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O desejo de experimentar e proteger os oceanos, bem como equipamentos mais seguros e confortáveis, têm impulsionado a busca por essas experiências; especialistas indicam pontos ideais para iniciantes e mergulhadores mais experientes

Parece que a nova onda do turismo está, literalmente, em meio aos oceanos. O desejo de experimentar e proteger este ecossistema, como parte da popularização de experiências turísticas sustentáveis, bem como tecnologias mais avançadas no desenvolvimento de equipamentos para conforto e segurança, têm impulsionado o turismo de mergulho.
Isso é o que apontam pesquisas como a Diving Tourism, da Global Industry Analysts , publicada este ano. O relatório prevê que este mercado deve praticamente dobrar até 2030.
De acordo com o estudo, o setor foi avaliado, globalmente, em cerca de US$ 5,3 bilhões em 2024. Além disso, deve atingir US$ 9,6 bilhões até 2030. Isso com uma taxa média de crescimento por ano de 10,6% no período.
O que antes podia estar associado a apenas turistas aventureiros e mais experientes, hoje se torna mais democrático. Ao menos é o que aponta Juanita Ariza, VP de Desenvolvimento de Negócios da TM Americas. A agência é especializada em marketing e representação de turismo para destinos internacionais nos mercados das Américas.
“O perfil do mergulhador moderno mudou expressivamente. A busca por natureza, tranquilidade, bem-estar e conexão com o oceano faz com que destinos com praias isoladas, clima estável e estruturas boutique ganhem protagonismo”, diz a executiva.
“Os viajantes priorizam recifes preservados, certificações ambientais, áreas marinhas protegidas e projetos de restauração de corais ao mesmo tempo em que valorizam a interação autêntica com comunidades locais, gastronomia e história”, acrescenta. Esses elementos, afirma, “enriquecem a viagem e oferecem muito mais do que apenas o mergulho”.
Segundo diretrizes de certificadoras como a Professional Association of Diving Instructors (PADI), e entidades como a Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS), centros de mergulho recreativos, em geral, exigem certos tipos de certificação.
Elas são necessárias para que o turista participe de saídas de barco a determinados pontos e faça o aluguel de cilindro, por exemplo. Ou então, realize mergulhos em dupla sem supervisão direta de instrutor.
Tal documento comprova treinamento mínimo em segurança, planejamento de mergulho sem paradas obrigatórias de descompressão e uso correto do equipamento.
Já para viajantes não certificados, as experiências são as de “discovery dive”, conhecidas em português como “mergulho de batismo”. Neste caso, é necessário estar junto a um instrutor guiando a experiência do início ao fim.
O turista recebe um briefing básico, faz alguns exercícios simples e mergulha sempre com o profissional. Vale destacar que isso não é uma certificação e não habilita a pessoa a mergulhar por conta própria em outras viagens.
Confira, a seguir, cinco destinos pelo mundo, recomendados por especialistas, para entrar de cabeça na tendência. Dentre eles, pontos ideais para iniciantes e mergulhadores mais experientes.
De acordo com Juanita, o país vem expandindo áreas protegidas. Além disso, tem criado polos de ecoturismo e atraído viajantes que buscam biodiversidade sem saturação turística. Nesse sentido, o grande destaque é a ilha de Sipadan, que figura entre os melhores destinos de mergulho do mundo.
Um dos seus diferenciais, inclusive, é a limitação diária rigorosa de visitantes, bem como recifes verticais intactos.
A ilha se tornou gradualmente uma área protegida. Foi declarada santuário de aves em 1933, reserva de ovos de tartaruga em 1964 e área protegida em 1997. Já em 2004–2009, tonrou-se parque marinho formal com mais de 16.800 hectares de mar e recifes sob proteção legal e fiscalização do órgão Sabah Parks.

