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Conheça os cenários onde a história da bossa nova foi escrita – e os lugares para celebrá-la ainda hoje
O que vem à mente quando você pensa em bossa nova? Há chances de já começar a cantarolar um “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”… E não é por acaso: “Garota de Ipanema” (1962), de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, é a música brasileira mais conhecida e regravada do mundo, e claro, símbolo do gênero musical celebrado hoje, no Dia Nacional da Bossa Nova.
A data, 25 de janeiro, é em homenagem ao aniversário do músico, pianista e compositor Antônio Carlos Jobim, um dos principais nomes do movimento. Foi ele o principal responsável por dar uma harmonia requintada para a bossa nova.
Antes da bossa nova, a música brasileira era marcada por arranjos carregados, enquanto os cantores apostavam em um vozeirão empostado, quase radiofônico. Já as letras também acompanhavam esse tom excessivo, falando, em sua maioria, de desilusões amorosas, traições e dores sentimentais.
Foi em resposta a esse exagero sonoro e emocional que a bossa nova surgiu na Zona Sul do Rio de Janeiro, ao final da década de 1950, quando jovens da classe média e alta começaram a se reunir para tocar samba de um jeito mais “moderno”. Roberto Menescal, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli e Nara Leão eram alguns membros dessa turma.

Os arranjos se tornaram minimalistas e intimistas. As harmonias ficaram mais sofisticadas, introduzindo acordes complexos. E o violão, com suas batidas, passou a assumir o papel rítmico da percussão.
O jeito de cantar também mudou, priorizando um timbre quase falado: manso, baixinho e sem vibratos. A letra embarcou na suavidade da proposta, assumindo um tom contemplativo do cotidiano. A sofrência e melancolia deram lugar a um amor descomplicado, e o mar, o céu, e o fim da tarde carioca se tornaram mais que uma paisagem, mas um estado de espírito.
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O marco inicial da bossa nova como movimento foi quando João Gilberto lançou seu primeiro disco: Chega de Saudade (1959). Nele, o músico baiano, que na época morava no Rio de Janeiro, apresentou uma batida do violão inédita, que viria a se tornar a marca do gênero.

Já a canção “Chega de Saudade”, de autoria da dupla Tom e Vinícius, se tornou o chamariz do movimento, que se estendeu predominantemente na cena musical brasileira até meados de 1965.
67 anos após o lançamento de “Chega de Saudade”, a bossa nova permanece como um dos movimentos mais importantes da música brasileira, e um dos raros a conquistar projeção além do Brasil, que se mantém até hoje.
Mais do que um capítulo da MPB, o gênero deixou um legado internacional, com um repertório de obras atemporais que continuam a ser reinterpretadas, gravadas e estudadas.
E em homenagem ao seu dia, reunimos os cenários que, para além do Sol de Ipanema, escreveram a bossa nova na Cidade Maravilhosa – e você pode conhecer.
Av. Calógeras, 6 - Centro, Rio de Janeiro
Inaugurada em 1953, a Casa Villarino era um dos endereços da boemia vespertina do centro do Rio de Janeiro. Entre seus frequentadores assíduos estavam nomes como Ary Barroso, Di Cavalcanti e, claro, Vinicius de Moraes.
Mas esse não é qualquer “bar de esquina”. Foi ali, em 1956, que Tom Jobim foi apresentado a Vinicius por intermédio do jornalista Lúcio Rangel. Na época, o poeta procurava alguém para musicar o seu espetáculo, Orfeu da Conceição. À mesa do bar, os dois deram início a uma das maiores parcerias da música brasileira, trabalhando juntos muito além da peça de teatro.

