Haddad diz que vai estudar os efeitos da privatização da Sabesp (SBSP3) e chama debate sobre serviços de ‘natural’
O pré-candidato citou o aumento de reclamações por qualidade do serviço e também afirmou ter verificado que houve reestatização desses serviços em outros países

Mais investimentos, metas de universalização e mais reclamações: o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou que vai estudar os efeitos da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp; SBSP3) para a sua campanha. Ele também disse que considera esse debate natural.
A operação foi concluída em 23 de julho de 2024 pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a empresa entra em 2026 em seu segundo ano de privatização com foco em investimentos para universalizar o saneamento. A venda resultou em R$ 14,8 bilhões para o governo paulista.
Por outro lado, as reclamações contra a companhia mais que duplicaram em dois anos, segundo dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) divulgados pelo G1.
As queixas passaram de cerca de 3,7 mil em 2023 para quase 10 mil em 2024, um aumento de 162%. As principais reclamações registradas pelos consumidores são sobre problemas nas contas e falta de água.
“Sendo a maior companhia pública do estado, que foi privatizada, e tendo muita discussão no estado sobre a qualidade dos serviços, que na visão de algumas pessoas, piorou, e da conta que, contra a promessa feita naquele ano de 2022, era de que iria reduzir a conta de luz, e ela aumentou acima da inflação, eu acho que é um debate natural”, disse Haddad, nesta segunda-feira, 23, em entrevista à Rádio CBN.
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Na ocasião, o pré-candidato também afirmou ter verificado que houve reestatização desses serviços em outros países. “Vou analisar com cuidado. Sem analisar, não vou ficar vendendo fantasia. Mas se isso for importante para a população, eu vou debater o assunto”, disse.
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Haddad acrescentou: E eu creio que ele (Tarcísio) deseje também. Apesar de que eu tenho sentido falta de disposição para o debate, tanto do Ricardo Nunes dois anos atrás, quanto dele (Tarcísio)”.
Haddad deixou o Ministério da Fazenda na semana passada para concorrer novamente ao comando do Palácio dos Bandeirantes. O petista deve disputar o posto com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi nomeado em 20 de março.
Os números financeiros da Sabesp
O governo continua com 18% das ações, enquanto a Equatorial Energia tem 15%. 66,5% estão em circulação no mercado.
Em um ano, as ações da empresa já subiram quase 63%. Apenas em 2026, a alta é de 14,87%.
No quarto trimestre do ano, os números de ligações de água e esgoto se mantiveram praticamente estáveis, com alta de 0,4% e de 0,8%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2024.
A receita aumentou 2,1% no trimestre, para R$ 5,68 bilhões, e alcançou R$ 22,21 bilhões no ano, alta de 2,2%. O Ebitda e o lucro, no entanto, aumentaram mais significativamente. O lucro foi de R$ 6,32 bilhões no ano, alta de 22,1%.
Mais investimentos
Em entrevista ao Money Times, o CFO da Sabesp afirmou que a companhia de saneamento entrou em 2026 com um pipeline robusto de iniciativas para avançar na universalização do serviço.
A empresa encerrou 2025 com recorde de investimentos, impulsionado pelas metas firmadas na privatização. O Capex projetado ficou em torno de R$ 15 bilhões, ante R$ 6,9 bilhões em 2024 e uma média histórica de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões antes da desestatização. Até 2030, o plano prevê R$ 70 bilhões em aportes.
“A nossa grande prioridade é universalizar o saneamento, e a privatização nos deu a agilidade necessária para acelerar essa entrega. Desde então, a Sabesp conecta cerca de 2.400 domicílios por dia”, diz o diretor financeiro (CFO) da companhia, Daniel Szlak, em entrevista ao Money Times.
Sabesp se capitaliza
O avanço acelerado dos investimentos ocorre sem que a companhia tenha recebido recursos no leilão de privatização. Do total de R$ 70 bilhões, a estimativa é captar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões via dívida.
“Só em 2025, a Sabesp já captou cerca de R$ 19 bilhões, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador. Depois de 12 anos fora do mercado internacional, voltamos a emitir dívida lá fora, com um bond nos Estados Unidos”, afirma Szlak.
Segundo o CFO, a empresa também retomou o relacionamento com organismos multilaterais, como o Banco Mundial. A ideia é diversificar a capitalização, acessando, além do mercado tradicional, bancos de fomento, debêntures e linhas como a EcoInvest.
Em janeiro, a companhia também adquiriu o controle da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Além disso, irá submeter à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de registro de oferta pública para aquisição das ações ordinárias remanescentes da companhia.
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