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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO BALANÇO

O céu escureceu para a Braskem (BRKM5): petroquímica reverte lucro em prejuízo, queima caixa e alavancagem vai de mal a pior no 2T25

No segundo trimestre, a petroquímica amargou um prejuízo líquido de R$ 267 milhões, revertendo o lucro de R$ 698 milhões do 1T25. Qual a visão dos analistas sobre o balanço?

Camille Lima
Camille Lima
7 de agosto de 2025
9:28 - atualizado às 10:25
Braskem
Imagem: Divulgação/LinkedIn

O céu escureceu ainda mais para a Braskem (BRKM5). Na madrugada desta quinta-feira (7), a petroquímica entregou mais um resultado trimestral abaixo das expectativas, que já eram baixas, com direito à piora na alavancagem, queima de caixa e prejuízo.

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No segundo trimestre, a companhia amargou um prejuízo líquido de R$ 267 milhões, revertendo o lucro de R$ 698 milhões do trimestre anterior. No entanto, se comparado com o mesmo período do ano passado, houve uma melhora de 93%. 

A Braskem atribui as perdas ao menor resultado com derivativos e variações cambiais líquidas, além do impacto da demanda global, que foi prejudicada pelas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e pela incerteza sobre tarifas.

“Essas condições impactaram os fluxos comerciais globais e afetaram as referências de preço no mercado internacional”, escreveu a companhia, em nota no balanço.

Outro ponto que pesou foi o aumento nos custos dos produtos vendidos, especialmente com matérias-primas compradas a preços mais elevados, o que causou um descompasso entre custo e preço de venda, prejudicando a rentabilidade da empresa no trimestre. 

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No geral, o cenário para os spreads petroquímicos — diferença entre o preço da matéria-prima e o preço dos produtos derivados — foi misto, mas acabou por contribuir negativamente para os resultados da Braskem. 

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A expectativa dos analistas é que as ações sofram o peso do balanço fraco na B3 nesta sessão, adicionando ainda mais pressão aos investidores.

Logo na abertura da sessão, os papéis BRKM5 chegaram a entrar em leilão, ocupando a liderança da ponta negativa do Ibovespa. Por volta das 10h35, os ativos marcavam queda de 3,29%, cotados a R$ 8,24.

Os papéis já perderam quase metade do valor na bolsa brasileira em um ano, com uma desvalorização acumulada de 49% nos últimos 12 meses.

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Se comparadas às máximas históricas, as ações da petroquímica, que já chegaram a negociar na casa dos R$ 67 em setembro de 2021, hoje operam abaixo do patamar de R$ 9 — uma desvalorização de cerca de 87%.

Outros destaques negativos do balanço da Braskem (BRKM5)

A receita líquida de vendas da Braskem (BRKM5) caiu 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e 6% na comparação anual, a R$ 17,8 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente, indicador usado para mensurar a capacidade de geração de caixa operacional, desabou 68% na base trimestral e 74% frente ao 2T24, para R$ 427 milhões. 

A companhia atribui o desempenho negativo à piora dos spreads nos segmentos Brasil, América do Sul e México, além dos efeitos da parada programada de manutenção no México e do efeito estoque nos segmentos.

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O aumento da alavancagem também foi um ponto de preocupação no trimestre. A relação entre a dívida líquida ajustada sobre o Ebitda recorrente subiu para 10,6 vezes no 2T25, um aumento de 33% em relação ao 1T25 e de 56% em relação ao 2T24. 

Segundo a Braskem, a piora na alavancagem foi reflexo do aumento da dívida líquida, que cresceu 29% ano contra ano, devido à queima de caixa recorrente no período.

Falando em caixa, a Braskem consumiu cerca de R$ 1,4 bilhão no trimestre, contra uma cifra negativa de R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre e de R$ 74 milhões no mesmo intervalo de 2024.

Apesar da nova rodada de queima de dinheiro no trimestre, a petroquímica afirma que o patamar de caixa, de cerca de US$ 1,7 bilhão em junho, é suficiente para cobrir os vencimentos de dívida nos próximos 30 meses.

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A visão dos analistas para a Braskem (BRKM5) depois do balanço mais fraco que o esperado

No geral, a leitura dos analistas sobre o balanço da Braskem (BRKM5) no segundo trimestre foi negativa.

O Citi, por exemplo, afirmou que, apesar de já esperarem um desempenho inferior, o resultado foi ainda mais fraco do que o esperado.

Segundo os analistas, a performance foi impactada pelo "cenário difícil do mercado petroquímico, principalmente devido à alta concorrência com produtos importados no mercado brasileiro, e pela paralisação da Braskem Idesa”. 

“Já esperávamos um resultado inferior, mas o número mais baixo nos surpreendeu e levou o índice de alavancagem para cerca de 10 vezes, o que gera preocupações entre os investidores”, afirmaram os analistas.

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Apesar disso, o Citi manteve recomendação de compra, com avaliação de alto risco, argumentando que o baixo valuation da Braskem e as expectativas de melhorias operacionais nos próximos trimestres sustentam a tese de investimento.

A XP Investimentos também reconheceu que os resultados ficaram abaixo das expectativas — que já eram baixas —, com destaque para a alavancagem indo “de mal a pior” e para o tombo no Ebitda. 

“Por que tão fraco? É difícil dizer”, escreveu a corretora, em relatório. 

Embora esteja mais conservadora após os resultados mais fracos do segundo trimestre, a XP destaca um lado positivo para a Braskem. 

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“Apesar das perdas de estoque representarem um efeito negativo no resultado, elas não são necessariamente tão ruins do ponto de vista do fluxo de caixa, dado o efeito positivo da redução das necessidades de capital de giro.” 

Além disso, a XP acredita que o terceiro trimestre pode mostrar uma recuperação significativa, caso a redução do estoque se confirme. 

Para os analistas, a possível aprovação do projeto de lei Presiq (Programa Especial para a Sustentabilidade da Indústria Química) seria uma “importante tábua de salvação” para a Braskem e para o setor petroquímico como um todo.

Para o BTG Pactual, o balanço do 2T25 não trouxe margem para alívio para a Braskem (BRKM5).

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“Este trimestre reflete o estado atual da empresa, dependente de spreads que não mostram sinais de melhora, pelo menos não na intensidade que a Braskem precisa”, afirmou o banco. 

Os analistas destacam também os ruídos em torno da petroquímica, tanto sob a ótica das responsabilidades frente ao ocorrido em Alagoas como também de uma possível mudança de controle

“Embora desenvolvimentos regulatórios, como a renovação do REIQ ou tarifas antidumping, possam oferecer uma possível valorização, nenhum deles tem um caminho claro para aprovação. Na ausência de catalisadores de curto prazo e com as responsabilidades em Alagoas ainda não resolvidas, mantemos nossa recomendação neutra”, avaliou o BTG.

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