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CRISE GLOBAL

Fim da guerra? Itaú BBA trabalha com um cenário e vê efeito limitado no Brasil — pelo menos por enquanto

Banco se baseia em análises políticas que indicam um limite para a participação dos Estados Unidos no conflito

Montagem da bandeira dos EUA, do Brasil e do Irã
Bandeiras dos EUA, Brasil e Irã - Imagem: ChatGPT

A pergunta do milhão no momento é: até quando vai a guerra no Oriente Médio? Ninguém tem essa resposta — mas o Itaú BBA tem uma previsão no radar. Dentro deste cenário, o banco acredita que o Brasil tem ferramentas para segurar os efeitos do conflito no preço dos combustíveis, na inflação e no câmbio.

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Em coletiva com jornalistas nesta quinta-feira (19), Pedro Schneider, economista do Itaú BBA, afirmou que o banco está considerando que o conflito deve perdurar até meados de abril.

A avaliação leva em consideração análises de consultores políticos que estão imersos nos desdobramentos do conflito, segundo Schneider. Essa data considera dois possíveis cenários:

  • Os Estados Unidos avançarem sobre o Irã e conseguirem o controle do Estreito de Ormuz; ou
  • A saída dos EUA do conflito devido ao custo da guerra, financeiro e político, visto que o país vai passar por eleições parlamentares no segundo semestre.

No primeiro caso, a perspectiva de controle norte-americano sobre o Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do abastecimento mundial de petróleo, é mais favorável para os preços da commodity, com uma tendência de normalização dos preços.

Já o segundo cenário é mais incerto. Afinal, uma saída dos Estados Unidos da guerra não necessariamente significaria o fim do conflito ou a reabertura e normalização do abastecimento mundial de petróleo.

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Para Schneider, se o canal continuar fechado, a cotação do petróleo vai continuar subindo indefinidamente.

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“Para voltar abaixo de US$ 100 o barril, precisa de uma solução definitiva. A expectativa é que a guerra não dure o ano inteiro, dada a importância do Estreito de Ormuz. Mas a dinâmica atual é de aumento no preço”, disse o economista.

Guerra em andamento

Nesta quinta-feira, a cotação do petróleo no mercado internacional chegou a US$ 119 o barril. A disparada aconteceu depois que o Irã atacou refinarias de gás natural e de petróleo do Kuwait, Arábia Saudita e Catar.

Segundo Teerã, os bombardeios foram uma retaliação ao ataque de ontem (18) de Israel ao complexo de South Pars, que fica no Irã, maior campo de produção de gás natural do mundo.

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A cotação do petróleo, no entanto, não sustentou o preço máximo e diminuiu a alta para US$ 110 por barril Brent.

Trata-se de um preço preocupante, que coloca o mundo em alerta devido ao potencial inflacionário. Mas, no que diz respeito ao Brasil, o Itaú BBA ainda vê o impacto limitado — desde que a guerra não se prolongue.

Mas impacto no Brasil ainda é limitado

Schneider destacou na coletiva que o governo tem a tendência de suavizar os possíveis impactos do preço do petróleo no bolso da população.

Na semana passada, por exemplo, o governo retirou os impostos federais e a taxa de importação sobre o diesel. No mesmo dia, a Petrobras aumentou o custo do combustível. Um ajuste neutralizou o outro.

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“Impacto zero no IPCA [inflação]”, afirmou o economista.

Em relação à gasolina, Julia Gottlieb, também economista do Itaú, destacou que a Petrobras tem capacidade para absorver a defasagem de preço por mais algum tempo.

“Mesmo se corrigir, o governo deve entrar com alguma solução temporária para o impacto na população ser menor”, disse a economista.

A maior preocupação é com o diesel. O combustível tem um efeito indireto na inflação que é potente, por causa do frete de mercadorias — vide todo o burburinho em volta de uma possível greve dos caminhoneiros.

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A boa notícia é que o impacto da guerra sobre o aumento do custo para os fertilizantes, que poderia encarecer a alimentação, deve ficar para o futuro. Gottlieb ponderou que a safra deste ano já foi fertilizada, mas, se a guerra se prolongar, esse impacto vai ficar para a safra de 2027/28.

Brasil bem posicionado para ficar à margem da guerra

Para os economistas do Itaú BBA, o Brasil está bem posicionado para ficar à margem dessa guerra. Um dos sinais pode ser observado no câmbio.

O dólar, que vinha em uma tendência de fraqueza global, ganhou alguma força frente a divisas de países desenvolvidos. Em relação ao real, entretanto, não houve tanta valorização.

A taxa de câmbio continua na faixa de R$ 5,20 e R$ 5,30, e o Itaú BBA acredita que deve se manter assim.

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Há dois fatores que colocam a moeda brasileira nessa posição mais confortável — considerando que a guerra não será prolongada.

  • Brasil é exportador de petróleo: o Brasil exporta mais petróleo do que compra, o que indica baixa dependência da commodity. E essa posição até melhorou em relação à 2022, quando iniciou o conflito entre Rússia e Ucrânia.
  • Juros altos: o Banco Central até reduziu a Selic para 14,75%, mas o juro real do Brasil ainda é o segundo maior do mundo, o que é positivo para a entrada de dólares. O país deve continuar recebendo capital estrangeiro.

Caso o conflito não se prolongue, o Itaú BBA projeta que a inflação do Brasil deve fechar em 3,8%. Resta saber se a previsão dos consultores políticos se confirma.

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