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Jogos Olímpicos de Inverno, hotéis históricos renovados e experiências que vão além do esqui prometem marcar a temporada

A temporada de inverno 2025/2026 chega movimentada nos Alpes. A proximidade dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Cortina d’Ampezzo, acabou acelerando investimentos antigos, entre eles a renovação do Grace La Margna, em St. Moritz, e a estreia do Rosewood Courchevel Le Jardin Alpin. E vale lembrar: estamos falando de um público que não perdoa deslizes, dentro e fora das pistas.
“Ele busca praticidade total: um hotel ski in/out que ofereça aluguel de equipamentos novos e de marca, gôndolas cobertas e, para quem viaja em família, um ótimo kids club, serviço de babá e festas para adolescentes”, conta Akemi Yamashita, CEO da Kangaroo Tours.

“Os resorts de ver e ser visto continuarão em evidência, com destaque para Courchevel, que deve manter seu status de destino de luxo. Mas a combinação de hotéis cinco estrelas, eventos après-ski e gastronomia estrelada segue atraindo um público jovem e de alto poder aquisitivo, especialmente os herdeiros, presença marcada tanto nas pistas quanto nos lounges depois do esqui”, completa.
De acordo com ela, no caso do público brasileiro, a prioridade segue sendo o aperfeiçoamento técnico. “Muitos viajam para esquiar duas ou três vezes por ano, e, por isso, buscam destinos com garantia de neve, seja natural ou artificial”.

A seguir, o que muda, o que abre e o que deve pautar a temporada de esqui 2025/2026 na Europa.
No Courchevel 1850, onde as estrelas Michelin se acumulam, a grande estreia é o Rosewood Courchevel Le Jardin Alpin, previsto ainda para este ano. Serão 51 quartos e suítes projetados por Tristan Auer, além de três casas exclusivas voltadas para famílias e grupos.
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A maior delas, o Apartamento Jardin Alpin, por exemplo, tem quatro quartos, pé-direito alto, elevador privativo, coleção de arte, terraços com vista para La Saulire e até sala de cinema. A programação do hotel dispõe, inclusive, de jantares privados em chalés no alto da montanha, alguns com fogos de artifício, e a First and Last Track, que permite abrir ou fechar as pistas ao lado de instrutores particulares. O spa promete crioterapia, reiki e banhos restaurativos.
A estação também ganha um novo sistema de gôndolas no lugar da histórica Chenus. O modelo mais rápido, alimentado por energia solar, por exemplo, reduz o tempo de subida e melhora o fluxo. “Para quem não está acostumado ao frio, uma gôndola coberta muda completamente a experiência. O esquiador chega ao topo bem mais relaxado”, diz Yamashita.
St. Moritz ganhou uma nova versão do clássico Grace La Margna em 2024, mas que segue no radar dos viajantes. Depois de uma renovação que ultrapassou 90 milhões de francos suíços, o hotel reabriu como o primeiro Luxury Lifestyle & Boutique Hotel da região. Funciona agora em duas alas: a La Margna Wing, que preserva o Art Nouveau de 1906, e a Grace Wing, com janelas imensas voltadas para as montanhas.

A novidade do Badrutt’s Palace, na região desde 1896, é nova Serlas Wing, onde ficam 25 novas suítes e uma piscina de frente para o jardim, após reforma de 70 milhões de francos suíços que rendeu ao hotel o título de Hotel do Ano 2026 pelo Gault Millau. Para completar, o spa segue investindo alto, inclusive em um tratamento facial com caviar verde e pérolas de Okinawa

Faltando poucos meses para os Jogos de Milano Cortina 2026, Cortina d’Ampezzo chega com tudo. "Os resorts da Itália já estão em alta devido à expectativa para os Jogos Olímpicos de 2026", conta Akemi.

