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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

IN NEW YORK…

JBS (JBSS32) vai investir pesado em expansão e quer se tornar “ação de dividendos”. Para BTG, essa é “oportunidade única”

Empresa mostrou os planos para o futuro no JBS Day na última quarta-feira (25), e BTG gostou do que viu

Bia Azevedo
Bia Azevedo
26 de junho de 2025
12:06 - atualizado às 16:35
JBS (JBSS3)
JBS - Imagem: Divulgação

“Não tem nada que você não possa ser em Nova York”. A música de Alicia Keys parece ser a trilha sonora que encoraja a JBS (JBSS32) depois da mudança para Wall Street. 

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A empresa está otimista com as perspectivas para suas ações e, durante o evento JBS Day, realizado na última quarta-feira (25) em Nova York, compartilhou seus principais planos para o futuro. 

A companhia pretende se consolidar como uma ação focada em dividendos, além de realizar investimentos significativos para expandir suas operações. Isso inclui tanto a melhoria interna das operações quanto a realização de fusões e aquisições estratégicas. 

A empresa dos irmãos Batista também falou sobre as expectativas de as ações passarem a ser negociadas a múltiplos maiores com a mudança para os EUA, dado que agora estão no mesmo ringue que outros gigantes do setor.

Isso amplia o acesso a uma base maior de investidores e aumenta a visibilidade da JBS entre players globais — o que facilita comparações com pares internacionais —, além de melhorar a flexibilidade para utilizar ações como fonte de financiamento, inclusive por meio de eventuais emissões de capital.

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Os planos da JBS

A companhia planeja manter uma distribuição mínima de dividendos de cerca de US$ 1 bilhão por ano — desde que sua relação de alavancagem líquida permaneça dentro de uma "zona de segurança" entre duas e três vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação). Atualmente esse indicador está em duas vezes. 

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Segundo analistas do BTG presentes no evento, isso implica um rendimento anual de 6% em dividendos, com base no valor atual das ações. 

Esse movimento faz parte da estratégia da empresa de se consolidar como uma "ação de dividendos", como destacou o CFO, Guilherme Cavalcanti, durante o encontro de ontem.

Além disso, a JBS  também falou que planeja intensificar ainda mais seu capex (investimentos): com a previsão de investir entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão por ano em despesas de capital orgânicas. Ou seja, investimentos feitos pela empresa em sua própria expansão ou melhoria das operações existentes, sem envolver aquisições de outras empresas. 

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Adicionalmente, outros US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão serão destinados para fusões e aquisições nos próximos cinco anos. A expectativa é crescer de 4% a 6% ao ano nos próximos seis anos. 

A companhia também vislumbra um aumento no Ebitda, especialmente devido ao foco em segmentos de maior margem — como alimentos preparados, além de frango, salmão e ovos. 

Para o futuro próximo, a empresa espera continuar sua trajetória de crescimento com base tanto em estratégias orgânicas quanto inorgânicas, com a expectativa de um retorno sobre capital investido (ROIC) de até 20%. Essa métrica indica a rentabilidade de uma empresa em relação ao capital investido nela.

Outra estimativa da companhia mostra que, em cinco anos, o valor de mercado da JBS poderá atingir entre US$ 75 bilhões a US$ 80 bilhões, em relação ao valor estimado atualmente, que é de US$ 31,5 bilhões.

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As ações estão atualmente sendo negociadas a um múltiplo de 4,8 vezes EV/Ebitda, uma métrica financeira que avalia o valor de uma empresa em relação ao seu lucro operacional. Segundo a companhia, esse múltiplo pode alcançar até 8,4 vezes.

Esse aumento seria impulsionado pela reclassificação de ativos e estratégias de crescimento, como aquisições e expansão da operação.

“Tête-à-tête” com gigantes

Isso porque um dos grandes focos da empresa ao mudar o endereço das ações para NY foi reduzir o desconto de valuation em relação às gigantes do setor e conquistar maior visibilidade entre investidores internacionais.

Agora, a empresa dos irmãos Batista entrou no mesmo ringue que nomes de peso do mercado global. Entre eles estão a Tyson Foods, referência norte-americana em proteínas e alimentos processados, e a PPC (Pilgrim’s Pride Corporation) — que, apesar de competir diretamente, é controlada pela própria JBS.

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Em outras palavras, a JBS é negociada com desconto em relação aos seus pares internacionais. Com a mudança, a expectativa é que as ações se valorizem, em um movimento chamado tecnicamente de re-rating ou reprecificação.

O que fazer com as ações? 

Na visão dos analistas do BTG Pactual, é hora de comprar os papéis, que agora se apoiam na tese de reprecificação, como explicado acima. Essa reavaliação de mercado é vista como um processo de médio prazo, mas com grande potencial de valorização no setor de proteínas.

“Para os investidores, isso significa uma oportunidade única de investir na maior e mais diversificada empresa de alimentos do mundo, com uma trajetória de crescimento sólido e estratégias claras de expansão para os próximos anos”, dizem os analistas em relatório.

Na visão deles, a JBS, construída com base em uma estratégia de fusões e aquisições agressiva, sempre combinando dívida e capital próprio, agora caminha para um novo patamar. 

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Com a entrada nos Estados Unidos, a JBS não só planeja aumentar seu número de aquisições, mas também expandir suas operações a uma escala global ainda maior. 

A introdução de diferentes classes de ações e uma estrutura de capital mais flexível proporcionarão à empresa recursos sem precedentes para atingir esses objetivos.

“Se o futuro de JBS nas bolsas de valores for tão promissor quanto seu passado, o mercado pode esperar grandes conquistas da gigante do setor alimentício nos próximos anos”, afirma o relatório.

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