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Marina Gazzoni

Marina Gazzoni

Diretora-Executiva do Seu Dinheiro e Money Times. Tem 20 anos de experiência em gestão, edição e reportagem de projetos de conteúdo de Economia, passando por Empiricus Research, G1/Globo, Folha, Estadão e IG. Tem MBA em Informação Econômico-Financeira e Mercado de Capitais e MBA em Marketing Digital. É planejadora financeira CFP® e mestranda na FGV (Inovação Corporativa).

VISÃO 360

A hora da Cigarra: um guia para gastar (bem) seu dinheiro — e não se matar de trabalhar

Nem tanto cigarra, nem tanto formiga. Morrer com dinheiro demais na conta pode querer dizer que você poderia ter trabalhado menos ou gastado mais

Marina Gazzoni
Marina Gazzoni
15 de fevereiro de 2026
8:01 - atualizado às 8:00
Fábula da Cigarra e da Formiga
Fábula da Cigarra e da Formiga. - Imagem: volkanakmese/iStock

A fábula da cigarra e da formiga é um dos clássicos que usamos para ensinar as crianças sobre o valor do trabalho e de poupar para o futuro. A heroína da história é a formiga, que trabalha no verão para acumular suprimentos para o inverno. Enquanto isso, a cigarra aparece como um bon vivant, um fanfarrão irresponsável que na hora do aperto depende da caridade da formiga para não passar fome. Mas será que é isso mesmo?

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E se a formiga já tiver suprimentos suficientes para o inverno inteiro? Será que ela deveria continuar trabalhando até o fim do verão? Ou seria melhor ela deixar de ser “caxias” e curtir uma praia no Caribe gastando sua um pouco da sua reserva?

Saber poupar é importante. Mas talvez seja igualmente relevante refletir sobre como gastar o seu dinheiro. Provavelmente, você tenha um tio, primo, vizinho ou amigo que viveu para o trabalho, morreu com a conta bancária recheada e sem desfrutar dos prazeres que o dinheiro poderia lhe proporcionar. A formiga só trabalhou, e os herdeiros agradecem.

Para aproveitar sua vida ao máximo e o seu dinheiro, o gestor de fundos Bill Perkins propõe que você “Morra sem nada” (esse é o nome do seu livro, que, aliás, vale muito a leitura).

A lógica é que o dinheiro é seu, e deixar qualquer valor para trás é desperdiçar seu tempo de vida. Se sobrou dinheiro na conta, isso significa que você poderia ter trabalhado menos ou gastado mais.

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A proposta não é ser perdulário. Pelo contrário. Ele defende uma estratégia bem pensada para gastar dinheiro com bens ou experiências que realmente valham a pena.

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Não há juízo de valor sobre em que gastar. Essa decisão é particular e depende de desejos individuais. Mas é fato que um sonho, seja ele qual for, depende de fatores diversos para se concretizar. E dinheiro é um deles.

Tempo, dinheiro e saúde

Na visão de Perkins, três fatores influenciam na viabilidade das experiências desejadas: dinheiro, tempo disponível e saúde. Algumas poucas pessoas no mundo têm o privilégio de ter abundância dos três e, assim, ter acesso às melhores experiências e bens de consumo disponíveis no planeta.

Mas se você não é um jovem herdeiro multimilionário talvez tenha que refletir sobre a melhor forma de balancear essa equação.

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Se não tem dinheiro sobrando, o caminho é buscar experiências de baixo custo. Quer um exemplo? Neste fim de semana de Carnaval, as ruas do Brasil estão lotadas de bloquinhos com diversão gratuita.

Para quem tem dinheiro e saúde, talvez o maior desafio seja encontrar tempo. Eu queria muito fazer um intercâmbio e cursar um semestre do meu mestrado no exterior, mas infelizmente meus deveres profissionais não me permitem ter tempo para viver essa experiência.

A maior reflexão, no entanto, talvez seja sobre a questão da saúde. O sonho do brasileiro é uma aposentadoria generosa. Há um desejo de viver tranquilo e poder aproveitar a vida quando, se tudo der certo, tivermos tempo e dinheiro. Mas será que teremos pernas fortes para aguentar subir as ladeiras das ilhas gregas com 80 anos?

A conclusão é que, com tantas variáveis, o melhor a fazer é ser um pouco formiga e um pouco cigarra, ao mesmo tempo. Ter clareza de propósito de vida, responsabilidade e fazer um planejamento financeiro tanto para poupar quanto para gastar.

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Desde a estreia do Seu Dinheiro, em 2018, buscamos atender as “formigas”, com conteúdos sobre economia, finanças e negócios para ajudá-las a fazer render mais o seu suado dinheiro com bons investimentos.

Para atender as “cigarras”, ampliamos a nossa cobertura para contemplar também artigos sobre gastronomia, viagens, consumo e outras experiências que o dinheiro pode comprar. As reportagens estão disponíveis na nossa seção de Lifestyle, que completa um ano neste Carnaval.

Deixo aqui um agradecimento a todos os nossos leitores que nos prestigiam com o acesso. Espero sinceramente que nosso conteúdo possa colaborar com suas decisões financeiras.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Escreva para marina.gazzoni@seudinheiro.com

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Um abraço e ótimo domingo!

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