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QUINTA SUL-AFRICANA

“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026

Filha de um motorista de ônibus, a Nobel da Paz de 2026 desafiou o apartheid, defendeu Nelson Mandela e construiu uma carreira que a levou aos principais tribunais internacionais do mundo

prêmio nobel
Jurista Navi Pillay é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. - Imagem: ilustração de Niklas Elmehed para a Fundação Nobel

"Se você vir que um número da Noruega está te ligando, atenda, por favor." Esta foi a mensagem do presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, ao anunciar a jurista sul-africana Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.

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Ser avisada diretamente pelo comitê ou descobrir a notícia por amigos ou pela imprensa não muda o fato de que Pillay, aos 85 anos, foi reconhecida com o Nobel "por seus esforços para promover a paz e o direito internacional".

Embora o Comitê Nobel tenha demorado um pouco para localizá-la, a notícia se espalhou rapidamente e Navi Pillay já sabe que é a Nobel da Paz de 2026.

"Achei que fosse uma brincadeira", disse ela em um discurso improvisado na manhã desta sexta-feira (9). "Mas, como advogada e juíza, ainda preciso verificar se isso é verdade."

Ao mesmo tempo em que a decisão do Comitê Nobel foi elogiada pela União Europeia e pela Anistia Internacional, é provável que enfureça figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

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Ao receber a notícia, Navi Pillay estava em Nuremberg, onde participava de um simpósio sobre direito internacional. Uma coincidência repleta de simbolismo. A cidade alemã sediou os julgamentos dos criminosos de guerra nazistas.

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Pillay celebrou o fato de estar cercada por amigos e colegas que atuam na defesa dos direitos humanos e lembrou seu trabalho mais recente. "A última coisa que fiz foi entregar o relatório sobre Gaza, classificando o que aconteceu ali como genocídio", afirmou.

Um resumo da trajetória de Navi Pillay até o Nobel da Paz

Filha de um motorista de ônibus e criada em uma área pobre da comunidade indiana de Durban, na África do Sul, Navanethem "Navi" Pillay nasceu em 1941 e iniciou sua atuação em defesa dos direitos humanos em meio ao regime racista do apartheid.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia na África do Sul. Também foi a primeira mulher não branca nomeada juíza da Alta Corte sul-africana.

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Depois de defender Nelson Mandela e diversos outros opositores do apartheid, Navi Pillay foi eleita juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Ela atuou na corte por oito anos, sendo quatro deles na presidência do tribunal.

Entre 2021 e 2025, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado.

Atualmente, integra a Corte Internacional de Justiça no processo em que o governo de Mianmar é acusado de genocídio.

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Navi Pillay é a quinta sul-africana a receber o Nobel da Paz

Antes de Navi Pillay, outros quatro sul-africanos receberam o Nobel da Paz.

O primeiro Nobel da Paz da África do Sul data de 1961, quando o comitê premiou o líder anti-apartheid Albert Luthuli.

Em 1984, o arcebispo Desmond Tutu foi laureado pela luta contra o apartheid e pela promoção dos direitos humanos.

Nove anos depois, em 1993, Frederik de Klerk e Nelson Mandela dividiram o prêmio. Mandela foi reconhecido por sua luta contra o apartheid. Já De Klerk foi homenageado por seu papel nas negociações que levaram ao fim do regime racista, à libertação de presos políticos e à transição democrática da África do Sul.

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Pelo prêmio, Navil Pillay receberá 12 milhões de coroas suecas. O valor equivale a pouco mais de R$ 6 milhões.

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