Além do palco, Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira se consolida como programa de fomento à indústria musical
Com apoio renovado do BTG Pactual, premiação chega à 33ª edição transformada em um programa de incentivo ao artista e ao negócio da música; ao Seu Dinheiro, diretora comenta o que mudou

Uma cerimônia "exagerada": foi assim a edição 2026 do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Realizada na noite desta quarta-feira (10), a premiação mais importante do segmento do Brasil homenageou Cazuza com uma série de apresentações dedicadas à obra do poeta vivo. Mais que isso, o encontro musical foi apenas a expressão estrelada de um prêmio que há dois anos ganhou novas proporções, quando recebeu apoio do BTG Pactual.
Essa nova fase é fruto de uma sinergia bem-vinda entre o mercado financeiro e a alma cultural do país. Mais que isso, foi o que permitiu à premiação a criação de vários outros produtos e iniciativas "que deixam legado e apoiam o artista em primeiro lugar", como explica Giovanna Machline, diretora geral da cerimônia.
Ao se apresentarem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a seleção de artistas e vencedores foram um emblema do que hoje é um ecossistema muito maior. Ao investir na criação de projetos como o Te Vejo no Palco e a Incubadora Musical, por exemplo, o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira assume papel ainda mais significativo no fomento à indústria musical.
"Para o BTG Pactual, fazer parte dessa história reforça a importância de contribuir para o fortalecimento de uma indústria que movimenta a economia, gera oportunidades e projeta a criatividade brasileira para o mundo", diz André Kliousoff, CMO do BTG Pactual e uma das vozes estratégicas do apoio ao prêmio. "A experiência do primeiro ano confirmou nossa convicção de que podemos ampliar essa contribuição em diferentes frentes do ecossistema da música."

