Bobbie Goods, clássicos e milionários: o que os livros mais vendidos de 2025 dizem sobre a leitura no Brasil?
Entre o impacto de redes sociais e o peso dos fenômenos, a lista da Nielsen-PublishNews revela as principais tendências de leitura do ano

A lista de livros mais vendidos do ano, divulgada pela Nielsen-PublishNews, reúne os títulos que concentraram as maiores vendas no mercado editorial brasileiro em 2025, considerando dados de livrarias físicas e plataformas digitais. O ranking serve como referência para acompanhar o desempenho comercial dos livros ao longo do ano e identificar os principais destaques de vendas no Brasil. O Seu Dinheiro analisa os títulos e números.
A lista Nielsen-PublishNews é construída com base no BookScan, sistema da NielsenIQ BookData que coleta dados de livrarias como Leitura, Curitiba, Martins Fontes, Travessa, Vila e plataformas de e-commerce como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza (Estante Virtual) para integrar o painel, que cobre aproximadamente 70% do mercado livreiro no Brasil e funciona como um termômetro do que se lê no país.
Nos debruçamos sobre os cinco primeiros títulos das categorias de Não-Ficção Especialista e Ficção. São duas as categorias de Não-Ficção: Trade e Especialista.
Do TikTok para a estante
Antes disso não podemos deixar de comentar a categoria de Não-Ficção Trade, composta por livros voltados ao grande público e esse ano dominada pelos livros de colorir Bobbie Goods (Harper Collins), que ocupam os quatro primeiros lugares, seguidos de O Homem Mais Rico da Babilônia (Harper Collins, R$ 34,90), Hábitos Atômicos (Alta Life, R$ 60,90) e o devocional Café com Deus Pai 2025 (Vélos, R$ 111,90).
O sucesso de vendas da série Bobbie Goods foi alavancado pelo TikTok e segundo estimativa da ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos) a venda de livros pirateados pode ter chegado ao mesmo número de originais, o que poderia significar o dobro do número de exemplares contabilizados pela lista Nielsen-PublishNews, que totaliza 280 mil exemplares até agora.
Guilherme Sobota, editor-chefe da Publish News, compara o fenômeno dos Bobbie Goods à febre do Jardim Secreto entre 2015 e 2016:
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“Se naquele primeiro momento títulos como Jardim secreto traziam temas da natureza e alguma estrutura narrativa, neste ano se destacaram livros ‘fofos’.”
Quais foram os livros mais lidos de 2025?
Não-Ficção Especialista
A psicologia financeira – Morgan Housel (HarperCollins, R$ 49,90)

O livro parte da ideia de que decisões financeiras são moldadas por experiências pessoais, emoções e contexto social, mais do que por modelos matemáticos. Housel combina exemplos históricos e casos cotidianos para explicar comportamentos recorrentes em investimentos, poupança e consumo. Exemplares vendidos: 68.364
Coisa de rico - Michel Alcoforado (Todavia, R$ 89,90)

Resultado de pesquisas em antropologia do consumo, o livro expõe práticas e hábitos das elites econômicas para mostrar como o dinheiro opera como marcador cultural. O autor discute padrões de distinção, pertencimento e reprodução de status no Brasil. Exemplares vendidos: 26.440
- LEIA TAMBÉM: Coisa de Rico, livro de Michel Alcoforado que promete uma investigação da riqueza no Brasil, vale o burburinho?
As 48 leis do poder – Robert Greene (Rocco, R$ 49,90)

A obra reúne episódios da história, da política e da estratégia militar para formular princípios sobre poder e influência. Exemplares vendidos: 25.380
A coragem de não agradar – Fumitake Koga e Ichiro Kishimi (Sextante, R$ 54,90)

Escrito em forma de diálogo, o livro introduz conceitos da psicologia adleriana e defende a autonomia individual frente à pressão social. A obra propõe a separação entre tarefas próprias e alheias como caminho para relações menos dependentes de aprovação. Exemplares vendidos: 23.064
Em busca de sentido – Viktor E. Frankl (Vozes, R$ 84,00)

