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Entre favoritos e incertezas, quais as chances reais dos restaurantes brasileiros na seleção do guia que volta ao país este mês?

A cerimônia do Guia Michelin SP & RJ 2025 está chegando, e o clima nos bastidores da gastronomia nacional mistura nervosismo, expectativa e uma dose generosa de déjà vu. Afinal, desde que o guia chegou ao Brasil, em 2015, nenhum restaurante brasileiro conquistou as tão cobiçadas três estrelas. Uma espera que, convenhamos, já dura tempo demais.
A contagem regressiva já começou: a seleção será anunciada no dia 12 de maio, no hotel Rosewood, colocando São Paulo e Rio de Janeiro sob os holofotes da gastronomia mundial. Desde sua estreia no país, a disputa por estrelas se transformou no “Oscar” da alta cozinha brasileira — com todas as alegrias, frustrações e especulações que isso implica.
Mas por trás da ansiedade natural da premiação há uma pergunta incômoda: o que, afinal, o Michelin valoriza? Tempo de estrada? Inovação? Consistência? Ou um pouco de mistério temperado com conservadorismo europeu?
Antes de falarmos de promessas e apostas, é preciso ser direto: o nome mais forte para, enfim, subir ao topo é o D.O.M., de Alex Atala.

Muito antes de o “orgânico” virar tendência, de a fermentação entrar na moda ou de ingredientes amazônicos brilharem em menus parisienses, Atala já estava lá — servindo palmito pupunha no lugar do foie gras e desafiando os padrões da alta gastronomia. Foi ele quem colocou a culinária brasileira no mapa global, e, mais importante ainda, na mesa dos próprios brasileiros.
Com mais de 25 anos de história, o D.O.M. não apenas inspirou uma geração inteira de chefs, como reeducou o paladar do país, elevando o jambu, o tucupi e o baunilha do cerrado ao patamar de iguarias. Atala deu à cozinha brasileira uma identidade própria — e orgulho nacional.
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O D.O.M. mantém duas estrelas desde a chegada do Michelin ao Brasil. É uma casa de excelência técnica, maturidade criativa e consistência rara. Não há tropeços, nem recomeços — há um caminho sólido, coerente e sempre em movimento. Se o Michelin realmente preza por coerência, excelência e relevância cultural, a pergunta não é se o D.O.M. merece a terceira estrela. É: por que ela ainda não veio?

E ele não está sozinho. Outros veteranos, como Alberto Landgraf, do Oteque, e o próprio Claude Troisgros, seguem entregando altíssima qualidade há anos — mas, ao que parece, estacionados numa zona de conforto da avaliação.
Entre os nomes que mais cresceram nos últimos anos, o Lasai, do chef Rafael Costa e Silva, merece destaque absoluto. Hoje com duas estrelas, o restaurante carioca reúne tudo o que o guia costuma valorizar: produção própria, menus sazonais, estética minimalista e sofisticação sem excessos.
Costa e Silva estudou com os grandes — inclusive no espanhol Mugaritz — e voltou ao Brasil para construir um projeto profundamente autoral. Se há alguém que divide o favoritismo com Atala, é ele. Ainda que com menos tempo de estrada, o impacto cultural do Lasai cresce a cada ano.
Mas a trajetória recente do Michelin em outros países deve servir de alerta. Em Portugal, por exemplo — um mercado com paralelos diretos ao brasileiro —, a premiação de 2025 não trouxe nenhum novo três estrelas. Nem sequer um novo duas estrelas. Um sinal claro do conservadorismo crescente do guia, que parece cada vez mais reticente em subir restaurantes ao topo.
Esse comportamento cauteloso parece ser uma tendência global — e deixa no ar a dúvida: o Brasil será vítima do mesmo bloqueio?
Ao mesmo tempo, uma nova geração começa a brilhar. Restaurantes como Metzi, Nelita e Charco trazem frescor, ousadia e estética alinhada com as tendências globais: fermentação, sazonalidade, ambiente descolado.
Mas muitos destes têm menos de três anos de vida. São mais merecedores de uma estrela do que casas com décadas de entrega e impacto cultural? A renovação é necessária, claro. Mas quando se premia o novo e se ignora o estável, o problema não é o mérito — é a clareza do critério.
Um ponto curioso: entre os restaurantes com uma estrela em São Paulo, a grande maioria é de cozinha japonesa. Jun Sakamoto, Kinoshita, Huto, Aze Sushi... O que isso revela?
Primeiro, a excelência técnica da gastronomia japonesa na capital. Segundo, uma possível zona de conforto do guia. Onde estão os brasileiros autorais com uma estrela? Os nordestinos contemporâneos? Os ítalo-paulistas modernos? O Michelin parece ainda preso a um retrato incompleto da nossa diversidade.
O elefante na sala tem nome: incoerência internacional. Em Cingapura, Hong Kong e Bangkok, barracas de street food com pratos a 3 dólares ganharam uma estrela. A ideia é linda: premiar qualidade independentemente de luxo. Mas como conciliar isso com a dificuldade de restaurantes brasileiros — com investimento milionário e equipes de alto nível — subirem para duas ou três estrelas?
Na prática, parece que o Michelin adota pesos diferentes conforme o país. Isso distorce a régua e prejudica os que constroem projetos estruturados, complexos e duradouros.
Enquanto isso, o Michelin segue expandindo sua atuação internacional — mas com restrições geográficas visíveis. Na Turquia, por exemplo, apenas Istambul e Bodrum foram incluídas. No Brasil, a cobertura segue limitada a São Paulo e Rio de Janeiro. Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Brasília? Fora do mapa.
Essa limitação geográfica mina a pluralidade da gastronomia brasileira e reforça um olhar estreito, que não condiz com a real potência do país.
Favorito ao topo:
Forte candidatos a três estrelas:
Possíveis novas estrelas:
Por isso, a cerimônia deste ano expõe o verdadeiro conflito do Michelin no Brasil: o embate entre merecimento histórico e apelo da novidade.
De um lado, chefs com décadas de excelência. Do outro, novas casas com energia fresca e estética Instagramável. Ambos têm seu valor — mas o Michelin ainda não explicou como equilibrar essa balança.
E talvez nem precise. Porque, no fim, o guia também é isso: uma mistura de técnica, narrativa, geopolítica e, sim, um toque de arbitrariedade.
Enquanto isso, seguimos torcendo. Por justiça. Por coerência. Por ousadia. E, quem sabe, por um Brasil finalmente tri-estrelado.
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