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PATO MANCO NO RADAR

Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota histórica a Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA

Democratas vão controlar o Congresso dos Estados Unidos depois de vencer em distritos dominados há décadas pelo Partido Republicano

Donald Trump sofre dura derrota nos EUA. Imagem: Shealah Craighead/Casa Branca

Os democratas impuseram uma derrota histórica ao presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O partido de oposição obteve vitórias esmagadoras em distritos tradicionalmente republicanos na votação ocorrida na terça-feira (3).

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Diante disso, o Partido Democrata terá maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado dos EUA a partir de 2027.

O resultado do pleito é visto como uma resposta do eleitorado norte-americano à postura de Trump na primeira metade de seu segundo mandato à frente da Casa Branca.

O Partido Republicano sofreu derrotas esmagadoras até mesmo em redutos dominados havia mais de uma geração. A mudança de voto é atribuída à frustração do eleitorado trumpista com a alta do custo de vida, a guerra contra o Irã e à forma como Trump tem governado o país.

O Kansas elegeu seu primeiro senador democrata desde a Grande Depressão, há quase um século. Na Carolina do Sul, estado onde Trump venceu por quase 18 pontos de vantagem em 2024, os democratas derrotaram o candidato ao Senado escolhido a dedo por Trump.

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No Texas, o maior Estado republicano, os democratas encerraram uma sequência de derrotas que durava décadas de forma arrasadora, conquistando uma cadeira no Senado e destituindo o governador Greg Abbott, que cumpria seu terceiro mandato.

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Uma nova era em Washington?

A primeira metade do segundo mandato de Donald Trump como presidente transcorreu praticamente sem nenhuma espécie de freio por parte do Congresso. Isso porque os republicanos dominavam tanto a Câmara quanto o Senado.

A expectativa é de que isso mude a partir de janeiro, quando os deputados e senadores eleitos ontem assumirão seus mandatos.

Os democratas preparam-se para usar parte de seu poder para investigar o governo Trump, sua família e seus aliados, além de exigir concessões em relação a importantes projetos de lei.

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“Há agora uma reformulação geracional do mapa do Senado que vai mudar os Estados Unidos”, disse Chuck Schumer, líder da minoria do partido no Senado. “Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido.”

Trump aceita derrota

Pesquisas de intenção de voto vinham apontando para uma vitória democrata. A dúvida estava na extensão do resultado.

Pelas projeções conhecidas até o momento, o novo equilíbrio de poder em Washington tende a transformar Trump em um "pato manco".

A expressão costuma ser usada por analistas políticos norte-americanos em referência a presidentes que ficam sem o controle do Congresso na reta final de mandato.

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Trump está impedido pela Constituição dos EUA de concorrer a um terceiro mandato. Isso fará com que potenciais sucessores comecem a disputar influência sobre o eleitorado em um cenário pós-Trump. As próximas eleições presidenciais nos EUA estão marcadas para 2028.

Apesar dos temores dos democratas de que Trump pudesse contestar os resultados eleitorais, como fez em 2020, o presidente aceitou o resultado, parabenizando os democratas em uma entrevista à Fox News.

Ele também disse que trabalharia com os democratas em questões como a imigração, embora tenha ameaçado vetar qualquer projeto de lei “insano” que eles aprovassem.

A onda democrata

A onda democrata varreu vastas regiões do país. Os republicanos perderam terreno em quase todas as disputas, exceto em uma pequena parcela dos cerca de 1.700 condados onde a maioria dos votos havia sido contada na noite de terça-feira, de acordo com dados compilados pela Reuters e pelo USA Today.

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Os democratas concentraram a campanha em relação a corrupção no governo e a alta no custo de vida. De um lado, eles culparam a política tarifária de Trump e a guerra com o Irã pelo aumento dos custos. De outro, deram destaque aos bilhões de dólares que a família Trump ganhou desde que ele voltou à Casa Branca.

Os republicanos, liderados por Trump, atacaram os democratas em questões relacionadas à guerra cultural, como os direitos das pessoas trans, ao mesmo tempo em que retratavam seus oponentes como radicais e extremistas. Mas, em pesquisa após pesquisa, os eleitores deixaram claro que estavam muito mais preocupados com questões econômicas — o que se confirmou nas urnas.

*Com informações de agências de notícias internacionais.

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