Alphabet (GOGL34): dona do Google reduz investimentos, mas balanço decepciona e ações despencam
Resultado da Alphabet no 3T26 frustra mercado com queima de caixa e lucro abaixo das projeções, apesar de menos investimentos

Buscando ampliar seu segmento de inteligência artificial, a Alphabet (GOGL34), dona do Google, vem fazendo fortes investimentos em IA. Como consequência, sua geração de caixa tem sido pressionada.
No terceiro trimestre de 2026, pela segunda vez seguida, a companhia apresentou queima de caixa, mesmo com um capex (volume de investimentos) US$ 4,5 bilhões mais leve. Além disso, o lucro por ação ajustado foi de US$ 2,12 no período, quase 30% abaixo do esperado pela XP (US$ 2,99).
Como consequência, as ações da companhia despencam mais de 10% na abertura dos mercados após a divulgação do balanço trimestral.
O 3T26 também foi marcado por um crescimento de 25% na receita na comparação anual, para US$ 127,6 bilhões, e por um forte crescimento do Google Cloud.
Um trimestre negativo para Alphabet
No período, a companhia apresentou um fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) negativo em US$ 9,1 bilhões, enquanto o fluxo de caixa operacional veio cerca de US$ 10 bilhões abaixo das estimativas da XP.
O fluxo de caixa operacional é um indicador de sustentabilidade financeira dos negócios, enquanto o FCF mede o quanto de dinheiro está disponível para pagar dividendos, amortizar dívidas ou expandir a empresa.
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O capex da Alphabet saltou 114% na comparação anual, para US$ 51,4 bilhões, consumindo boa parte do caixa gerado.
Além disso, a empresa também recorreu ao mercado de capitais, captando recursos por meio da emissão de ações e títulos de dívida, elevando as obrigações de longo prazo para US$ 125,1 bilhões.
Ainda, o Google Search, o YouTube Ads e as Assinaturas apresentaram desempenho abaixo das expectativas. Apesar disso, para a XP, esse resultado foi parcialmente compensado pela continuidade do expressivo crescimento do segmento de Cloud.
Google Cloud é destaque positivo
O Google Cloud, segmento de computação em nuvem da companhia, apresentou lucro de US$ 30,7 bilhões, avanço de 103% em relação ao mesmo período do ano passado, contra a expectativa de US$ 28,7 bilhões, com lucro operacional de US$ 11,1 bilhões.
A alta foi liderada pela Google Cloud Platform (GCP) e pelas vendas de sistemas de chips de IA desenvolvidos pela própria empresa.
Já o Google Services gerou US$ 96,3 bilhões em receita, alta de 11% na comparação anual. O Google Search, principal negócio da companhia, cresceu 12% e atingiu US$ 63,4 bilhões em faturamento.
Ao mesmo tempo, o Gemini ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários mensais, enquanto os modelos da companhia já processam cerca de 32 bilhões de tokens por minuto.
Hora de comprar as ações da Alphabet?
Apesar da decepção com o caixa e o lucro, XP e Empiricus acreditam que a Alphabet é uma das principais vencedoras da corrida global por inteligência artificial.
Para a XP, a dona do Google continua bem posicionada para capturar a demanda por infraestrutura de IA. Entretanto, o mercado deve monitorar com mais atenção a capacidade de transformar o atual ciclo de investimentos em geração de caixa.
Já a Empiricus destaca que os fundamentos operacionais seguem fortes, com crescimento acelerado do Cloud, expansão de margens e resiliência do Search, a divisão de buscas, ainda que o maior ciclo de investimentos da história da empresa continue pesando sobre os resultados financeiros no curto prazo.
*Sob supervisão de Julia Wiltgen.
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