A partir de então, o Maestro Soberano e o Poetinha passaram a frequentar o Villarino juntos. Até hoje, o salão preserva a atmosfera original, com cadeiras e mesas da época e o painel com a fotografia de Vinicius, que ainda ocupa uma das paredes do salão.
Av. Atlântica, 2856 – Copacabana, Rio de Janeiro

A cantora Nara Leão foi uma das principais figuras da bossa nova, e seu apartamento funcionou como um verdadeiro berço do movimento. Localizado no edifício Champs-Élysées, de frente para o mar de Copacabana, no Posto 4 , o espaço foi um ponto de encontro frequente de jovens músicos que buscavam modernizar a música brasileira, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli.

Dessa forma, o apartamento tornou-se entrou para a história como o lugar onde, simbolicamente, a “bossa” nasceu, tendo Nara como musa, anfitriã e catalisadora do movimento que mudaria a canção brasileira.
Rua Duvivier, 37 - Beco das Garrafas, Copacabana, Rio de Janeiro

O Beco das Garrafas, em Copacabana, é um dos endereços mais simbólicos da história da música brasileira. Durante as décadas de 1950 e 1960, o beco reunia quatro pequenas boates (Ma Griffe, Bacará, Little Club e Bottle's), que ficaram famosas por apresentações de bossa nova instrumental.
Lá tocaram grandes nomes como Johnny Alf, João Donato e Billy Blanco - músicos que, mesmo antes do começo formal do movimento, já bebiam das influências do jazz na música brasileira.

Na segunda metade dos anos 60, no entanto, a maioria dos músicos migraram para casas de shows com palco e plateia maiores, levando à desativação da cultura musical do beco. Quatro décadas depois, em 2014, o Beco foi revitalizado. Agora, com duas casas de show (Little Club e Bottle’s Bar), a viela volta a fazer parte da noite carioca, com apresentações diárias de samba, jazz ou bossa nova.
Neste domingo (25), às 20h, Luana Mallet vai celebrar o Dia Nacional da Bossa Nova no Beco das Garrafas, com clássicos do gênero. Confira.
R. Vinícius de Moraes, 49 - Ipanema, Rio de Janeiro

O antigo Bar Veloso ocupa uma esquina histórica de Ipanema, na então Rua Montenegro (hoje Rua Vinícius de Moraes, com a Rua Prudente de Moraes).
Foi ali que, em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes viram Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, a futura Helô Pinheiro, a caminho da praia. E então, acendeu o estopim criativo da dupla para “Garota de Ipanema”. O resto é história.

Também foi no Bar Veloso que Frank Sinatra ligou para Tom, o convidando para gravar a canção (fato que, em primeiro momento, Tom achava que não passava de um trote).
A parceria projetou uma nova imagem do Brasil no mundo, e diante de tamanho sucesso, os donos do bar rebatizaram o estabelecimento de “Garota de Ipanema”.

Em frente ao Garota, há também o Vinícius Bar, casa de show aberta em 1989 como homenagem ao Poetinha. Depois de fechar as portas para reformas em 2019, o bar reabriu em julho de 2025, com o objetivo de retomar o seu papel como reduto da bossa nova carioca.
Rua Nascimento Silva, 107 – Ipanema, Rio de Janeiro

Esse é o famoso endereço eternizado na canção “Carta ao Tom”, homenagem póstuma ao compositor escrita por Vinícius e Toquinho. Foi ali onde Tom Jobim morou entre 1953 e 1962, sendo o lugar em que compôs clássicos da bossa e recebeu uma série de artistas, como Elizeth Cardoso e João Gilberto. O apartamento tinha vista para o Corcovado, que inspirou Tom na letra da canção homônima, e é tombado como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.
“Rua Nascimento Silva, 107
E você ensinando pra Elizeth
As canções de Canção do Amor Demais”Carta ao Tom
Não tem jeito: quando o assunto é bossa nova, é impossível escapar de Ipanema. E é na sua praia em que acontece a quarta edição do Rio Bossa Nossa, que celebra o movimento com shows gratuitos e outras programações ao ar livre, como esportes de praia e ações ambientais. Confira a programação:
Se você for, não esqueça de dar um alô para a escultura em tamanho real de Tom Jobim, no Arpoador.
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