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CRISE DE LUXO

LVMH perde a coroa na França e ações desabam 55%: o que está acontecendo com a gigante do luxo?

Dona de Louis Vuitton e Dior perdeu mais da metade do valor de mercado desde o pico de 2023 em meio à desaceleração da China, preços elevados e mudanças no setor de luxo

Conglomerado de Bernard Arnault deixou lista das 10 maiores empresas da Europa
Conglomerado de Bernard Arnault deixou lista das 10 maiores empresas da Europa - Imagem: Cody Gallo/ Unsplash/ LVMH

Por muitos anos, parecia que o céu era o limite para a LVMH. A dona de Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co., Bulgari e Sephora surfou uma onda boa de consumidores endinheirados, dispostos a investir em itens de luxo, agora, porém, a empresa enfrenta a maior crise de sua história.

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Desde 2023, as ações da empresa caíram 55%. Só este ano, foram 35% de queda. Na terça-feira (15), inclusive, a empresa perdeu o posto de companhia mais valiosa da França para a L'Oréal. A fabricante de cosméticos passou a valer cerca de 203 bilhões de euros, contra 201 bilhões de euros da dona da Louis Vuitton.

No mesmo movimento, a LVMH deixou o grupo das dez maiores empresas abertas da Europa pela primeira vez desde 2017 e o bilionário Bernard Arnault, dono do conglomerado, deixou a da lista dos 10 maiores patrimônios do mundo na semana passada.

Antes da crise, no entanto, as ações da companhia chegaram a cerca de 900 euros e levaram a LVMH ao posto de empresa mais valiosa da Europa. O grupo chegou a superar US$ 500 bilhões em valor de mercado naquele ano. Mas de lá para cá, as coisas desandaram. O que estaria causando essa queda?

Marca de luxo Louis Vuitton é o coração do conglomerado LVMH
Marca de luxo Louis Vuitton é o coração do conglomerado LVMH - Imagem: Yusuf Sabqi/ Pexels

Os chineses desencantaram

A China pode ter influenciado. Em 2023, a Ásia, excluindo o Japão, representava 31% da receita da LVMH. Em 2025, a participação caiu para 26%. Os Estados Unidos, por outro lado, passaram de 25% para 26% no mesmo período.

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A economia chinesa enfrenta uma combinação de consumo mais fraco, problemas no mercado imobiliário e menor confiança do consumidor. Em agosto de 2026, as vendas no varejo chinês cresceram apenas 0,4% na comparação anual, enquanto o investimento imobiliário caiu 19,9%, segundo a Reuters.

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Para uma indústria que construiu parte relevante de sua expansão sobre o consumidor chinês, o cenário pesou. E a Louis Vuitton, o coração do conglomerado e a marca mais lucrativa da LVMH, ganhou uma dor de cabeça adicional no país este ano.

Em junho, um tribunal de Suzhou decidiu que a rede chinesa de chá Molly Tea deveria pagar 10,3 milhões de yuans (US$ 1,5 milhão) em indenizações para a LV após um tribunal decidir que seu logotipo infringia uma marca registrada da Louis Vuitton. A empresa francesa alegou que a marca de bubble tea havia copiado o icônico desenho de flores de quatro pétalas da Louis Vuitton.

Marca chinesa Molly Tea foi condenada a pagar indenização à Louis Vuitton por logo
Marca chinesa Molly Tea foi condenada a pagar indenização à Louis Vuitton por logo - Imagem: Time Out Singapore

Essa disputa de marca registrada com uma empresa local provocou reação negativa de consumidores chineses e ampliou a pressão sobre a grife. Na esteira desse cenário, diversas corretoras revisaram para baixo suas recomendações e preços-alvo para as ações da LVMH.

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Preços cada vez mais inalcançáveis

Outro fator relevante para a queda é o aumento nos preços. Durante o boom do luxo, grande parte do crescimento veio de aumentos de preços. Segundo a McKinsey em um relatório produzido em parceria com o site Business of Fashion, mais de 80% do crescimento da indústria entre 2019 e 2023 veio de aumentos de preços, enquanto o avanço dos volumes foi bem mais moderado.

Mas o consumidor que mais sofre quando os preços sobem não é necessariamente o ultrarrico. É o comprador aspiracional, aquele que economizou para comprar uma bolsa, um relógio ou um acessório de luxo.

A consultoria Bain & Company alertou em 2025 que anos de aumentos agressivos de preços haviam afastado consumidores aspiracionais e colocado produtos de luxo fora do alcance de parte do público que sustentou o crescimento do setor. Ou seja, quanto mais exclusiva a marca tenta parecer, menor pode ficar a base de consumidores disposta a pagar por ela.

Bernard Arnault deixou a lista dos 10 maiores bilionários
Bernard Arnault deixou a lista dos 10 maiores bilionários - Imagem: Jérémy Barande/Wikimedia Commons

A LVMH começou a enxugar a própria casa

Em maio, a LVMH concordou em vender a Marc Jacobs por cerca de US$ 1 bilhão em uma operação que foi apelidada de "liquidação do luxo". A operação encerrou quase três décadas de relação com a marca e veio depois de outras vendas e desinvestimentos, como a saída da Off-White, a venda de uma participação minoritária na Stella McCartney e operações de varejo de viagem na Grande China.

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Além disso, houve também uma verdadeira dança das cadeiras de diretores criativos das marcas do conglomerado nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, o designer Michael Rider assumiu a direção criativa da marca Celine, no lugar de Hedi Slimane, enquanto Sarah Burton chegou à Givenchy.

No ano seguinte, foi a vez de uma das mudanças mais relevantes: Jonathan Anderson deixou a Loewe, onde estava desde 2013, para assumir a direção criativa da Dior. Para substituí-lo, a LVMH escolheu Jack McCollough e Lazaro Hernandez, fundadores da Proenza Schouler. Vale ressaltar, no entanto, que as movimentações foram vista com bons olhos por críticos de moda.

Uma gigante ainda

Apesar da baixa, o conglomerado mostrou sinais de recuperação no primeiro semestre de 2026. A receita chegou a 38,6 bilhões de euros, com crescimento orgânico de 2%. No segundo trimestre, o crescimento orgânico acelerou para 3%. A companhia também manteve uma margem operacional elevada, de 22,5%.

A LVMH continua, porém, sendo uma gigante. O grupo reúne mais de 75 marcas, opera 6.283 lojas e emprega mais de 211 mil pessoas. Em 2025, por exemplo, faturou 80,8 bilhões de euros. A companhia continua sendo o maior conglomerado de luxo de capital aberto do mundo, com marcas que estão entre as mais poderosas do planeta.

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