Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
Além do lucro, investidores acompanham de perto a qualidade da carteira de crédito, o custo do risco e a capacidade do banco de preservar margens

Depois de uma temporada de balanços que acendeu alertas sobre a rentabilidade e a qualidade do crédito nos grandes bancos privados, o Itaú Unibanco (ITUB4) tinha uma missão: mostrar se ainda consegue sustentar sua vantagem em um setor que enfrenta desafios para crescer sem elevar demais os riscos.
O maior banco privado do país conseguiu cumprir a expectativa do mercado. No terceiro trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente somou R$ 12,6 bilhões, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado e de 2,5% na comparação com o trimestre anterior.
O resultado ficou praticamente em linha com a projeção média dos analistas, de R$ 12,584 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg.
A rentabilidade, um dos principais diferenciais do banco diante dos concorrentes, também permaneceu em patamar elevado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) chegou a 23,6%, avanço de 0,3 ponto percentual em um ano, mas recuo de 0,7 ponto percentual frente ao segundo trimestre.
“A consistência dos nossos resultados reflete uma estratégia de longo prazo, sustentada pela disciplina na gestão, pela concessão responsável de crédito e pela qualidade da nossa carteira”, afirma Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, em nota.
Por dentro da carteira de crédito do Itaú no 3T26
Em um cenário de juros ainda elevados e maior preocupação com a capacidade de pagamento de famílias e empresas, crescer a carteira de crédito não basta. Para os bancos, o desafio é expandir os empréstimos sem comprometer a qualidade dos ativos — e, consequentemente, a rentabilidade.
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O Itaú ampliou sua carteira de crédito, mas manteve um ritmo de expansão moderado. O saldo ampliado alcançou R$ 1,54 trilhão em setembro, crescimento de 10,9% em 12 meses e de 2,2% na comparação trimestral.
“Nossos resultados se apoiam na solidez do balanço e na disciplina com que gerimos riscos e alocamos capital. É essa base que nos permite crescer com responsabilidade, oferecendo crédito adequado às necessidades e à capacidade de pagamento dos nossos clientes”, afirma Gabriel Amado de Moura, diretor financeiro (CFO) do Itaú.
A qualidade dessa expansão, porém, é tão importante quanto o volume emprestado. E os indicadores de inadimplência trouxeram novos movimentos neste trimestre.
A inadimplência acima de 90 dias avançou 0,1 ponto percentual tanto na comparação anual quanto na trimestral, encerrando setembro em 2%. Segundo o banco, a alta nas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no Brasil está relacionada à normalização do indicador após o fim das carências concedidas em programas governamentais.
Já os atrasos de curto prazo, entre 15 e 90 dias, recuaram 0,1 ponto percentual, para 1,7%. De acordo com o Itaú, a melhora foi puxada pela carteira da América Latina.
As despesas relacionadas ao risco de crédito, por sua vez, aumentaram. As provisões — recursos reservados para cobrir possíveis calotes — cresceram 9,6% em um ano, para R$ 10,7 bilhões. O custo do crédito avançou 10,2% na comparação anual e 2,7% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,4 bilhões.
O banco atribui a alta principalmente à carteira de pessoas físicas no varejo brasileiro, em linha com o crescimento dos empréstimos nessa frente.
Outros destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 3T26
Além da qualidade dos empréstimos, outro ponto importante para entender o desempenho de um banco é quanto ele consegue ganhar com suas operações financeiras.
No Itaú, a margem financeira — que reúne o resultado das operações com clientes e das atividades de mercado — somou R$ 34,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 7,8% em relação a um ano antes.
A maior parte veio da margem financeira com clientes, que avançou 6,9% na comparação anual e 2,6% frente ao trimestre anterior, para R$ 33,6 bilhões. O indicador reflete, principalmente, o resultado das operações de crédito e a diferença entre as taxas cobradas dos clientes e os custos de captação do banco.
Já a margem financeira com o mercado, que inclui os resultados das operações de tesouraria, teve crescimento mais expressivo. O indicador subiu 46,9% em um ano e 42,3% na comparação trimestral, para R$ 1,3 bilhão.
Tarifas avançam pouco, enquanto despesas seguem sob controle
Se as margens financeiras contribuíram para o crescimento das receitas, as tarifas tiveram desempenho mais contido. As receitas com prestação de serviços somaram R$ 11 bilhões, praticamente estáveis: recuaram 0,1% em 12 meses e avançaram 0,2% em relação ao trimestre anterior.
O resultado merece atenção porque essa linha pode ser afetada por uma atividade mais fraca no mercado de capitais, menores taxas de performance e crescimento limitado em algumas modalidades de serviços.
Do lado dos gastos, o Itaú conseguiu manter um ritmo moderado de expansão. As despesas operacionais chegaram a R$ 17,1 bilhões, alta de 1,7% na comparação anual e de 2,4% frente ao segundo trimestre.
Segundo o banco, o aumento refletiu principalmente os efeitos do acordo coletivo de trabalho, incluindo reajustes salariais, além de maiores despesas com ações trabalhistas.
Com receitas crescendo em ritmo superior ao das despesas, o índice de eficiência ficou em 35,7%. O indicador melhorou 1,4 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Mudança nas projeções para 2026
Além dos resultados, o Itaú anunciou uma mudança em seu guidance (projeção) para 2026. O banco reduziu a projeção para a alíquota efetiva de IR/CS, que passou de uma faixa entre 29,5% e 32,5% para um intervalo de 28% a 29%.
Segundo a instituição, a revisão considera mudanças na trajetória da taxa de juros de longo prazo. As demais projeções para o ano foram mantidas.
Confira como fica o guidance do Itaú:
| Indicador | Original | Atual |
|---|---|---|
| Carteira de crédito total | Crescimento entre 5,5% e 9,5% | Mantido |
| Carteira de crédito - Brasil | Crescimento entre 6,5% e 10,5% | Mantido |
| Margem financeira com clientes | Crescimento entre 5,0% e 9,0% | Mantido |
| Margem financeira com o mercado | Entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões | Mantido |
| Custo do crédito | Entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões | Mantido |
| Receita de prestação de serviços e resultado de seguros | Crescimento entre 2,0% e 5,0% | Mantido |
| Despesas não decorrentes de juros | Crescimento entre 1,5% e 5,5% | Mantido |
| Alíquota efetiva de IR/CS | Entre 29,5% e 32,5% | Entre 28,0% e 29,0% |
*Conteúdo em atualização.
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