‘Queridinha’ de Barsi na mira da B3: empresa em recuperação judicial leva enquadro da bolsa — e não é a única
Paranapanema (PMAM3), em recuperação judicial, foi notificada para sair da condição de penny stock; entenda

Uma empresa queridinha do megainvestidor Luiz Barsi Filho não conseguiu escapar da mira da B3. Em recuperação judicial, a Paranapanema (PMAM3) recebeu um enquadro da bolsa para deixar a incômoda condição de penny stock.
Logo na virada do ano, a operadora da bolsa determinou que a Paranapanema apresente um plano concreto para retirar suas ações debaixo da linha de R$ 1. Hoje, os papéis são negociados a cerca de 67 centavos.
A ofensiva da B3 contra penny stocks não é novidade no mercado brasileiro. Na última semana, a bolsa também cobrou a Espaçolaser (ESPA3) por algo parecido.
O motivo disso é que ações negociadas a preços muito baixos carregam um pacote conhecido — e pouco atraente: volatilidade exagerada, liquidez reduzida e maior espaço para movimentos especulativos.
É um ambiente que dificulta a precificação correta dos ativos e eleva o risco para quem tenta entrar ou sair do papel.
Por isso, a B3 estabelece mecanismos de proteção contra penny stocks. Pelas regras, nenhuma ação pode permanecer por mais de 30 pregões consecutivos abaixo de R$ 1.
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Quando isso acontece, a empresa é notificada e precisa apresentar um caminho para reenquadrar o preço. Se não houver reação, a bolsa pode aplicar sanções mais duras, como exclusões de índices.
Queridinha de Barsi precisa deixar de ser penny stock
No caso da Paranapanema, o cronômetro disparou em 13 de novembro de 2025. Desde então, os papéis não conseguiram retomar o nível mínimo exigido.
Hoje, a ação é cotada a R$ 0,67, com uma queda acumulada de 17% no ano e de 97% nos últimos 10 anos.
Agora, a B3 cobra que a empresa divulgue os procedimentos e o cronograma a serem adotados para reenquadramento do preço das ações. A bolsa também estipulou um prazo para isso: a regularização deverá acontecer até 02 de julho de 2026.
Em comunicado, a Paranapanema afirmou que “está avaliando as alternativas devidas em um esforço conjunto de seus órgãos de governança e adotará as medidas necessárias para promover tal reenquadramento dentro do prazo determinado para tanto, considerando-se a evolução da execução de sua atual estratégia de negócios”.
O mercado já conhece o remédio mais comum para esses casos: o grupamento de ações. A operação eleva o preço unitário ao reduzir a quantidade de papéis em circulação, sem alterar o valor de mercado da companhia.
Vale destacar que esta é uma solução técnica — que resolve o sintoma, mas não trata a causa. A operação não muda fundamentos financeiros ou resolve os desequilíbrios estruturais das empresas.
As finanças da Paranapanema (PMAM3), queridinha de Luiz Barsi
A notícia desta sexta-feira (09) reforça o cenário de forte pressão sobre a Paranapanema. Outrora na mira da Vale (VALE3) — que chegou a oferecer mais de R$ 2 bilhões para assumir o controle em 2010 —, a produtora de cobre agora luta para manter as finanças de pé.
No segundo trimestre de 2025, último balanço divulgado, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 258 milhões.
Ainda assim, houve melhora: a perda foi 62% menor do que no mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, o resultado continuou pressionado por encargos financeiros de R$ 153 milhões, custos de ociosidade e provisões para contingências judiciais.
Desconsiderando esses efeitos e outros itens não recorrentes, o prejuízo ajustado teria ficado em R$ 72 milhões — um número menos dramático, mas ainda distante do equilíbrio.
Em setembro de 2025, a Paranapanema anunciou a aprovação de um aumento do capital social de até R$ 1 bilhão. A capitalização acontecerá por subscrição privada de ações, ao preço de emissão de R$ 1,37 por ação.
Além disso, os credores da produtora brasileira de cobre que tiverem créditos não sujeitos à recuperação judicial terão a possibilidade de capitalizar essas dívidas.
É preciso destacar que o balanço do terceiro trimestre ainda não foi publicado. À Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Paranapanema afirmou em dezembro que o adiamento do resultado decorreu “exclusivamente da necessidade apuração final do teste de recuperabilidade de ativos (impairment), atividade tecnicamente complexa e que ainda exige análises adicionais por auditores independentes e pela administração".
A recuperação judicial da Paranapanema
Vale lembrar que a Paranapanema entrou em recuperação judicial em dezembro de 2022, declarando cerca de R$ 450 milhões em dívidas, incluindo passivos de controladas.
À época, Luiz Barsi classificou o movimento como um passo necessário para evitar o naufrágio do negócio e disse que a reestruturação “não era um bicho de sete cabeças”.
De acordo com ele, tratava-se de uma forma de a empresa preservar a integridade operacional e, ao mesmo tempo, abrir uma oportunidade de voltar a gerar resultados.
O investidor, conhecido por sua filosofia de longo prazo e foco em dividendos, manteve a confiança na Paranapanema. Em abril de 2025, chegou a elevar sua participação para 5% do capital social. Hoje, porém, sua fatia está em pouco mais de 3,5%, segundo dados de relações com investidores da empresa.
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