Uma curiosidade é que todos os resorts da ilha foram removidos em 2005. Hoje, não é permitido pernoitar em Sipadan, o que reduzi o impacto direto do turismo costeiro sobre o recife. Por isso, os visitantes se hospedam em ilhas e vilas próximas, como Mabul, Kapalai e a região de Semporna.
A visita ao país, no entanto, não é interessante apenas pela vida marinha, afirma Juanita. Também é atrativa pela cultura de Bornéu (“ilha-mãe”, onde está o estado malaio de Sabah, que tem Sipadan situada ao largo de sua costa), vilas tradicionais e um forte compromisso ambiental.
“Esse combo natureza + cultura + sustentabilidade, tem se tornado decisivo para os brasileiros que buscam viagens mais significativas e transformadoras”, afirma.
Por fim, em relação ao perfil de viajante, a especialista ressalta que o destino atrai mergulhadores mais avançados e aventureiros. Eles, geralmente, estão em busca dos recifes imaculados, grandes cardumes e megafauna.
O destino localizado no Oceano Pacífico a cerca de mil quilômetros da costa da América do Sul, não poderia ficar de fora. Isso porque, segundo André Valentim, mergulhador há 40 anos e fundador da AV DIVE Marketing, especializada em turismo de mergulho, “talvez seja o melhor de todos os points no planeta” para a experiência.
O arquipélago é um dos poucos lugares do mundo onde é comum ver, no mesmo mergulho, grandes cardumes de tubarões‑martelo e outras espécies grandes. Por exemplo, tubarões de recife, raias, tartarugas e leões‑marinhos.
Outro diferencial marcante é a presença de espécies endêmicas e encontros quase impossíveis em outros lugares. Dentre eles, iguanas-marinhas (únicos lagartos marinhos do mundo) e pinguins vivendo em águas tropicais, que podem aparecer nos mergulhos em algumas ilhas.
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Galápagos está na confluência de várias correntes oceânicas (como Humboldt, Cromwell e do Panamá), o que traz temperaturas frias e quentes, e favorece a presença de nutrientes. Essa mistura de massas de água, é o que torna tudo possível, segundo a Fundação Charles Darwin. A organização científica e de conservação sem fins lucrativos tem o objetivo de apoiar a pesquisa e a proteção do arquipélago.
Esta mescla é a base ecológica que sustenta as grandes populações de tubarões, cardumes densos e a alta produtividade (de muita matéria orgânica) do ecossistema marinho local.
Todavia, as mesmas correntes que alimentam o sistema também tornam o mergulho mais desafiador, o que o faz mais indicado para mergulhadores experientes. “Galápagos, segue no destaque de preferência internacional de quem pratica modalidade”, diz Erik Cabral, especialista em turismo e CEO da agência Viagem com Estilo.
O arquipélago fica na região da Micronésia, a leste das Filipinas e ao norte da Papua-Nova Guiné, em uma grande região marinha, conhecida como Triângulo de Coral. Essa é uma das zonas com maior biodiversidade no planeta, de acordo com André Valentim.
Além disso, reúne “as melhores condições de visibilidade e temperatura de águas para a prática do mergulho recreativo”, diz o mergulhador. Com água clara (muitas vezes a cerca de 30 metros de distância da superfície), o mergulhador enxerga o guia, o grupo e o fundo com facilidade. Assim, diminui a ansiedade e a sensação de “estar perdido” na imensidão.

