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Marcelo Gasparino chega ao conselho defendendo alinhamento ao mercado internacional, enquanto governo tenta segurar reajustes

Recém-eleito para o Conselho de Administração da Petrobras (PETR4), o advogado Marcelo Gasparino chega com uma visão clara — e que pode pesar nas decisões da estatal. Ele deve reforçar o grupo que defende o reajuste dos combustíveis alinhado às oscilações do mercado internacional.
Em publicação nas redes sociais, Gasparino comentou uma entrevista à CNN e sinalizou que a escolha de Guilherme Mello para a presidência do conselho pode ajudar a destravar esse debate. Segundo ele, a Petrobras não pode abrir mão de praticar preços de mercado, mesmo em um cenário politicamente sensível.
Gasparino relembrou que, desde 2022 — um ano marcado pela disparada do petróleo com a guerra entre Rússia e Ucrânia —, o conselho já havia estabelecido que a companhia precisa equilibrar rentabilidade e sustentabilidade.
Em outras palavras, isso significa resistir a segurar preços artificialmente. “Esse é o grande teste que o novo presidente do Conselho vai ter que saber administrar”, afirmou.
Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi eleito para comandar o colegiado na última quinta-feira (16). Já Gasparino retorna ao conselho após ter deixado o cargo no ano passado, quando tentou, sem sucesso, uma vaga na Eletrobras.
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O pano de fundo dessa discussão continua sendo a política de preços. Em 2022, o petróleo chegou a encostar nos US$ 140 o barril, em meio à guerra, e a pressão sobre os combustíveis derrubou dois presidentes da Petrobras em plena corrida eleitoral.
Mais recentemente, críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um aumento do gás de cozinha também resultaram em mudanças na diretoria.
Mesmo com a alta recente do petróleo, a Petrobras tem segurado os reajustes.
O diesel subiu 11,6% em março, mas ainda abaixo do mercado internacional, enquanto a gasolina segue sem alterações. A defasagem do diesel, mais dependente de importações, chegou a ultrapassar 80% e hoje está em torno de 50%.
Dentro do conselho, o clima é de divisão. De um lado, acionistas minoritários defendem repasses rápidos, nos moldes do mercado americano. Do outro, indicados do governo tentam evitar que a volatilidade externa chegue direto às bombas.
A entrada de Gasparino tende a fortalecer a ala favorável a uma maior aproximação com os preços internacionais, em um momento em que a Petrobras ainda busca calibrar sua política após abandonar, em 2023, a paridade de importação (PPI).
Para ele, há também um fator fiscal nessa equação. Como uma das maiores pagadoras de dividendos ao governo, a Petrobras poderia ter um papel ainda mais relevante no financiamento de investimentos públicos.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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