Estudo aponta a cidade mais feliz do mundo para turistas; e a campeã é…
Comida saudável, facilidade para andar a pé e áreas verdes são algumas das vantagens oferecidas pelo destino segundo estudo do BookRetreats em parceria com psicóloga instrutora em Harvard

Comer de maneira saudável, caminhar de um ponto a outro e apreciar áreas verdes em meio ao ambiente urbano são algumas das experiências no destino mais feliz do mundo para turistas. Isso segundo um estudo divulgado em setembro pela plataforma americana BookRetreats, focada em destinos de bem-estar, que concedeu este título à cidade de Lisboa.

Em colaboração com Natalie Dattilo-Ryan, psicóloga clínica, instrutora na Harvard Medical School e especialista em felicidade holística, a empresa criou o Holiday Happiness Index (Índice de Felicidade de Férias) para avaliar onde os viajantes têm mais probabilidade de se sentirem mais felizes.
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“A psicologia da viagem está mudando'', diz Sean Kelly, cofundador do BookRetreats. Segundo o empresário, o questionamento hoje não é apenas sobre qual destino escolher, mas está principalmente relacionado ao sentimento que o local irá provocar.
“Nosso Holiday Happiness Index destaca as cidades onde fatores simples como espaços verdes, luz solar, bom sono e cultura gastronômica se unem para dar aos viajantes um verdadeiro aumento no bem-estar”, complementa. O executivo afirma ainda que, conforme mais pessoas colocam a saúde mental e o equilíbrio no centro de suas viagens de férias, a demanda por destinos que cumpram essa promessa só aumentará.
Os responsáveis pelos hormônios da felicidade
O estudo do BookRetreats analisou 47 cidades em todo o mundo, considerando cinco fatores de bem-estar: a luz solar, qualidade do sono, dieta saudável, tempo na natureza e exercício físico. Segundo a pesquisa, esses indicadores estimulam os principais hormônios da felicidade. Dentre eles, a serotonina, a dopamina, as endorfinas e a ocitocina.
A fim de comparar de forma justa os diferentes indicadores, cada um foi submetido a uma escala de 0 a 100, e depois, foi feito o cálculo da média ponderada. Em seguida, o estudo utilizou as pontuações resultantes, que refletem o impacto combinado dos cinco fatores de bem-estar, para classificar os destinos. Aqueles com avaliação próxima de 100 apresentaram o maior potencial de felicidade para os turistas.
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Como os indicadores induzem o bem-estar
“Quando falamos em se sentir bem, estamos falando, na verdade, sobre a liberação de hormônios da felicidade. Esses produtos químicos influenciam tudo, desde o humor e o sono até a energia e a digestão. E muitos dos fatores que os desencadeiam, como luz solar, movimento, alimentação e descanso de qualidade, costumam fazer parte de boas férias, se você escolher o destino certo”, diz a psicóloga clínica e especialista em felicidade holística afiliada a Harvard, Dra. Natalie Dattilo-Ryan .
A luz solar, por exemplo, como aponta a pesquisa, estimula a produção de serotonina, que ajuda a regular o humor, melhorar os padrões de sono e promover sentimento de calma. Este fator natural também auxilia na síntese de vitamina D, importante para a saúde física e mental.

