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BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA e XP recomendam travar boa rentabilidade na renda fixa agora, diante da perspectiva de taxas menores no futuro
Julho chega com um panorama misto para o mercado de renda fixa. Enquanto as tensões geopolíticas internacionais persistem, o Brasil observou um alívio inflacionário em junho, ao mesmo tempo que o Banco Central reforçou uma postura rigorosa na política monetária ao aumentar os juros para 15% ao ano.
Essas duas variáveis ao longo do mês passado impulsionaram movimentos nas curvas de juros que balizam as taxas dos títulos de renda fixa.
Os juros de curto prazo subiram devido à decisão mais dura do BC e os vencimentos mais longos recuaram significativamente, especialmente os prefixados de cinco anos, refletindo as expectativas de uma inflação futura mais controlada.
Segundo o Itaú BBA, essa percepção foi evidenciada pela queda nos prêmios de juro real dos títulos públicos atrelados ao IPCA, com o vencimento de cinco anos recuando mais de 30 pontos-base no mês.
A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a valorização do real em relação ao dólar também contribuíram para o recuo das expectativas de inflação no mês passado, especialmente nos vencimentos de médio e longo prazo.
Para o Itaú BBA, esse movimento nas curvas de juros reforça a importância de manter uma parcela relevante da carteira em títulos pós-fixados, para capturar a Selic elevada enquanto o BC não inicia o afrouxamento monetário.
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No entanto, a perspectiva de uma inflação mais baixa no longo prazo favorece os títulos atrelados ao IPCA, principalmente os com vencimentos a partir de cinco anos, que ainda oferecem taxas reais atrativas, acima de 7% ao ano.
Segundo os analistas, agora é o momento de comprar esses títulos para travar a rentabilidade alta que eles oferecem, diante da perspectiva de taxas menores nas emissões futuras.
A renda fixa de crédito privado continua atrativa, segundo os relatórios do Itaú BBA, BB Investimentos, BTG Pactual e XP.
Analistas apontam que as debêntures incentivadas e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Imobiliário (CRI) seguem negociando com prêmios interessantes, especialmente para emissores de alta qualidade e com bons ratings.
Em julho, os destaques são Isa Energia (anteriormente ISA CTEEP) e o Grupo CPFL, nomes que apareceram nas recomendações de mais de um banco, com argumentações de solidez no setor elétrico brasileiro, com elevada previsibilidade de receita.
O Itaú BBA recomenda a debênture da Isa Energia (ISAEB8), exclusiva para investidores qualificados, com vencimento em março de 2033 e taxa IPCA+6,6%.
No relatório, o banco destaca que a Isa Energia é responsável por transmitir aproximadamente 30% de toda a energia elétrica do Brasil e 94% da energia do estado de São Paulo. Isso garante uma elevada previsibilidade de receita, que se baseia na disponibilidade das linhas de transmissão.
O BB Investimentos também recomenda uma debênture da Isa Energia (TRPLA4), mas aberta para o público geral, com vencimento em outubro de 2033 e taxa de IPCA+6,26%.
O relatório reforça que a empresa possui 35 contratos de concessão, com prazo médio de 22 anos, e um perfil de dívida alongado. Tudo isso combinado com uma forte geração de caixa, mitiga riscos de inadimplência no pagamento da renda fixa.
O BTG Pactual incluiu a debênture da RGE Sul Distribuidora (AESLA9) nas recomendações para julho, com vencimento para maio de 2035 e uma taxa de IPCA+6,7%.
A indicação se baseia no prêmio de crédito atrativo, na alavancagem estável da holding e nos bons indicadores operacionais de qualidade — tudo isso respaldado pela avaliação de crédito consistente da CPFL.
A RGE é uma empresa do grupo CPFL, responsável pela distribuição de energia em grande parte do estado do Rio Grande do Sul.
Já o Itaú BBA foi mais direto e recomendou uma debênture da própria CPFL (PALFA3), com vencimento em outubro de 2033 e taxa IPCA+6,6%.
O banco destaca a empresa como outro grande nome do setor elétrico brasileiro, com presença diversificada em distribuição, geração, transmissão e comercialização, além de liderança em energia renovável e foco em eficiência operacional.
Dentre os títulos públicos, o Tesouro Selic 2028 segue como a principal indicação para investidores em busca de liquidez e proteção contra a volatilidade, além do alto retorno proporcionado pela taxa Selic em patamares elevados.
Tanto o Itaú BBA quanto a XP selecionaram o Tesouro Selic 2028 para a carteira de julho. A XP destaca que o papel é ideal para a reserva de emergência e/ou gestão de caixa.
O título público, para março de 2028, oferece uma rentabilidade de Selic+0,0539%, caso o investidor leve a renda fixa até o vencimento, e está disponível para compra no Tesouro Direto.