Já em relação à temperatura da água, o portal especializado na prática Brasil Mergulho, afirma que o destino tem água morna o ano inteiro. Desse modo, a experiência torna-se mais confortável.
O veículo cita ainda que Palau guarda uma série de destroços de navios japoneses e aviões da Segunda Guerra Mundial, afundados em ataques norte‑americanos no Pacífico, acessíveis em profundidades recreativas.
Além de ser um paraíso debaixo d’água, André destaca como interessante o “intervalo de superfície”, que, nos termos do universo de mergulho, remete a o que o destino oferece para ver e viver fora d’água.
O local traz a rica cultura da Micronésia, com vilarejos, tradições palauanas — como danças cerimoniais, storyboards que narram mitos locais e artesanato ancestral — e arte tradicional, incluindo as bai houses.
Segundo o Belau National Museum, de Palau, elas são casas de reunião comunitária que funcionam como centros sociais e cerimoniais.
Tudo compõe uma identidade própria bem-marcada, distante do padrão de “resort genérico de praia”.
Para os próximos anos, na visão de Juanita Ariza, regiões com forte compromisso ambiental e recifes preservados tendem a ganhar ainda mais visibilidade.
“Nesse cenário, as Bahamas não são uma novidade. Pelo contrário, já são uma tradição entre mergulhadores”, diz. O destino é reconhecido por mergulhos com tubarões (de espécies como de-recife-do-Caribe, martelos e tigres) e pelas águas com mais de 30 metros de visibilidade, afirma.

Segundo a executiva, o interesse pelas Bahamas se explica por fatores como “biodiversidade extraordinária”, estrutura consolidada, políticas de conservação e tendência de bucket list diving. Isto é, mais mergulhadores viajando especificamente para riscar destinos ou experiências emblemáticas da “lista de sonhos”.
“O país vem investindo em experiências sustentáveis, centros certificados e ampliando sua conectividade via Estados Unidos e Panamá, tornando-se cada vez mais competitivo”, acrescenta.
Segundo Juliana, as Bahamas apostam ainda em programas de conservação de tubarões e recifes, além de experiências wellness que enfatizam a conexão com o mar.
Um deles é o programa Bahamas Yoga + Freediving Retreat, que combina, prática diária de ioga, sessões de meditação, e mergulho livre no Dean’s Blue Hole (o famoso blue hole profundo nas Bahamas), passeios de barco com foco ecológico e piqueniques em praias isoladas.
Já hotéis de alto padrão como o Ocean Club, A Four Seasons Resort; Baha Mar, e Kamalame Cay contam com spas abertos para o mar, e trazem em sua proposta tratamentos inspirados no oceano, com uso de ingredientes marinhos.
Em relação ao perfil do viajante, ela afirma que as Bahamas são ideais tanto para iniciantes quanto para fotógrafos subaquáticos, devido à “visibilidade excepcional” da água e à presença constante de fauna caribenha emblemática, como tubarões e arraias.
Assim é conhecido o destino brasileiro, de acordo com André. “Na minha opinião é um dos melhores destinos do mundo. Se olhamos a diversidade de tipos de mergulho, acessibilidade e o fato de se poder mergulhar em alto nível o ano inteiro, isso sem falar da parte de superfície que é simplesmente deslumbrante”, define o mergulhador.
Em 2001, o arquipélago de Fernando de Noronha, junto com o Atol das Rocas, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.
O destino é atrativo para mergulho em vista de suas águas muito claras, vida marinha abundante (com tartarugas, golfinhos e tubarões) e forte proteção ambiental em um parque marinho de alta relevância ecológica.
Como indica o site oficial da Administração de Fernando de Noronha, a temperatura média da água é em torno de 26 a 28 °C, o que favorece mergulhos confortáveis.

O destino apresenta dezenas de pontos de mergulho, rasos e profundos, incluindo paredões, grutas, cavernas e naufrágios (como o caso do Navio do Porto, antiga corveta da Marinha do Brasil que naufragou próximo ao Porto de Santo Antônio). Assim, atendem desde iniciantes até mergulhadores profissionais.
Outro destaque é a conservação da natureza. Mais de 70% do território de Noronha é Parque Nacional Marinho e área de proteção ambiental, administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, com objetivo de preservar ecossistemas marinhos e controlar o turismo.
Há também limite de visitantes e normas rígidas de operação de mergulho que preveem apenas operadoras credenciadas, acompanhamento de guia, e regras de conduta em áreas sensíveis. Além disso, são proibidas quaisquer práticas que prejudiquem os recifes e a fauna.
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