Clássico da psicologia, o livro combina relato autobiográfico da experiência de Frankl nos campos de concentração com a formulação da logoterapia. A obra sustenta que a busca de sentido é um fator central de sobrevivência psíquica, mesmo em condições extremas. Exemplares vendidos: 19.595
Ficção
O segredo final – Dan Brown (Arqueiro, R$ 79,90)

Mais um thriller protagonizado por Robert Langdon, o romance articula ciência, simbologia e conspirações em uma narrativa de ritmo acelerado. O livro mantém a estrutura que consagrou o autor, com capítulos curtos e enigmas sucessivos, mas é bastante inferior aos livros anteriores da série. Exemplares vendidos: 56.658
A hora da estrela (edição comemorativa) – Clarice Lispector (Rocco, R$ 44,90)

Clássico contemporâneo que acompanha a trajetória de Macabéa, jovem nordestina pobre no Rio de Janeiro, mediada por um narrador que problematiza o próprio ato de narrar. A edição comemorativa reacendeu o interesse pelo livro entre novos leitores e em clubes de leitura. Exemplares vendidos: 45.189
Verity – Colleen Hoover (Galera Record, R$ 59,90)

Da autora de Assim Que Começa (Galera Record, R$ 59,90), o livro gira em torno de um manuscrito que revela segredos perturbadores. A narrativa em primeira pessoa e os temas de trauma e obsessão ajudaram a impulsionar sua popularidade nas redes sociais. Exemplares vendidos: 41.891
A metamorfose – Franz Kafka (Principis, R$19,00)

A história de Gregor Samsa, que desperta transformado em um inseto, é uma das narrativas mais conhecidas da literatura do século 20. O texto aborda isolamento, culpa e desumanização. Exemplares vendidos: 41.596
A empregada – Freida McFadden (Arqueiro, R$59,90)

O suspense acompanha uma mulher que passa a trabalhar na casa de uma família aparentemente perfeita, mas marcada por segredos. A narrativa aposta em reviravoltas rápidas e capítulos curtos, formato que favorece a leitura serializada. Exemplares vendidos: 37.153
Em sexto lugar, com 36 mil exemplares vendidos ao longo do ano, vem Jantar secreto (Companhia das Letras, R$ 64,90), de Raphael Montes, autor que se consolidou como um dos maiores sucessos recentes do suspense nacional. Conhecido por narrativas de ritmo acelerado, violência explícita e dilemas morais, o autor construiu uma base ampla de leitores, impulsionada tanto pelo boca a boca quanto por adaptações audiovisuais.
O que isso quer dizer?
O ranking da Nielsen-PublishNews mostra um ano marcado pela convivência entre long-sellers consolidados, lançamentos de grande apelo comercial e fenômenos impulsionados pelas redes sociais.
Títulos de não-ficção voltados a comportamento, dinheiro e bem-estar dividiram espaço com romances de suspense e clássicos em novas edições, indicando um mercado sustentado tanto por novidades quanto pela circulação contínua de obras já conhecidas do público.
Para Sobota, o sucesso de Coisa de Rico, por exemplo, “vem na esteira de produtos de entretenimento sobre os muito ricos, como [as séries] Succession e Billions, além de toda uma discussão social sobre distribuição de renda, não apenas no Brasil mas no mundo todo”.
O editor ainda acrescenta que “esses e outros títulos contribuem para, ao tudo indica, números positivos no mercado editorial brasileiro, tanto em produção quanto em vendas”.
No fim das contas, o ranking aponta um mercado diverso e aquecido, em que fenômenos de momento convivem com livros de catálogo forte e circulação contínua, com papel decisivo das livrarias físicas e plataformas de e-commerce na ampliação do alcance e na renovação contínua do público leitor.
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