A visão além do prêmio
Mais que fortuito, o apoio do BTG Pactual chegou em um momento necessário para a premiação. Giovanna Machline relembra o cenário imediatamente anterior à parceria, anunciada em 2025: "A gente vinha de um hiato da premiação, que emendou com dificuldade de captação de patrocínio", recorda. Ainda assim, havia uma vontade, que culminou em uma cerimônia em homenagem a Tim Maia. Foi o que chamou a atenção do banco, afirma Machline.
Mais que isso, porém, foi o potencial de fortalecimento da música brasileira o que aproximou o BTG Pactual da organização.
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"A música é um ecossistema que movimenta uma cadeia produtiva extensa, gera empregos e tem enorme relevância cultural e econômica. Por isso, apoiamos seu desenvolvimento de forma estruturada, com iniciativas voltadas para formação, educação, desenvolvimento de carreira e acesso a conhecimento", pondera Kliousoff.
Assim, ao anunciar as novidades da primeira edição apoiada pelo banco, em 2025, a organização do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira também formalizou sua ampliação.
O balanço do primeiro ano
Foi partir da entrada do BTG Pactual que o prêmio criou o Te Vejo no Palco, um edital que visa filmar a apresentação dos artistas que se inscrevem. Editado, preparado e entregue de presente para o artista, o registro pode endossar a própria divulgação do talento.
"Torna-se legado, vende mais shows, consegue se colocar melhor no mercado", diz Giovanna.
No primeiro ano, o projeto contemplou o registro audiovisual de Chico César (com a Nova Orquestra), Mariana Aydar & Mestrinho, Johnny Hooker, MC Soffia, Martte e Bruna Alimonda. Buhr, Fitti, Mateus Fazeno Rock, Joyce Alane, Juliana Linhares e Lazzo Matumbi estão entre os selecionados para o segundo ciclo, que recebeu mais de 500 inscrições.
Outra iniciativa celebrada pela parceria com o BTG Pactual foi a Incubadora Musical. O programa nasce com a intenção de fornece suporte estratégico, técnico e criativo para artistas que buscam estrutura para alavancar seus projetos.
E aqui o resultado foi ainda mais surpreendente, com 15 mil inscritos, dos quais 12 artistas foram selecionados. Assucena, Joyce Alane, KING Saints, Martins, Marissol Mwaba, Núbia, Sandra Sá, Sued Nunes, Tássia Reis, Zé Ibarra, Zudizilla e Agnes Nunes. Enquanto essa primeira turma se aproxima da conclusão do processo, Giovanna recorda o envolvimento de representantes da indústria com o ciclo:
"No dia do pitch, onde os artistas foram defender seus projetos, a gente abriu para o mercado, então tinha executivo de gravadora, de distribuidora, de curadores de festival. É isso que a incubadora visa trazer, uma visão empreendedora para o artista, para que ele se entenda também como um negócio."
Música é Negócio, inclusive, dá nome a outra iniciativa de formação de novos artistas, com aulas e mentorias disponíveis gratuitamente na plataforma da Exame. Por fim, a ampliação do prêmio inclui o Por Acaso, o programa de entrevistas que reuniu talentos na Pinacoteca para a primeira temporada. Esse ano, as gravações retornam em agosto, em outro local e agora com público.
A radiografia viva da música brasileira
Mais que a distribuição de um troféu, o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira atua como um mapeamento rigoroso e constante da produção nacional. É isso aparece com mais força na lista de indicados, que em 2026 contempla 18 categorias - incluindo a recente adição à lista, uma divisão para o gênero de axé, conquistada muito merecidamente, aliás, por Olodum e por Daniela Mercury, com Cirandaia.
Anualmente, quem decide indicados, premiados e categorias é um conselho, formado majoritariamente por músicos. Recentemente, a exemplo do que ocorreu com o funk, o rap e o sertanejo, o conselho enxergou na produção fonográfica do axé brasileiro a força para sustentar-se como categoria. Mais que uma aposta, é um retrato da música brasileira em sua expressão mais plural.
"Os números às vezes levam a gente a achar que o mercado tá se encaminhando para poucos gêneros de grande consumo", diz Giovanna Machline, "mas a gente não avalia a música pelo número de vendas e sim pela qualidade sonora, pela pluralidade criativa e sonora".
A diretora do prêmio cita, por exemplo, a categoria funk, que em 2026 teve entre os indicados nomes tão distintos quanto a vencedora Deize Tigrona e André Abujamra: "ele não é um artista de funk, mas lançou um produto de funk que é tão valioso e qualificado quanto o da Deize".
A pluralidade, inclusive, é mais um valor apontado pelo banco BTG Pactual para apoiar a iniciativa novamente: "Nossos artistas inspiram públicos em diferentes países e a diversidade de estilos musicais produzidos no Brasil reflete a riqueza cultural de um país com dimensão continental", pondera Kliousoff.
Um consenso chamado Cazuza
Além de apontar indicados e vencedores, é o conselho da premiação quem decide os nomes homenageados a cada ano. E em 2026, o nome que saltou para todos foi o de Cazuza.
Giovanna Machline conta que a opção pelo poeta foi "muito rápida" e unânime no conselho: "Quando veio o Cazuza, ninguém nem levantou outros nomes. Foi muito assertivo."
No Theatro Municipal, o espetáculo dirigido por ela e por Zé Mauricio Machline, o criador do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, reuniu diferentes gerações — de Seu Jorge e Ludmilla a Ney Matogrosso e Marina Sena — em encontros inéditos.
E o impacto não para no Rio de Janeiro. Esse ano, o prêmio sairá em turnê para Brasília e Porto Alegre, com shows de quatro artistas mulheres interpretando o repertório do homenageado.

Refletindo a visão de conexão através da música que une banco e premiação, a cerimônia pode ser conferida pelo YouTube, no canal oficial do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, com apresentação de Débora Bloch e Alice Wegmann.
O Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira é apresentado por BTG Pactual e tem patrocínio do Ministério da Cultura/Governo Federal através da Lei Rouanet.
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