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Dossiê overtourism — ou 9 lugares para onde não ir em 2026

Redes sociais impulsionam o fenômeno que leva destinos antes pouco conhecidos a crises habitacionais e degradação ambiental

Tromsø, Noruega
Tromsø, Noruega - Imagem: istock/Eloi_Omella

Os cerca de 2.500 habitantes de Funes, um pacato vilarejo em Tirol do Sul, no norte da Itália, não estavam preparados para as multidões de visitantes que receberiam nos últimos meses. É que uma imagem de um de seus mais belos cenários, uma igreja do século 15 com vista para picos Odle, viralizou no Instagram. O resultado? O chamado overtourism, que levou a congestionamentos, descarte inadequado de lixo e até invasões de propriedades.

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Na Península dos Bálcãs, a Albânia ultrapassou a marca histórica de 10 milhões de turistas. Trends sobre o país apresentaram ao público mais jovem um paraíso. Um destino que, aliás, que não é apenas um dos mais belos da Europa, como também um dos mais baratos de todo o continente. Esse crescimento acelerado fez, por exemplo, com que hotéis aumentassem o preço de suas diárias em 400% em relação aos anos anteriores.

O problema se repete nas Américas. Por lá, a chegada massiva de nômades digitais elevou os aluguéis na Cidade do México. Como resultado, o preço médio em bairros como Roma Norte chegou a superar o salário médio mensal local. Em Medellín, que recebeu mais de um milhão de visitantes em 2024 e gerou US$ 200 milhões em receita, a sensação é de que a cidade está perdendo sua alma.

Efeito cascata

Akemi Yamashita, agente de turismo, confirma que essa pressão gera um efeito cascata que vai da economia à convivência social. O resultado é uma “crise na habitação devido aos aluguéis de curta temporada, inflação local, sobrecarga da infraestrutura, degradação ambiental e cultural, além de hostilidade entre moradores e turistas”.

Esses são apenas alguns exemplos deste fenômeno que já conhecemos muito bem. Acontece que, o imaginário da Fontana di Trevi ou do Coliseu, agora compete com conteúdos digitais que impulsionam o hype de destinos antes antes fora do radar. Uma pesquisa do Phocuswright principal autoridade mundial em análises sobre a indústria de turismo, apontou que, de fato, as redes sociais influenciam cerca de 75% das escolhas de viagem.

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Para Akemi, a solução passa por medidas mais rígidas. "Sem dúvidas que a criação de barreiras financeiras pode ajudar a controlar, como por exemplo, taxa do bate e volta para evitar o turismo de apenas um dia, criação de taxas ambientais, bem como de serviço e hotéis", afirma.

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Ksamil, Albânia

A vila que viralizou no TikTok como as “Maldivas da Europa” enfrenta os desafios de um crescimento meteórico. A Albânia celebrou a marca histórica de 10.147.080 de visitantes internacionais em 2023, tornando-se o destino de crescimento mais rápido na Europa.

Ksamil, Albânia
Ksamil, Albânia

No entanto, a infraestrutura não acompanhou o fluxo: enquanto o turismo saltou mais de 50%, a gestão de resíduos urbanos cresceu apenas cerca de 3%. Em Ksamil, a expansão artificial de praias está degradando ecossistemas marinhos, e os preços em áreas costeiras subiram a níveis que expulsam residentes. O governo agora mira uma meta ambiciosa de 30 milhões de turistas até 2030, apesar das preocupações ambientais.

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Tromsø, Noruega

Tromsø, Noruega
Tromsø, Noruega

A “Capital da Aurora Boreal” opera no limite de sua capacidade. O aeroporto de Tromsø atingiu sua marca histórica de 2,8 milhões de passageiros em 2025, superando a capacidade nominal de 2,7 milhões, impulsionado por um aumento de 137% na oferta de assentos em voos internacionais. Para financiar a infraestrutura de resíduos e banheiros, o Parlamento norueguês aprovou uma taxa de até 3% sobre pernoites e cruzeiros.

