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Busca por maior produtividade, preocupação com a saúde mental e sósias digitais de funcionários estão entre os temas que devem estar no radar este ano
A inteligência artificial (IA) segue como a grande aposta das empresas para impulsionar a produtividade e gerar crescimento nos resultados. Mas enquanto a animação ronda os CEOs, uma pesquisa realizada pelo Gartner e obtida pelo Harvard Business Review mostra que apenas um em cada 50 investimentos na tecnologia entrega transformação para o negócio e 20% geram algum retorno mensurável.
Ainda assim, a IA já se tornou parte do cotidiano e as companhias precisam se adaptar aos novos modelos de trabalho e às possíveis ameaças.
Neste cenário, a empresa de pesquisa e consultoria Gartner reuniu nove previsões ligadas à inteligência artificial que devem estar no radar de funcionários, RHs e líderes de empresas em 2026 e nos próximos anos. Confira a seguir:
O ano de 2025 registrou uma onda de cortes de empregos causada pelo uso da inteligência artificial. No entanto, o estudo do Gartner estima que menos de 1% das demissões realizadas no primeiro semestre do ano passado tiveram relação com ganhos de produtividade graças à IA.
A pesquisa explica que muitas empresas estão demitindo pela expectativa de aumento da produtividade e não pelo resultado obtido até agora.
Ou seja, os líderes estão reduzindo o quadro de funcionários esperando avanços da inteligência artificial.
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O problema, segundo o Gartner, é que a maturidade tecnológica atual ainda não permite substituir o trabalho humano. Por isso, em 2026, é esperado que várias empresas tenham que recontratar profissionais para dar conta do volume de demandas.
O levantamento explica que, com o mundo corporativo voltado para o crescimento impulsionado pela inteligência artificial, as empresas têm apresentado culturas mais rígidas em relação a resultados dos funcionários.
Essa cultura consiste em jornadas de trabalho maiores, metas de desempenho mais agressivas e menor flexibilidade para os funcionários — o que pode produzir um efeito negativo na equipe:
Segundo a previsão do Gartner, em 2026, as companhias de destaque devem ser aquelas que são transparentes com a cultura profissional, especialmente em temas como carga horária, metas e modelo de trabalho presencial ou home office.
A inteligência artificial deve gerar efeitos evidentes na saúde dos funcionários e “se tornará um problema urgente no local de trabalho”, segundo o estudo.
No setor de tecnologia, por exemplo, o Gartner mostra que 91% dos Chief Information Officers (CIOs) e líderes de TI afirmam que as empresas dedicam pouco ou nenhum tempo para a análise sobre o uso da IA no comportamento da equipe.
Esse cenário pode gerar custos para as companhias relacionados ao bem-estar, desempenho e produtividade. Os resultados podem ir além, chegando a processos judiciais de funcionários.
Com a pressão por eficiência e resultados, a inteligência artificial se tornou cotidiana entre muitos funcionários para acelerar tarefas. O problema, segundo o Gartner, é o efeito colateral do workslop.
Esse neologismo criado por pesquisadores da Universidade de Stanford se refere a trabalhos feitos rapidamente pela IA, mas que têm baixa qualidade. O estudo indica que os funcionários gastam, em média, duas horas para corrigir as entregas ruins da inteligência artificial, o que derruba a produtividade.
“Essa é uma das principais razões pelas quais muitas organizações continuam enfrentando dificuldades para obter valor financeiro de seus investimentos em IA.”
Para o Gartner, as empresas que adotarem a tecnologia de forma planejada — e não apenas como uma forma de acelerar tarefas sem profundidade — serão as que vão conseguir maior qualidade e bons retornos financeiros.
Procurar emprego e selecionar funcionários para as empresas se tornaram um ciclo vicioso na era da IA:
Segundo o Gartner, esse movimento gera baixa confiança tanto por parte dos empregadores quanto dos funcionários.
O caminho mais efetivo para acelerar processos seletivos sem abrir mão da qualidade é, de acordo com o estudo, combinar estratégias de IA com uma seleção que mantenha o relacionamento humano. Uma forma de fazer isso é não dispensar as dinâmicas presenciais.
Em linha com o uso da IA nos processos seletivos e a popularização do trabalho remoto, o Gartner alerta para a possibilidade de identidades falsas.
Segundo o estudo, 43% dos líderes de segurança da informação dizem já ter se deparado com um deepfake em ligações com funcionários e 37% em chamadas de vídeo. Em alguns casos, pessoas conseguiram empregos remotos como desenvolvedores. Para parecerem legítimos, eles utilizam fotos de perfil geradas por IA, deepfakes durante entrevistas remotas e informações pessoais roubadas.
Em 2026, uma das tendências deve ser fortalecer a segurança cibernética por meio de treinamentos com as equipes e tecnologias para identificar esse tipo de ameaça.
Com medo do desemprego, muitos profissionais com carreiras substituíveis pela IA começam a migrar para profissões manuais qualificadas que, possivelmente, demorarão algum tempo até serem automatizadas.
O problema é que esse movimento deve gerar uma escassez nos cargos digitais.
Segundo o levantamento, as empresas que querem evitar esse êxodo de seus funcionários precisam ser transparentes em relação ao impacto da IA, incentivar as habilidades da equipe e reter os principais talentos.
Enquanto as empresas focam em buscar talentos com habilidades específicas em cada ferramenta de inteligência artificial, as pesquisas do Gartner mostram que a habilidade mais valiosa em 2026 é, na verdade, saber lidar com processos.
Isso porque as ferramentas mudam rapidamente, mas a capacidade de repensar os processos de trabalho é um ponto de destaque mais duradouro.
“As organizações mais bem-sucedidas em 2026 darão prioridade à busca por funcionários cuja criatividade e pensamento sistêmico permitam redesenhar processos inteiros, não apenas otimizar tarefas individuais.”
Pode parecer um episódio da série Black Mirror, mas um dos avanços da inteligência artificial já permite que empresas criem “sósias” digitais de funcionários com alto desempenho para reproduzir as tarefas.
Por outro lado, essa tendência abre espaço para debates sobre direitos de imagem, voz e personalidade dos funcionários.
Segundo pesquisa do Gartner, a popularidade desse tipo de ferramenta ainda deve demorar alguns anos para se consolidar, mas em 2026 o tema já deve começar a rondar as discussões trabalhistas sobre remuneração e limite de acesso a dados.
*Com informações de Harvard Business Review.
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