Dieta saudável, intestino também. A pesquisa afirma ainda que o funcionamento intestinal é fundamental para aumentar a serotonina e a dopamina. Alimentação rica em produtos frescos, gorduras saudáveis e fibras contribuem para a saúde do cérebro e o bem-estar emocional.
No caso da exposição a ambientes com natureza, há um aumento da serotonina e endorfina, o que reduz o estresse e promove o relaxamento. Caminhar na natureza também demonstrou aumentar o bem-estar, evocando uma “sensação de admiração”, ou encantamento. Por fim, atividades físicas justamente como a caminhada, estimulam a liberação de endorfina e ajudam a regular a dopamina e a serotonina.
A cena gastronômica de Lisboa
Se a ideia é fazer uma refeição equilibrada, para se sentir bem e turistar à vontade, Lisboa é o destino ideal. A pesquisa do BookRetreats mostra que quase 10% dos restaurantes da capital portuguesa são considerados saudáveis, porcentagem que supera polos gastronômicos globais como Paris, Tóquio e Nova York. De frutos do mar frescos do mercado a tascas tradicionais, comer bem em Lisboa é acessível e barato.
Em outubro de 2024, a cidade foi eleita pela primeira vez como “Melhor Destino Culinário da Europa” no World Culinary Awards, premiação considerada uma das mais prestigiadas do setor e irmã do célebre World Travel Awards.
Além disso, para quem preferir alta gastronomia, restaurantes com estrelas Michelin é o que não falta. A capital portuguesa apresenta 17 estabelecimentos estrelados, segundo o Guia Michelin Portugal 2025.
Entre os destaques está o Belcanto, comandado pelo chef José Avillez e premiado com duas estrelas, que oferece uma cozinha portuguesa contemporânea e criativa. Há ainda o Alma, sob comando do chef Henrique Sá Pessoa, também duplamente estrelado e focado em alta gastronomia moderna portuguesa com influências internacionais. Além disso, o Feitoria, dirigido pelo chef João Rodrigues e detentor de uma estrela, propõe uma fusão de cozinha ibérica com sabores globais e produtos locais.
Durante as caminhadas, belas paisagens lisboetas à luz do sol
A facilidade de caminhar é outro destaque do destino. Segundo o estudo do BookRetreats, a cidade é compacta e fácil de percorrer a pé, com mirantes panorâmicos que fazem valer a pena a exploração a passos lentos.
Embora seu terreno notoriamente acidentado implique em subidas íngremes, principalmente no Bairro Alto e em Alfama, basta utilizar calçados confortáveis para desfrutar do percurso. Como aponta a pesquisa, os turistas podem percorrer as principais atrações da cidade, partindo, por exemplo, da Praça do Comércio até chegar à Torre de Belém, em pouco menos de duas horas.

Quando se trata de contemplar a natureza, mesmo em meio ao espaço urbano, Lisboa oferece 49 m² de área verde por pessoa, quase quatro vezes mais que Madrid, por exemplo. Não é difícil chegar a locais com belas paisagens naturais como as praias da Costa da Caparica, propícias ao surfe, e as areias douradas de Cascais, que ficam a apenas uma hora de trem da cidade.
“Apenas” 2.828 horas de sol por ano completam a experiência de felicidade na capital portuguesa.
Os destinos que completam o top 5
Em 2º lugar como o destino onde os turistas tendem a se sentir mais felizes está Helsinque, na Finlândia. Isso não é exatamente uma surpresa ao observar que o país foi eleito por oito anos consecutivos como o mais feliz do mundo pelo World Happiness Report de 2025, da ONU em parceria com o Gallup e a Universidade de Oxford. Em sua capital, é possível encontrar cerca de 126 m² de área verde por pessoa. A cidade teve ainda a melhor pontuação em baixo nível de ruído e poluição luminosa entre todos os destinos.

Na 3ª colocação, está a capital mundial dos parques temáticos. Como aponta a pesquisa, Orlando é uma das cidades mais verdes dos Estados Unidos. La, há 258 m² de área arborizada por pessoa, mais de dez vezes a de Los Angeles e o maior número do nosso índice. Além disso, o destino conta com 2.930 horas de sol por ano.
Atenas, na Grécia, ficou na 4ª posição. A capital grega foi classificada como o destino mais acessível a pé do índice do BookRetreats. Com 2.773 horas de sol por ano, a cidade tem um que incentiva o tempo ao ar livre. A cena gastronômica também contribui para a experiência de bem-estar uma vez que quase 10% dos restaurantes servem opções de comida saudável, segundo o estudo.
Por fim, Edimburgo, na Escócia, completa o grupo na 5ª colocação. Com 144 parques e áreas verdes que cobrem quase metade de sua área total, Edimburgo está entre as cidades mais verdes do Reino Unido. O estudo indica também que uma caminhada de 79 minutos conecta muitas de suas principais atrações. Entre elas, as muralhas históricas do Castelo de Edimburgo e o Museu Nacional da Escócia.
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