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Sem surpresas, principais linhas do balanço do bancão vieram em linha com o esperado por analistas, e valor da distribuição extra ficou um pouco abaixo
O Itaú Unibanco (ITUB4) entra nesta temporada de balanços com a grande expectativa, sobre seus ombros, de ser a maior estrela entre os bancões.
O banco é apenas o segundo, entre as maiores instituições financeiras, a divulgar seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2025, que vieram robustos, mas apenas em linha com o esperado pelos analistas do setor.
O Itaú divulgou seus resultados na noite desta quinta-feira (05), apresentando um lucro recorrente gerencial de R$ 10,884 bilhões no 4T24, alta de 15,78% ante o mesmo período de 2023 e apenas levemente acima das projeções dos analistas compiladas pela Bloomberg, de R$ 10,831 bilhões.
Já a rentabilidade medida pelo ROE (Retorno Recorrente Gerencial sobre o Patrimônio Líquido Médio anualizado) foi de 22,1% no trimestre, abaixo dos 23% estimados pelos analistas, segundo a Bloomberg.
No ano de 2024, o lucro do Itaú totalizou R$ 41,403 bilhões, crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior, e o ROE ficou em 22,2%, 1,2 ponto percentual acima dos 21,0% de 2023.
A margem financeira gerencial totalizou R$ 29,388 bilhões no 4T24, alta de 8,31% na comparação anual. Em 2024, está métrica totalizou R$ 112,445 bilhões, crescimento de 8,02% em relação a 2023.
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De acordo com o release de resultados divulgado ao mercado, a performance do banco se deve ao crescimento de 15,5% da carteira de crédito expandida em 2024, principal fator do crescimento de 7,1% da margem de clientes.
"Ao mesmo tempo os indicadores de qualidade de crédito continuaram melhorando ao longo do ano, o que resultou em uma redução de 6,6% no custo de crédito no período", diz o comunicado.
"O ano de 2024 foi marcado pela consistência do Itaú Unibanco na entrega de bons resultados em todas as linhas de negócio. Mais do que os indicadores financeiros, encerramos o ano com muitos avanços importantes na nossa estratégia de centralidade nos clientes, com crescimento contínuo nos nossos índices de engajamento e de satisfação. Estamos muito animados com as possibilidades que a era da experiência reserva para o banco e para os nossos clientes." - Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em nota.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEnfim os dividendos extraordinários
A grande expectativa do mercado em relação aos resultados do Itaú, entretanto, girava em torno dos dividendos extraordinários que o banco havia prometido distribuir aos seus acionistas.
No último trimestre, o CEO, Milton Maluhy Filho, confirmou que o banco pagaria dividendos extraordinários referentes a 2024, e num valor superior aos proventos extras distribuídos em 2023.
E hoje finalmente foi anunciado o valor: R$ 18 bilhões, sendo R$ 15 bilhões em distribuição de proventos e R$ 3 bilhões em recompras e cancelamento de ações de emissão do banco ao longo de 2025. Embora elevado, o valor veio abaixo da cifra de R$ 20 bilhões projetada pelo mercado.
Com o anúncio, o banco totaliza R$ 28,7 bilhões em distribuição aos acionistas em 2024, o que corresponde a um payout de 69,4%. Trata-se de um crescimento de 33,8% sobre a distribuição de 2023.
Os dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$ 15 bilhões serão distribuídos da seguinte maneira:
A base de cálculo utilizada será a posição acionária do dia 17 de fevereiro de 2025, sendo as ações negociadas ex-proventos a partir de 18 de fevereiro de 2025. O pagamento ocorrerá no dia 7 de março de 2025.
Em fato relevante, o Itaú anunciou ainda que o Conselho de Administração aprovou o pagamento de JCP já declarados, conforme os fatos relevantes divulgados em 29 de agosto de 2024 (R$ 0,27298 por ação, sendo R$ 0,232033 líquido), com base na posição acionária de 19 de setembro de 2024; e 28 de novembro de 2024 (R$ 0,310560 por ação, sendo R$ 0,263976 líquido), com base na posição acionária de 9 de dezembro de 2024.
