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Estudo do LinkedIn aponta competências técnicas e comportamentais em alta, destacando IA, gestão de projetos e comunicação estratégica em diferentes áreas
Imagine um mercado de trabalho em que a inteligência artificial (IA) deixa de ser apenas um recurso e se torna parceira do profissional em cada decisão. É esse cenário que o levantamento Habilidades em Alta 2026, do LinkedIn, pinta para o Brasil: competências que combinam técnica, estratégia e criatividade estão prestes a transformar o cotidiano de quem quer se destacar.
O estudo mostra que a combinação de domínio tecnológico e habilidades comportamentais tem ganhado cada vez mais valor, reconfigurando funções tradicionais e redefinindo o perfil dos funcionários buscados pelas empresas.
Para se ter uma ideia, de acordo com a pesquisa, um em cada cinco profissionais no mundo todo afirma que a falta de qualificação adequada tem dificultado a busca por emprego — reflexo da velocidade com que funções estão incorporando inteligência artificial e novos sistemas.
De acordo com Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil, o diferencial competitivo já não está apenas no acesso à tecnologia.
“A IA deixa de ser um tema concentrado em áreas técnicas e passa a integrar o cotidiano de praticamente todas as profissões, elevando o nível de exigência das companhias”, afirma.
“O diferencial competitivo já não está apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de integrá-la aos sistemas existentes, garantir segurança e conformidade, e transformar dados em decisões estratégicas com impacto real no negócio. Isso exige um equilíbrio cada vez maior entre competências técnicas e comportamentais”, explica.
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O estudo revela que, entre as habilidades que mais crescem na área de Marketing e Comunicação, por exemplo, estão:
Já no segmento de Vendas, o levantamento indica que já não basta apenas fechar contratos. Hoje, ganha relevância a capacidade de compreender a jornada do cliente de ponta a ponta, identificar requisitos de negócio com precisão, gerir pipelines com base em dados e incorporar inteligência artificial ao dia a dia comercial.
Na área de Educação, a pesquisa destaca que a digitalização de processos acadêmicos, o uso de IA no ensino e a pressão por resultados mensuráveis estão redesenhando o papel de gestores, coordenadores e também dos docentes.
Por isso, além da dimensão pedagógica, ganha peso entre as habilidades a capacidade de planejar orçamentos, interpretar dados de desempenho e utilizar ferramentas de inteligência artificial generativa de forma ética.
Para profissionais de Recursos Humanos, o estudo mostra que a função deixou de atuar apenas como suporte. O avanço da IA em recrutamento e análise de desempenho, aliado à necessidade de conformidade regulatória, exige perfis que combinem visão analítica e sensibilidade humana.
Já no campo das Finanças, decisões pedem cada vez mais dados em tempo real, tecnologia robusta e gestão ativa de riscos, segundo o levantamento. Na prática, o letramento em IA, a automação de processos e a computação em nuvem refletem a evolução da função para além da rotina contábil.
Apesar do avanço tecnológico, o estudo reforça que as competências humanas continuam estratégicas e necessárias em todas as áreas.
De acordo com a pesquisa, liderança, escuta ativa e resolução colaborativa de problemas são determinantes para alinhar orçamento, prioridades e decisões de investimento às metas do negócio.
| Área | Habilidades em alta |
|---|---|
| Vendas | Expansão de novos mercados; Jornada do cliente; Letramento em inteligência artificial; Ferramentas de IA generativa; Gestão do pipeline |
| Educação | Letramento em inteligência artificial; Ferramentas de IA generativa; Estatística; Orçamento; Planejamento e revisão |
| Recursos Humanos | Letramento em inteligência artificial; Treinamento e desenvolvimento; Office 365; Gestão administrativa |
| Finanças | Automação de processos; Computação em nuvem; Análise de sistemas; JIRA; Letramento em inteligência artificial |
| Marketing | Estatística; Jornada do cliente; Inteligência artificial e automação; Storytelling digital; Gestão de orçamento |
Um relatório recente de uma casa de análise pouco conhecida, a Citrini Research, também trouxe uma observação sobre o futuro da inteligência artificial e seus efeitos na economia.
No documento, a casa alerta que o avanço da IA pode transformar radicalmente o mercado de trabalho, o consumo e o sistema financeiro, com desdobramentos que já se refletem até nas bolsas de valores.
O relatório descreve um período inicial de euforia entre 2025 e 2026, em que o S&P 500 poderia atingir níveis recordes até outubro. Ao mesmo tempo, as demissões entre trabalhadores com maiores salários foram celebradas como “expansão de margem”.
A Citrini argumenta, no entanto, que essa produtividade gerada por máquinas pode se tratar, na verdade, do que chamam de PIB Fantasma (Ghost GDP). Ou seja, uma riqueza que aparece nas contas nacionais, mas não circula na economia real.
“De todas as formas, a IA estava superando as expectativas, e o mercado era a IA. O único problema: a economia não era”, escreveu a casa.
A análise aponta que, enquanto as empresas economizavam em custos trabalhistas, a velocidade do dinheiro despencou porque “máquinas não gastam dinheiro em bens de consumo”.
Um estudo da Moody’s Ratings também que a tecnologia pode elevar a produtividade do trabalho em cerca de 1,5% ao ano, considerando um horizonte de dez anos.
Esse período, segundo a agência, seria suficiente para que os ganhos ligados à complementaridade entre humanos e máquinas se consolidem, com base na atual estrutura do mercado de trabalho.
O impacto, porém, deve variar entre os países. De acordo com o relatório, economias avançadas tendem a registrar ganhos maiores, entre 1,2% e 2,9% ao ano. Isso ocorre porque concentram mais ocupações de perfil cognitivo e contam com infraestrutura digital mais desenvolvida.
Já os mercados emergentes devem sentir um efeito mais moderado, estimado entre 0,4% e 1,4% ao ano. Nesses países, a menor presença de empregos intensivos em tecnologia e os salários mais baixos reduzem o incentivo econômico para a automação em larga escala.
A Moody’s ressalta que o avanço não será uniforme. O resultado dependerá de quantos trabalhadores serão impactados pela automação e quantos terão suas atividades ampliadas pelo uso da tecnologia.
Além disso, a agência destaca que os benefícios de produtividade da IA podem não se traduzir diretamente em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), já que este é calculado com base no valor de mercado e na produção, em vez de melhorias de eficiência.
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