A transformação mais aguardada é a do histórico Hotel Cristallo, que ressurge como Mandarin Oriental Cristallo, em Cortina, o primeiro resort alpino da marca asiática. O projeto, com nova ala assinada pelos arquitetos Herzog & de Meuron, preserva o charme de 1901 enquanto adiciona 83 quartos e suítes, muitos com vista para as Dolomitas. O complexo estreia nesta temporada com spa completo, piscinas interna e externa, restaurantes estrelados e acesso direto às pistas.
Outra reabertura que deve agitar a cena, aliás, é a do Hotel Ancora, agora sob comando de Renzo Rosso, do grupo OTB, da Diesel, Marni e Maison Margiela. A expectativa é que o endereço vire ponto de encontro da temporada, misturando moda, gastronomia e uma atmosfera alinhada ao ritmo olímpico.

Akemi destaca ainda Breuil-Cervinia, no Vale de Aosta, aos pés do Monte Cervino. “Tem hotéis excelentes, pistas amplas e altitude privilegiada”, diz a CEO da Kangaroo Tours, citando ainda o charme de cruzar a fronteira esquiando até Zermatt, do lado suíço.
Entre os aventureiros, o heli-skiing é a bola da vez. A prática usa helicópteros para levar esquiadores aos cumes das montanhas, permitindo descer em pistas de neve virgem, portanto sem obstáculos de teleféricos. Como pousos em áreas off-piste são proibidos na França, criou-se um novo trajeto que parte de Courchevel, cruza a fronteira e só então aterrissa em Valgrisenche, na Itália.

No campo do bem-estar, o foco mudou de “relaxar” para “recuperar”. Akemi cita o healing travel, conceito que tem tudo a ver com as montanhas. Em St. Moritz, o Suvretta House é a novidade mais comentada, com um centro dedicado à regeneração muscular, oxigenoterapia hiperbárica e crioterapia a −110 °C. “A Suíça realmente lidera essa área”, diz Yamashita.

E a montanha, é claro, também é passarela. As coleções de inverno 2025/2026 mostram marcas como Louis Vuitton, por exemplo, investindo em pop-ups em Courchevel com sua linha LV Ski. Os equipamentos também são ultra exclusivos, como o modelo OroNero da Foil Skis, produzido com carvalho de 8.000 anos e detalhes em ouro 14k.

Uma mudança bem visível no jeito de viajar do público de alto padrão é que a neve deixou de ser o único destino. De acordo com Yamashita, está cada vez mais comum “combinar o esqui com outros tipos de turismo na mesma jornada”. A ideia, portanto, é aproveitar melhor o deslocamento e atender grupos com interesses diferentes.
Quando parte da família quer praia e a outra prefere a montanha, a saída é montar um roteiro que junte um pouco de cada. Akemi conta que muitos viajantes equilibram a agenda dividindo a temporada entre um hotel de praia no hemisfério sul, por exemplo, e um de esqui no norte. Entre as combinações que mais crescem, de acordo com ela, estão a união dos Alpes com destinos históricos no Oriente Médio, especialmente desertos e o litoral do Mar Vermelho, onde a hotelaria, aliás, “já rivaliza, e em alguns casos supera, as Maldivas”.
Para quem chega por Milão ou Zurique, aproveitar a proximidade com centros urbanos é boa pedida. Com a ascensão de resorts italianos como Cervinia, o esqui se integra com facilidade a dias de compras e gastronomia na capital da Lombardia ou a visitas a castelos na Toscana. Já na Áustria, Akemi recomenda estender o roteiro com paradas dedicadas à arte e ópera em cidades como Viena e Praga.

Há quem busque silêncio. Para esse perfil, inclusive, o mapa se abre para destinos menos óbvios, como o Butão. Segundo Akemi, o país oferece “uma experiência particularmente especial no inverno, com céu azul, clima seco e poucos turistas”.
Quanto aos melhores períodos para viajar, dezembro é a pedida para quem busca pistas mais tranquilas e aquela atmosfera fresca de abertura da temporada, com destaque para St. Moritz. Março, por outro lado, é o queridinho de quem aprecia dias longos, sol constante e a neve firn, ideal para esquiar pela manhã.
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