Os títulos atrelados à inflação também são destaque, principalmente na carteira da XP.
Os analistas fazem três recomendações: IPCA+ 2028, IPCA+ 2033 e uma NTN-C, com vencimento em 2031 e atrelada ao IGP-M.
O título atrelado ao IGP-M é uma raridade. Trata-se de uma papel que o governo não emite há mais de 20 anos, de modo que sua liquidez no mercado é muito baixa, e ele só é negociado no mercado secundário — entre investidores.
O relatório da XP classifica o ativo como uma diversificação interessante dentro do escopo de títulos de inflação. O IGP-M é o índice de preços utilizado pelo mercado imobiliário.
Os títulos de inflação indicados pela XP, inclusive os IPCA+, não estão disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, sendo necessário investir neles via secundário, diretamente por meio da mesa de operações da corretora. Eles remuneram entre 7,6% e 7,0%.
No segmento de títulos bancários, a única escolha dos bancos foi a Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD), que surge como uma novidade nas recomendações da XP.
A LCD escolhida é de emissão do BNDES, com vencimento em dezembro de 2029 e uma taxa isenta de Imposto de Renda de 91% do CDI — o que equivale a 103,7% do CDI em termos brutos.
A LCD é um novo tipo de título de renda fixa. Lançado no final de 2024, sua emissão é destinada a financiar projetos de desenvolvimento no país e, até o momento, possui isenção de IR.
Além disso, conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investimentos de até R$ 250 mil por CPF por banco emissor.
BTG Pactual
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Debênture Prio (PEJA22) | 15/02/2034 | IPCA + 7,24% | AA+ |
| Debênture Energisa Tocantins (CTNSA3) | 15/05/2035 | IPCA + 7,22% | AAA |
| Debênture Energisa Sul (ESSDA4) | 15/05/2035 | IPCA + 7,22% | AAA |
| Debênture RGE Sul Distribuidora (AESLA9) | 15/05/2035 | IPCA + 7,10% | AAA |
| Debênture Itapoá (ITPO15) | 15/05/2040 | IPCA + 7,33% | AA- |
| Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15) | 15/02/2044 | IPCA+ 8,58% | AAA |
| CRI Pacaembu (25F2573710) | 27/06/2030 | ND | AAA |
| Debênture Arteris (ARTRB7) | 15/05/2035 | ND | AAA |
Itaú BBA
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Debênture CPFL (PALFA3) | 15/10/2033 | IPCA + 6,6% | AAA |
| Debênture Suzano (SUZBA0) | 15/09/2038 | IPCA + 6,4% | AAA |
| Debênture Prio (PEJA11)* | 15/08/2032 | IPCA+7,0% | AAA |
| Debênture Isa Energia (ISAEB8)* | 15/03/2033 | IPCA + 6,6% | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPF3)* | 15/01/2040 | IPCA + 6,4% | AAA |
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,0539% | - |
| Tesouro Prefixado2028 | 01/01/2028 | 13,41% | - |
| Tesouro IPCA+2040 | 15/08/2040 | IPCA + 7,04% | - |
BB Investimentos
| Título | Data de vencimento |
|---|---|
| Debênture Equatorial Goiás (CGOS16)* | 15/03/2036 |
| Debênture Equatorial Goiás (CGOS28)* | 15/09/2036 |
| Debênture Eletrobras (ELET14) | 15/09/2031 |
| Debênture Eneva (ENEV15)* | 15/06/2030 |
| Debênture Isa Energia (TRPLA4) | 15/10/2033 |
| CRA BRF (CRA020002H1)* | 15/07/2030 |
| CRA Boa Safra (CRA02500001)* | 15/01/2030 |
| CRA Klabin (CRA022007EP)* | 15/05/2034 |
| CRA Marfrig (CRA024009Q4) | 16/10/2034 |
| CRA Marfrig (CRA024002ML) | 15/03/2034 |
XP Investimentos
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,0539% | - |
| Tesouro IPCA+ 2028 | 15/08/2028 | IPCA + 7,6% | - |
| Tesouro IPCA+ 2033 | 15/05/2033 | IPCA + 7,0% | - |
| NTN-C 2031 | 01/01/2031 | IGP-M + 6,6% | - |
| Tesouro Prefixado 2027 | 01/07/2027 | 13,34% | - |
| LCD BNDES | 05/12/2029 | 91% do CDI | AAA |
| Debênture Rumo (RUMOA4) | 15/04/2030 | IPCA + 6,9% | AAA |
| CRI Cyrela (25D0012203) | 15/04/2030 | 95% do CDI | AAA |
| Debênture Auren (AURP12) | 15/04/2035 | IPCA + 6,7% | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPE3)* | 15/01/2035 | IPCA + 6,3% | AAA |
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