Cassino da inteligência artificial? O alerta do presidente da Broadcom que fez tremer as ações de chips
Dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em IA e o avanço da concorrência chinesa aumentam a pressão sobre fabricantes de semicondutores.

O entusiasmo com a inteligência artificial (IA) começa a esbarrar em duas perguntas incômodas para o mercado: até quando as empresas de tecnologia vão investir bilhões em infraestrutura e quando esse dinheiro vai se traduzir em lucro?
As dúvidas ganharam força após declarações do presidente da Broadcom, Hock Tan, sobre o caráter especulativo de parte dos aportes em IA, e ajudaram a pressionar as ações globais de semicondutores.
Na segunda-feira (12), Tan criticou as expectativas exageradas em torno da IA e afirmou que parte dos investidores pode estar colocando dinheiro no setor sem entender totalmente os riscos envolvidos.
Para o executivo, esse comportamento transforma os investimentos em uma aposta que se aproxima de um cassino.
O alerta em torno da inteligência artificial
O alerta chega às vésperas da temporada de balanços corportivos do terceiro trimestre nos Estados Unidos, quando as gigantes de tecnologia terão de mostrar se os investimentos em data centers e chips começam a gerar retornos à altura das cifras envolvidas.
Com as expectativas elevadas, resultados fortes podem não bastar: o mercado também quer sinais de que os aportes bilionários são sustentáveis.
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“Os investidores estão cada vez mais focados nos retornos que essas empresas conseguem gerar e nas perspectivas que apresentam”, afirma Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise.
Na bolsa norte-americana, as ações da Broadcom operam em leve queda nesta terça-feira (13), após recuarem 1,88% na sessão anterior. Nvidia e AMD também caíam, embora com perdas menores do que as registradas no pré-mercado.
- Confira aqui: E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
Na segunda-feira, o índice Philadelphia Semiconductor (SOX), que reúne grandes empresas de semicondutores negociadas nos Estados Unidos, caiu 2,67%, na quarta sessão consecutiva de baixa.
Na Ásia, a pressão foi ainda maior. As ações da Samsung Electronics recuaram 7,4% na Coreia do Sul, enquanto as da SK Hynix tombaram 10%.
O movimento contribuiu para a queda de 5,46% do índice Kospi e refletiu uma preocupação adicional: o avanço da concorrência chinesa no mercado de chips de memória.
A fabricante chinesa CXMT anunciou avanços no desenvolvimento de uma nova arquitetura de chips DRAM, usados para armazenar dados. A tecnologia pode aumentar a densidade de memória e intensificar a disputa com as atuais líderes do setor.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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