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ELEIÇÃO DE MEIO DE MANDATO

Do déficit fiscal à IA: o que está em jogo para os mercados com as eleições dos EUA, segundo o UBS

Analistas avaliam que os investidores vão precisar acompanhar de perto as negociações entre republicanos e democratas após as eleições dos EUA

Eleições EUA; Estados Unidos
Imagem: iStock

Nesta terça-feira (3), os eleitores norte-americanos vão às urnas para renovar boa do Congresso e eleger governadores de 36 estados. A votação de meio de mandato dos Estados Unidos (EUA) ocorre em meio a uma forte queda da popularidade do presidente Donald Trump, que enfrenta o risco de ver o Partido Republicano perder assentos.

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Em relatório, a UBS avalia que o cenário mais provável é de um governo dividido após as eleições, com 50% de chance de o Partido Democrata conquistar mais cadeiras na Câmara e no Senado contra 10% de probabilidade de os republicanos preservarem o controle das duas casas.

Apesar de enxergar uma mudança no pêndulo político dos EUA, o banco considera que alterações profundas na agenda econômica têm poucas chances de avançar, independentemente do resultado eleitoral.

Isso porque as regras do Senado, as divisões dentro dos próprios partidos e o poder de veto presidencial tendem a limitar a aprovação de medidas mais ambiciosas.

No entanto, as negociações entre os dois partidos deverá ficar no radar dos investidores. O banco acredita que temas como dívida pública, gastos federais e regulação da inteligência artificial (IA) passarão a ocupar o centro do debate nos próximos anos.

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Déficit fiscal, teto da dívida e previdência dos EUA no radar do UBS

Segundo o UBS, embora as eleições de meio de mandato sirvam como um termômetro da força política do presidente e moldem as expectativas para a corrida presidencial de 2028, os investidores vão precisar olhar além da disputa entre democratas e republicanos e acompanhar de perto as negociações políticas após as eleições.

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Um dos pontos de maior atenção para os mercados é o teto da dívida dos EUA, um debate que tem previsão de ganhar força em 2027. O banco destaca que um impasse político prolongado elevaria a volatilidade dos mercados.

Além disso, os analistas enxergam que um eventual acordo entre democratas e republicanos pode envolver uma suavização dos cortes em programas sociais e aumento de gastos com defesa.

Esse cenário, no entanto, pressionaria ainda mais as contas públicas e exigiria uma emissão maior de títulos do Tesouro dos EUA, os Treasurys.

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A sustentabilidade do Social Security, equivalente à Previdência Social brasileira, também aparece entre os temas de longo prazo que devem ganhar espaço em Washington após as eleições.

O tema ganha urgência diante da proximidade do prazo estimado para o esgotamento das reservas do fundo fiduciário do programa, previsto para 2032.

Na avaliação da instituição, com a mudança da composição do Congresso dos EUA, uma eventual solução tem mais chances de passar pelo aumento da arrecadação do que por cortes expressivos nos benefícios.

Tarifaço de Trump na disputa eleitoral dos EUA

Mesmo que o Congresso mude de mãos, a política comercial dos EUA deve permanecer amplamente sob controle do presidente, segundo o UBS — o que inclui o tarifaço imposto por Trump contra parceiros comerciais.

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"O Poder Executivo manterá ampla autoridade sobre tarifas. Mas a maioria democrata no Congresso poderá aumentar as audiências e a supervisão [sobre a taxação], enquanto os tribunais podem limitar o uso de certas medidas tarifárias pela administração de Trump", afirmou o banco.

Já as discussões sobre a revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá e as restrições tecnológicas impostas à China devem seguir em curso.

No entanto, o UBS observa que os países europeus podem sofrer pressão crescente para adotar uma postura mais dura em relação a Pequim, em meio às preocupações com o déficit comercial cada vez maior da Europa com a China.

IA como grande aposta para o UBS

Outro tema destacado pelo banco é a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, que vem enfrentando forte resistência da população norte-americana. Em meio ao avanço da instalação de data centers nos EUA, as comunidades vêm exigindo maior transparência e análise dos impactos antes do início das obras.

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Com um Congresso dividido, os analistas enxergam que há maior possibilidade de que a fiscalização sobre empresas de tecnologia e as discussões sobre novas regras para o setor sejam ampliadas.

Apesar disso, o UBS avalia que a forte demanda por IA deve garantir a continuidade dos investimentos em data centers e infraestrutura computacional.

A expectativa é que eventuais regulações se concentrem em questões como licenciamento de projetos, custos de energia e impactos sobre as redes elétricas locais, sem comprometer o ritmo geral de expansão da indústria.

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