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CENÁRIO BRASILEIRO

Juro real duplica o patrimônio em 10 anos, mas ‘não é sustentável’ para a economia, alerta Mansueto

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, avaliou o cenário da economia brasileira no evento Global Managers Conference 2026

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual - Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

O ambiente doméstico e o controle das contas públicas seguem como o calcanhar de Aquiles do Brasil. Este é o alerta de Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, em meio a um nível de juros que, embora pareça atraente para investidores, revela um desequilíbrio na economia brasileira.

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“Com um juro real de 7%, você duplica seu patrimônio em 10 anos. Isso não é sustentável”, afirmou o economista durante o evento Global Managers Conference 2026, promovido pela BTG Pactual Asset Management nesta terça-feira (31).

Para Mansueto, a distorção reflete o avanço acelerado das despesas públicas.

Segundo ele, o Brasil deve encerrar o ciclo de 2023 a 2026 com uma expansão real de cerca de 20% do gasto público federal, um ritmo elevado, sobretudo em um contexto de mercado de trabalho aquecido.

“Isso é muito para qualquer país, ainda mais para um país em pleno emprego”, disse.

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Não precisa cortar gastos, diz o economista

Na leitura do economista, o diagnóstico e a solução são mais simples do que parecem.

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Diferentemente de crises passadas, não seria necessário um corte abrupto de despesas, mas sim interromper a trajetória de crescimento. “O desafio do Brasil não é cortar gasto, é controlar o crescimento do gasto”, afirmou.

A experiência recente reforça esse argumento. Após a adoção do teto de gastos, em 2016, o controle das despesas ajudou a reduzir as expectativas de inflação e abriu espaço para um ciclo consistente de queda dos juros.

Hoje, o movimento é o oposto: o avanço das contas públicas pressiona os preços e obriga o Banco Central a manter a política monetária restritiva.

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Nesse contexto, uma mudança na trajetória fiscal teria efeitos quase imediatos, segundo o economista. “Segurando o crescimento do gasto público, o mercado vai puxar para baixo a expectativa de inflação e abrir espaço para um corte rápido de juros”, completou.

O problema da previdência

Além do nível elevado das taxas, Mansueto chama atenção para pressões estruturais, especialmente na previdência. A política de valorização do salário-mínimo, que garante ganhos reais também aos aposentados, amplia o peso das despesas obrigatórias.

“O Brasil é um dos poucos países em que aposentados recebem aumento real recorrente. Isso tem um custo muito elevado”, afirmou.

Ainda assim, o diagnóstico dos economistas para o governo atual está longe de ser pessimista: “quando a gente olha o todo, não está tão difícil”, resumiu. Reformas recentes como a da previdência, a tributária e a independência do Banco Central criaram uma base mais sólida, reduzindo a necessidade de medidas mais drásticas.

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Essa avaliação é compartilhada por André Esteves, chairman BTG Pactual, que vê o desafio menos como uma questão técnica e mais de execução. “A ideia de que não é possível fazer o ajuste fiscal não é verdade”, afirmou.

Para o banqueiro, o histórico recente mostra que mudanças estruturais podem avançar mesmo em ambientes políticos adversos. Ele cita o volume recorde de concessões em infraestrutura no atual governo como exemplo.

“É um governo mais à esquerda, mas que deve bater recorde de concessões. Então é um ‘esquece um pouco o que se fala e olha o que se faz'”, disse.

Casos recentes causam desequilíbrio

Ao mesmo tempo, Esteves aponta distorções microeconômicas que ajudam a explicar parte dos desequilíbrios. Entre elas, o avanço da informalidade em setores relevantes como o setor de combustíveis, que se estende para mais de 20%.

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Ele também criticou fragilidades no sistema financeiro, mencionando o risco de instituições menores gerarem impactos desproporcionais em alusão ao caso do Banco Master, que causou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e revelou questões a serem aperfeiçoadas no mercado ainda.

Na avaliação dos economistas, o caminho passa menos por medidas complexas e mais por previsibilidade e cumprimento de regras. “É obedecer à lei, garantir que ela seja igual para todos, sem excessos e sem estrelismo”, afirmou Esteves.

Apesar das incertezas, os executivos do BTG veem um avanço institucional relevante no horizonte, especialmente após episódios recentes no sistema financeiro. “A gente deve sair desse período com um Banco Central muito mais forte”, disse.

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