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O fogo voltou a ser o ingrediente mais valioso da gastronomia global, e está transformando eventos, restaurantes e negócios ao redor do mundo
Durante anos o fogo ficou escondido. A cozinha virou um laboratório, o chef um cientista, e o sabor passou a ser tratado como equação. Mas, agora, o pêndulo voltou. O fogo, esse primeiro ingrediente da humanidade, reassumiu seu papel de protagonista.
Em tempos de tecnologia e aceleração, cozinhar com fogo virou um ato de desaceleração, um retorno à essência. Por outro lado, virou também um dos movimentos mais sofisticados e rentáveis da gastronomia mundial.

O Chefs on Fire nasceu há oito anos em Portugal. A ideia veio do publicitário e produtor Gonçalo Castel-Branco, que transformou uma “brincadeira entre amigos” em um dos festivais gastronômicos mais desejados da Europa.
Atualmente, o evento conta com duas edições anuais e alguns pop-ups. A principal acontece em Cascais, no Parque Marechal Carmona, rodeado de natureza e com uma praia privada, o cenário perfeito para uma experiência descontraída e sofisticada ao mesmo tempo.

Em Madrid, o festival ocupa o Real Jardim Botânico, um dos espaços mais bonitos da capital espanhola, onde o público circula entre fogueiras, música e copos de vinho. Já no Algarve, por exemplo, os chefs cozinharam em plena marina, com o Atlântico refletindo as chamas. E em Foz Côa, o fogo se misturou à paisagem de vinhedos, cercado por gravuras rupestres da região, num diálogo ocasional entre passado e presente.
O conceito é simples e poderoso: alta gastronomia feita apenas com fogo. Nenhum forno elétrico, nenhum atalho. Só lenha, carvão, ferro e técnica.
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“É o fogo que nos iguala”, costuma dizer Gonçalo. “O único ingrediente que todos os chefs compartilham.”
Depois de incendiar Portugal e Espanha, o sonho agora é global: o Chefs on Fire quer chegar a novas cidades. Brasil e México já estão no radar.
O fogo também ferve no Brasil. A Churrascada, nascida como encontro entre amigos assadores, virou uma marca milionária. Cresceu, profissionalizou-se e foi vendida recentemente para um novo grupo de investidores. É um evento mais popular, festivo e carnívoro, enquanto o Chefs on Fire se mantém no território da alta gastronomia e da experiência sensorial.

Fora daqui, há lugares onde o fogo nunca saiu de moda. Na Capadócia, por exemplo, as cavernas de pedra foram, há milênios, as primeiras cozinhas naturais. As carnes cozidas sob cinzas e os pães assados nas rochas moldaram inclusive uma culinária que ainda hoje carrega o perfume da lenha.
Na Geórgia, berço de vinhos e tradições milenares, o fogo é parte da alma. Os mtsvadi (espetos de carne) e os pães Shotis puri assados em fornos de barro contam uma história de memória e hospitalidade. Cozinhar com fogo ali, aliás, nunca foi tendência: é cultura.
O movimento das chamas ganhou o mundo e virou tendência. Primitiva, precisa e emocional, mas, ainda assim, tendência.

Em Barcelona, o brasileiro Rafa Panatieri comanda o Brabo. Lá, tudo passa pelas brasas. Usando o fogo como linguagem, Panatieri fala com sotaque catalão e alma brasileira.

Em Estocolmo, Niklas Ekstedt transformou o Ekstedt em símbolo da alta cozinha sem eletricidade. Cada prato nasce, portanto, do encontro entre lenha, fumaça e paciência.
Já em Madrid, Rafa Zafra conduz o Rural como um elogio ao campo e ao calor. Em Valência, os argentinos Carito Lourenço e Germán Carrizo transformam o La Oficina em um laboratório criativo de brasas e emoção.

O argentino Francis Mallmann, claro, é o padrinho espiritual de todos. Poeta das brasas e romântico incurável do fogo, ele quem ensinou o mundo, aliás, que cozinhar nas chamas é um ato de liberdade e expressão.

Naturalmente, portanto, a chama segue acesa na América do Sul. Rodolfo Guzmán, no Boragó, em Santiago, por exemplo, traduz o fogo em natureza e território, unindo ingredientes nativos da Patagônia à técnica ancestral das brasas. No Osso, em Lima, o peruano Renzo Garibaldi mistura açougue, pesquisa e celebração em torno da brasa.

Já em Buenos Aires, por outro lado, o Madre Rojas é o templo moderno do fogo. Lá, o chef Juan Barcos, considerado Master of Meat Science, une rigor técnico e alma parrillera. Estuda desde a genética do wagyu, cortes, temperaturas e tipos de lenha, por exemplo, com precisão quase científica. Para ele, “o fogo é um organismo vivo, e cozinhar é dialogar com ele”.

Em Sydney, do outro lado do mundo, o Firedoor de Lennox Hastie leva a ideia ao extremo: tudo é preparado sobre fogo direto, e o menu muda conforme o tipo de madeira.

Todos, cada um a seu modo, transformam o fogo em assinatura e em símbolo de identidade.
Nenhuma marca representa melhor essa união entre tradição e tecnologia do que a Josper, nascida na Catalunha em 1956. Seus fornos a carvão se tornaram objeto de desejo de chefs profissionais no mundo todo, uma mistura perfeita de engenharia, eficiência e alma mediterrânea.

Este ano, a Josper deu um passo além: lançou sua primeira linha doméstica, levando o fogo profissional para dentro das casas. Assim, em uma jogada de puro lifestyle, firmou uma parceria com a Porsche em Bangkok, integrando seus fornos ao novo edifício residencial da marca alemã.
O resultado é um símbolo do luxo contemporâneo: fogo, design e performance em um mesmo espaço.

Alta gastronomia, paisagens cinematográficas e chefs cozinhando apenas com fogo.
Do churrasco entre amigos a uma marca milionária e internacional.

Um clássico dos festivais de carne e fumaça, com line-up de chefs de peso.
O templo do churrasco texano, onde o fogo é religião e tradição.

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