Os acionistas que tiverem direito a todos esses pagamentos também receberão seus proventos em 7 de março de 2025, no total de R$ 2,030363 por ação.
Os valores dos dividendos e dos juros sobre capital próprio serão pagos igualmente para as ações ordinárias (ITUB3) e preferenciais (ITUB4).
A carteira de crédito total ajustada do Itaú totalizou R$ 1,359 bilhão ao final de 2024, 15,5% maior que do que ao final de 2023.
Segundo o Itaú, a carteira de crédito de pessoas físicas cresceu em 2024, principalmente pelo aumento de 11,1% em crédito imobiliário; 9,9% em veículos e 8,8% em crédito pessoal.
Já a carteira de crédito de pessoas jurídicas cresceu 16,4% em 12 meses, com um aumento importante na carteira relacionada aos programas governamentais, que oferecem melhores índices de garantia de crédito.
Desconsiderando o efeito da variação cambial na carteira de crédito, o crescimento foi de 10,2% em relação ao ano 2023.
O aumento da carteira de crédito veio acompanhado de uma melhora nos índices de inadimplência (NPLs).
O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 2,4% em dezembro, ante 2,6% no trimestre anterior e 2,8% no fim de 2023.
"Essa redução ocorreu nos segmentos de pessoas físicas, com destaque para as reduções dos indicadores de inadimplência em cartão de crédito e veículos; e, em pessoa jurídica, no segmento de micro, pequenas e médias empresas", diz o comunicado do banco.
As provisões com devedores duvidosos (PDD) subiram 7,7% em relação ao trimestre anterior, para R$ 9,217 bilhões, mas ainda mantiveram-se abaixo dos R$ 9,295 bilhões do quarto trimestre de 2023. No ano, as provisões caíram 2,5%, para R$ 36,203 bilhões.
"Nos Negócios de Varejo no Brasil, a despesa acompanhou o crescimento da carteira de crédito. Nos Negócios de Atacado no Brasil, a despesa de provisão foi maior, devido ao impacto positivo de R$ 500 milhões no trimestre anterior, que não se repetiu, referente à recuperação de crédito de um cliente específico do segmento de grandes empresas", explicou o Itaú.
"Em relação a 2023, o custo do crédito apresentou uma redução de 6,6%. Este efeito foi concentrado nos Negócios de Varejo no Brasil, onde observamos redução nas despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa e nos descontos concedidos, além do aumento da recuperação de créditos baixados como prejuízo", concluiu o banco.
As receitas com serviços e seguros totalizaram R$ 14,296 bilhões no 4T24, uma alta de 6,1% na comparação anual. Em 2024, o crescimento foi de 7,2%, para R$ 54,866 bilhões.
O Itaú destacou o crescimento de 37,8% em receitas derivadas de assessoria econômico-financeira, "um dos melhores resultados anuais de sua história em Mercado de Capitais de Renda Fixa (DCM)", com crescimento de 12% em administração de recursos, além de alta de 13,8% no resultado de seguros em 2024.
As despesas não decorrentes de juros alcançaram R$ 62,1 bilhões em 2024, com aumento de 6,8% em relação ao ano anterior, "impulsionado pelo contínuo investimento em tecnologia e em sua plataforma de serviços", diz o banco, em comunicado.
Já os custos core, associados ao dia a dia do banco, evoluíram 4,4% no ano, abaixo da inflação acumulada (IPCA) de 4,83% no período.
"O compromisso do Itaú Unibanco com a gestão de custos se refletiu no índice de eficiência do banco que, em 2024, foi de 39,5% no consolidado e de 37,7% no Brasil, ambos no melhor patamar da série histórica em um único ano", diz o banco.
Junto com os resultados do 4T24, o Itaú divulgou também seu guidance (projeções) para 2025. Confira:

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