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Microapartamentos, imóvel por assinatura, comunidades e ‘repúblicas’ — brasileiros topam novos modelos de moradia, mas com uma condição

Pesquisa do QuintoAndar mostra que a possibilidade de reduzir o custo de vida é atraente nos novos modelos, mas falta de privacidade pesa contra as opções compartilhadas

Microapartamentos, imóvel por assinatura, comunidades e ‘repúblicas’ — as novas moradias no Brasil. Imagem: Diego Pontes/ Pexels

Tiny house, flex living, cohousing e coliving. Palavras em inglês para denominar novos modelos de moradia que surgem mundo afora e começam a ganhar volume aqui no Brasil. Em português, estamos falando de microapartamentos, imóveis por assinatura, comunidades com casas individuais, mas espaços compartilhados, e a boa e velha “república” — com quartos individuais e compartilhamento de áreas comuns.

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Uma pesquisa do QuintoAndar, em parceria com a Ipsos-Ipec, mostrou que os brasileiros estão dispostos a experimentar essas novas formas de morar. O levantamento ouviu 2.485 pessoas, das classes A, B e C, nas cinco regiões do país (com destaque para cidades de grande densidade populacional, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba).

Sete em cada dez (69%) respondentes afirmaram que “se imaginam” ou “talvez morassem” em uma tiny house. Enquanto apenas 17% descartaram completamente essa possibilidade.

Tiny houses são construções pequenas, com área útil de até 37 metros quadrados e uso de móveis planejados e multifuncionais para otimizar o espaço.

Entre os que cogitam essa possibilidade, o principal motivo (36%) foi a possibilidade de “reduzir o custo de vida”. Na sequência (34%) aparece “ter um estilo de vida mais simples, sustentável ou minimalista”.

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Já entre os que rejeitam completamente as pequenas moradias, 84% alegaram que precisam de mais espaço e não se adaptariam ao modelo. Uma parcela significativa (42%) também declinou a opção por falta de privacidade.

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Outra alternativa de moradia que teve grande adesão (60%) entre os entrevistados do QuintoAndar foram as moradias por assinatura — ou flex living.

Nesta opção, os usuários alugam a moradia por curtos períodos: dias, semanas ou meses. Os imóveis já são mobiliados e têm modelos flexíveis de aluguel, para evitar burocracia. A opção “por assinatura” pode ser encontrada em redes especializadas, que trabalham com imóveis em diferentes localidades neste modelo.

Pelo menos seis em cada dez entrevistados afirmaram que morariam ou talvez morariam em flex livings. Dois em cada dez descartaram completamente a possibilidade.

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Como no caso das tiny houses, a principal motivação (34%) para adesão foi a redução do custo de vida. Entretanto, no caso das moradias por assinatura, um volume expressivo (27%) afirmou que considera a possibilidade por “curiosidade”, pela vontade de “conhecer algo novo”.

Para os que não aceitam a ideia, 47% alegaram “desconforto com as regras” e 37% afirmaram precisar de mais espaço ou dificuldade com adaptação.

Condição inegociável em uma moradia

Mas nem todas as novas alternativas de moradia encontraram tração entre os brasileiros. A pesquisa do QuintoAndar verificou que existe uma condição inegociável por aqui: privacidade.

As opções de cohousing e coliving não encontraram tantos adeptos quanto as alternativas anteriores. Em ambos os casos, o motivo predominante foi o mesmo: mais de 80% alegaram falta de privacidade.

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Cohousings são comunidades de casas privadas, que compartilham espaços como jardins, áreas de jantar, de atividade física, entre outras. Se fala em estilo de vida comunitário, em que os usuários tomam decisões conjuntas para o ambiente colaborativo.

Na pesquisa, 56% dos entrevistados afirmaram que “se imaginam” ou “talvez morassem” em comunidades de moradia. Entretanto, 38% rejeitaram completamente a ideia.

Para os possíveis adeptos, os principais motivos foram assinalados quase de forma igual:

  • 26% - Reduzir o custo de vida;
  • 25% - Mais convivência e apoio dos vizinhos e amigos
  • 24% - Acesso a espaços ou serviços que não teria em uma moradia convencional.

No caso do coliving, a ideia de casa individual é completamente abolida. O que se tem são quartos individuais — com ou sem banheiros privativos — e todas as áreas comuns compartilhadas: cozinha, lavanderia, sala de estar e de jantar. São modelos de moradia comuns para estudantes: as famosas “repúblicas”.

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Este foi o modelo mais rejeitado na pesquisa: 55% dos respondentes afirmaram que descartam totalmente a possibilidade, enquanto 31% cogitaram de alguma forma.

Embora sejam modelos entendidos como destinados para a população mais jovem, Thiago Reis, diretor de comunicação e dados do QuintoAndar, acredita que as cohousings e o colivings devem ganhar mais adeptos entre a população mais velha ao longo dos próximos anos.

Para esse público, a possibilidade de nutrir uma comunidade é relevante, e a menor privacidade se torna um fator de segurança, não apenas um incômodo.

Novas formas de morar — e viver

Para Marcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec, em todo o mundo a moradia é entendida como o lugar de conforto e segurança, por isso, critérios como privacidade e espaço são inegociáveis.

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“Vivemos em um mundo muito caótico. Para muitas pessoas, a sua casa é o seu sossego. O ambiente em que você se conecta consigo mesmo e quer ter o seu momento. A privacidade e o espaço individual são importantes para isso”, afirma Cavallari.

Entretanto, a adesão pelas pequenas moradias a diretora entende como um ponto de partida para a casa própria relevante para pessoas mais jovens. Em tese, os preços são mais acessíveis e viáveis para esse público.

A pesquisa aponta que a geração que mais tem a intenção de comprar um imóvel (50%) nos próximos anos é a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). E não é para usar como investimento, para morar mesmo.

Os principais motivos para compra, são:

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  • 31% - Ter um imóvel melhor do que o que moro atualmente;
  • 28% - Realizar um sonho;
  • 28% - Ter a garantia de um imóvel próprio

“Ter um imóvel próprio não é um sonho que se abandona com o tempo. Pelo contrário, fica latente. As pessoas pensam: ‘hoje está difícil, mas posso conseguir no futuro’. É um sonho que se pode construir e planejar”, diz a diretora da Ipsos-Ipec.

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