e um final persistente na boca.
A integração entre a madeira e a fruta é feita com equilíbrio, de modo a manter a delicadeza típica da cepa. Ao mesmo tempo, porém, é o que torna ainda melhor sua harmonização com carnes magras e acompanhamentos à base de fungos.
![Garrafa de T.H. [Terroir Hunter] (Undurraga)](https://www.seudinheiro.com/uploads/2026/08/T.H.-Terroir-Hunter-Undurraga.png)
Parte de uma iniciativa que explora microclimas chilenos, este vinho utiliza um método de maturação tripartido: carvalho francês usado, tanques de inox e ovos de concreto por um ano. Após esse período, descansa mais doze meses na garrafa.
O resultado é uma bebida que privilegia a mineralidade e a identidade do solo de Leyda, apresentando textura sedosa e perfil multifacetado.

Proveniente do Vale do Limarí, este exemplar destaca-se pelo manejo orgânico e biodinâmico no vinhedo. Sua estrutura é robusta, com presença de notas minerais e um retrogosto prolongado.
Aqui, passagem por madeira é utilizada para equilibrar o conjunto e conferir suporte às notas de frutas vermelhas, respeitando assim a tipicidade desse terroir específico.

Produzido em Espírito Santo do Pinhal, este rótulo provém de vinhedos situados a 1.185 metros de altitude, onde o clima de inverno seco favorece uma maturação lenta. O vinho passa por um estágio de 13 meses em carvalho francês, seguido por 18 meses de repouso em garrafa antes de chegar ao mercado. Com teor alcoólico elevado, de 15%, apresenta notas de frutas vermelhas frescas e toques de especiarias como baunilha.
Sua textura é macia e o final longo, tornando-o uma escolha complexa para celebrar este Dia do Pinot Noir. Para a mesa, sugere-se a combinação com folhado de bacalhau ou pratos à base de cogumelos.

Produzido no Vale de Leyda, no Chile, este rótulo se beneficia das temperaturas baixas e da proximidade com o mar. O amadurecimento de dez meses em carvalho adiciona complexidade aromática e estrutura, sem sobrepor o frescor cítrico e frutado.
Seus taninos suaves e boa persistência o tornam boa opção para acompanhar pratos como carpaccio, atum grelhado ou lombo suíno.

Este rosé brasileiro, oriundo da Serra Gaúcha com uvas colhidas em Faria Lemos, diferencia-se por ser elaborado a partir de uma composição de safras distintas, abrangendo colheitas entre 2022 e 2025. Seu processo de produção envolve seis meses de maturação em tanques de concreto, técnica que busca preservar o frescor e a precisão do líquido.
O resultado bem com a tonalidade salmão límpida e com o perfil aromático que destaca frutas vermelhas frescas e toques florais de rosas. Com acidez vibrante e corpo médio, é um rótulo que demonstra a versatilidade desta uva em território nacional, sendo uma excelente recomendação para este Dia do Pinot Noir.

Proveniente da zona de Las Dichas, no Vale de Casablanca, este tinto chileno reflete o clima frio da região costeira, com vinhedos situados sobre solos graníticos. O processo de vinificação inclui um estágio de 12 meses em foudres e barricas de carvalho francês usadas, garantindo, portanto, que a estrutura da madeira complemente a fruta sem dominá-la.
O resultado é um vinho de perfil aromático focado em frutas vermelhas, como cerejas e framboesas, acompanhadas de notas minerais e terrosas. No paladar, destaca-se pela acidez equilibrada e taninos finos, características que reforçam a identidade de um Pinot Noir de influência marítima.
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