Coreia do Sul fora de Seul: como o país quer levar o turismo para além da capital
Após receber 18,9 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, país planeja transformar cinco aeroportos regionais em portas de entrada para novos destinos

Você consegue citar três cidades sul-coreanas além de Seul? Se sim, já saiu na frente na visão do governo do país, que, agora, tenta convencer os turistas estrangeiros a explorar outros destinos além da capital.
O país conquistou o mundo com o K-pop, os doramas, a gastronomia e a cultura pop. O sucesso, aliás, também chegou ao turismo: em 2025, o país recebeu 18,9 milhões de visitantes estrangeiros, superando o recorde anterior, de 17,5 milhões, registrado em 2019.
Mas, embora a curiosidade internacional pela cultura sul-coreana tenha atraído milhões de viajantes, a maior parte deles ainda concentra a experiência em Seul, a capital do país.
Agora, o governo quer mudar esse cenário. A estratégia prevê transformar cinco aeroportos regionais em polos turísticos, com o objetivo de facilitar o acesso a destinos fora da capital e distribuir os benefícios econômicos do setor por outras partes do território sul-coreano.

“Para que os turistas visitem as regiões locais, eles precisam conseguir viajar diretamente para lá, sem passar por Seul”, afirmou Daehyun Kim, vice-ministro da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, durante o Global Tourism Economy Forum (GTEF), realizado em Macau em 16 de outubro.
Segundo Kim, apenas um terço dos visitantes estrangeiros viaja para fora de Seul e da região metropolitana. A concentração limita o alcance econômico do turismo, mesmo diante do interesse crescente pela cultura do país.
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Cinco aeroportos para descentralizar o turismo
O plano do governo prevê o desenvolvimento de polos turísticos ao redor de cinco aeroportos regionais: Gimhae, Daegu, Cheongju, Muan e Yangyang. A proposta é facilitar o acesso internacional a outras regiões e incentivar os viajantes a explorar destinos além da capital.
A ideia é reduzir a dependência de Seul como principal porta de entrada para quem visita o país. Com conexões mais diretas, o governo espera estimular roteiros que incluam outras cidades e comunidades locais.
A iniciativa também busca aproveitar o interesse internacional pela chamada onda coreana, conhecida como Hallyu. Em vez de concentrar essa demanda nas atrações mais populares da capital, o país quer transformá-la em experiências turísticas espalhadas pelo território.
Locações de filmes e séries, festivais regionais e especialidades gastronômicas estão entre os atrativos que o governo pretende promover. A ideia é oferecer experiências ligadas à cultura local, capazes de motivar o visitante a conhecer regiões que normalmente ficam fora dos roteiros tradicionais.
A estratégia já conta com iniciativas em andamento. De acordo com Kim, nos últimos 13 anos, mais de 1.400 negócios ligados ao turismo, entre hospedagens, restaurantes e programas de passeios, surgiram em 147 regiões do país.

A China também fez isso
A Coreia do Sul, aliás, não é o único país asiático interessado em ampliar o turismo para além dos destinos mais conhecidos. A China vem apostando nesta estratégia nos últimos anos.
Até pouco tempo atrás, Pequim e Xangai concentravam boa parte da atenção dos turistas que visitavam a China. A Grande Muralha era um dos principais atrativos do país. Agora, outras cidades também entram no radar dos viajantes. É o caso de Chengdu, conhecida como a “Terra dos Pandas” e pela estética cyberpunk, e Chongqing, que viralizou nas redes sociais com um trem que atravessa um prédio residencial.
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