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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

REAÇÃO AO BALANÇO

O Magalu (MGLU3) não comprará a briga do Mercado Livre. Fred Trajano está focado no ecossistema da empresa — e até picuinhas de Trump podem ajudar

A companhia divulgou os resultados do segundo trimestre ontem (7), com queda nas vendas no marketplace dada a estratégia de não competir com Meli e outros em produtos baratos; ações abriram o dia em queda

Bia Azevedo
Bia Azevedo
8 de agosto de 2025
11:20 - atualizado às 22:20
Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza (MGLU3)
Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza (MGLU3). - Imagem: Reprodução/Facebook/Montagem Seu Dinheiro

O Magazine Luiza (MGLU3) não está disposto a ‘comprar a briga’ que o Mercado Livre (MELI34) vem travando no Brasil contra o avanço da Shopee, com ampliação do frete grátis e outras promoções agressivas de preços.

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De acordo com Frederico Trajano, CEO da varejista brasileira, esse é o motivo por trás da retração nas vendas do marketplace (3P) nos resultados do segundo trimestre de 2025, divulgados na noite da quinta-feira (7). Essa linha do balanço apresentou uma queda de 6,4% no período, com uma fatia de R$ 4 bilhões no total de R$ 15,3 bilhões das vendas totais.

“Foi uma decisão tática nossa de não entrar em competição em categorias de tickets menores. Não vendemos produtos com margem de contribuição negativa. Diferente de outros negócios, o Magalu tem três motores de vendas: o marketplace, o e-commerce [1p] e as lojas físicas. Quando um está mais esburacado, o outro compensa”, afirmou Trajano durante a teleconferência de resultados, nesta sexta-feira (8).

Cabe lembrar que o Magazine Luiza tem sido rigoroso ao seguir uma estratégia que prioriza rentabilidade acima do crescimento das vendas, como forma de proteger o negócio do cenário macroeconômico, com a Selic a 15% ao ano.

"Não vamos entrar em uma guerra de preços que gere contribuição negativa. No nosso modelo, não faz sentido adotar esse tipo de estratégia nem pensando no longo prazo. É preciso manter a disciplina. Buscamos conversão, sim, mas desde que venha acompanhada de margem de contribuição positiva”, disse o CEO.

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As ações MGLU3 abriram o dia entre as maiores quedas do Ibovespa, com perdas de 2,70%. Você pode conferir detalhes sobre os resultados nesta reportagem.

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O ecossistema Magalu e como até as picuinhas de Trump podem ajudar

Outra frente da empresa para se tornar “à prova de juros” é o ecossistema Magalu, para a diversificação dos negócios da varejista, que passa a oferecer serviços também. É o caso do LuizaCred, MagaluCloud e MagaluLog. Os resultados dessas áreas você confere abaixo.

Segundo o CEO do Magalu, isso é o que vem protegendo os resultados. “No passado, estaríamos sentindo muito mais a Selic a 15% do que agora”, destacou Trajano.

Ele enfatizou os resultados dessas linhas do negócio no segundo trimestre, com ênfase no MagaluBank e destaque para o LuizaCred, que reportou um lucro líquido de R$ 102 milhões no trimestre, com rentabilidade (ROE) anualizada de 19,5%, impulsionada por uma melhora nos indicadores de inadimplência ano a ano. 

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Você também pode conferir mais detalhes nesta reportagem.

O CEO do Magazine Luiza destacou ainda os resultados do MagaluCloud, que pode se beneficiar com as disputas geopolíticas no mundo, intensificadas desde que o presidente Donald Trump retornou à Casa Branca, em janeiro.

“Com toda essa questão geopolítica, muito se fala em tarifas, mas existe um aspecto de soberania que é ainda mais crucial: o controle dos dados. Um país que não controla seus dados não controla o próprio futuro. Existe uma preocupação crescente com a soberania de dados — e o Magalu está bem posicionado para capturar esse movimento”, afirmou Trajano.

Ele disse ainda que outros países estão caminhando nesse sentido e que esse braço do negócio pode sair ganhando tanto com clientes públicos como privados. “Os mesmos riscos que o Estado corre, as empresas correm também”, disse.

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A reação ao balanço do Magazine Luiza e o que fazer com as ações

Na visão do JP Morgan, a varejista apresentou tendências operacionais fracas no segundo trimestre de 2025, com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado crescendo 2% na comparação anual — em linha com as expectativas — e o lucro por ação ajustado no ponto de equilíbrio. 

“Em resumo, a receita líquida veio mais fraca do que o esperado, com crescimento abaixo do ideal, enquanto os resultados melhores do que o previsto do LuizaCred e o forte foco em controle de despesas (o destaque do trimestre) sustentaram o leve crescimento do Ebitda”, afirmam os analistas em relatório.

Pelas estimativas do banco, houve queima de caixa de cerca de R$ 180 milhões na base trimestral, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses houve uma geração de aproximadamente R$ 40 milhões.

O JP reiterou a recomendação Underweight para os papéis MGLU3. Isso significa que a expectativa é de que a ação terá um desempenho inferior ao de seu setor ou índice de referência (benchmark).

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Para o Itaú BBA, o Magalu continua mostrando melhora nos resultados operacionais, com nova expansão da margem Ebitda, mas o atual patamar elevado de juros segue pressionando os lucros. 

“Mantemos uma postura cautelosa, com expectativa de desaceleração no crescimento das vendas do varejo no segundo semestre. Acreditamos que o principal ponto a ser monitorado daqui para frente é acompanhar e entender os impactos dos novos investimentos da companhia em lojas físicas e nas categorias 1P [e-commerce] ao longo do segundo semestre”, dizem os analistas.

A recomendação do Itaú BBA para MGLU3 é neutra. 

O BTG Pactual, ao contrário, destacou a melhora da tendência na rentabilidade nos últimos trimestres, apesar da dinâmica fraca de receita no 2T25, com queda na divisão de e-commerce e números tímidos nas operações de lojas físicas. 

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Para o banco, a empresa ainda deve enfrentar pressão graças ao crescimento mais lento das vendas online, como foco em produtos de ticket médio acima de R$ 1 mil, ambiente competitivo agressivo e impacto dos juros elevados no Luizacred. 

A recomendação é de compra das ações, com preço-alvo em R$ 15, uma alta potencial de mais 100%.

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