Milos, Grécia

A Grécia reformulou sua estrutura tributária com a Taxa de Resiliência Climática, vigente desde 2024. Em hotéis de 5 estrelas na alta temporada, a taxa chega a 15 euros por noite. Para mitigar o impacto de visitantes diários, portanto, o governo impôs uma taxa de desembarque de cruzeiros. Os valores giram em torno de 20 euros em Santorini e Mykonos e 5 euros em outros portos, como Milos, durante o pico do verão.

Milos, Grécia
Milos, Grécia

Yamashita lembra que o controle de fluxo já é realidade em outros locais: "Atribuir cotas diárias para visitas a locais mais populares como por exemplo o Peru fez com Machu Picchu e a Grécia com a Acropole é um dos caminhos".

Kanazawa, Japão

Kanazawa, Japão
Kanazawa, Japão

Conhecida como a “Pequena Quioto”, Kanazawa revisou sua taxa de acomodação em outubro de 2024. O Japão, inclusive, vive um momento de lotação. "A retirada da exigência de visto impulsionou ainda mais a demanda. O país continua lotado, com aumento significativo de tarifas, reflexo direto da escassez de acomodações e da alta demanda por guias qualificados", conta Yamashita. A prefeitura de Kanazawa monitora o uso do transporte público, que frequentemente fica saturado pela bagagem de turistas, afetando, assim, a mobilidade dos moradores.

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Ilhas Gili e Bali, Indonésia

Ilhas Gili, Indonésia
Ilhas Gili, Indonésia

Além da taxa turística de Bali de 150 mil rúpias (aproximadamente US$ 10) vigente desde fevereiro de 2024, a Indonésia implementou em agosto de 2025 o All Indonesia Arrival Card, um formulário digital obrigatório que integra declarações de saúde e alfândega. As Ilhas Gili, porém, continuam a lutar contra a escassez de água doce e a degradação de corais causada pelo excesso de snorkeling e gestão ineficiente de resíduos.

Hallstatt, Áustria

Hallstatt, Áustria
Hallstatt, Áustria

Para gerenciar o fluxo de mais de um milhão de visitantes anuais, Hallstatt mantém um limite de 54 ônibus de turismo por dia. O sistema exige reserva antecipada e pagamento via plataforma online; ônibus que pernoitam têm preferência de acesso. Protestos de moradores em 2023 levaram inclusive à instalação (e posterior remoção) de cercas antisselfie, evidenciando o conflito entre o turismo de massa e a privacidade local.

Antártida

Antártida
Antártida

O turismo no continente gelado atingiu o recorde de 122 mil visitantes na temporada 2023-2024. O aumento da capacidade de navios de expedição, que agora acomodam desde crianças até idosos com mobilidade reduzida, gerou debates na IAATO (Associação Internacional das Operadoras de Turismo) sobre o impacto ambiental e o risco de introdução de patógenos, como a gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI), em colônias de vida selvagem, por exemplo.

Ilhas Canárias, Espanha

Ilhas Canárias, Espanha
Ilhas Canárias, Espanha

O arquipélago, que recebeu 16 milhões de visitantes em 2023, é hoje um bom exemplo dos protestos contra o modelo de turismo de massa. Em 2025 e início de 2026, a Espanha propôs oficialmente à União Europeia a autorização para limitar a compra de imóveis por estrangeiros não residentes nas ilhas, alegando que o setor imobiliário fragmentado e limitado não atende mais à população. Akemi reforça que "a proibição de aluguel de temporada também pode ser colocada em discussão, apesar de polêmica. Várias cidades estão enfrentando a questão".

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Funes, Tirol do Sul, Itália

Funes, Tirol do Sul, Itália
Funes, Tirol do Sul, Itália

O destino nas Dolomitas restringiu o acesso ao seu ponto de vista mais famoso. Não é permitido dirigir até o mirante da igreja de Santa Magdalena e os visitantes devem estacionar em áreas pagas no vilarejo. Drones são estritamente proibidos e o estacionamento ao longo das estradas rurais resulta em multas para proteger a paz das fazendas locais.

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