🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

BALANÇO 4T24

BRF (BRFS3): se o brasileiro está trocando a carne pelo frango, por que o balanço da empresa decepcionou o mercado?

Companhia de fato teve um ano estelar e repleto de recordes positivos em 2024, mas também vem sofrendo com a alta dos custos; entenda por que a ação cai hoje

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
27 de fevereiro de 2025
12:51 - atualizado às 12:52
Fachada de prédio com o logo da BRF (BRFS3)
Fachada de prédio da BRF. - Imagem: Shutterstock

Em tempos de inflação alta no Brasil, sabemos que a população tende a trocar as carnes bovinas por alternativas de proteínas mais baratas, como os ovos e o frango — este último, o carro-chefe da produção da BRF (BRFS3).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo assim, após um ano estelar na bolsa em 2024, o frigorífico vem patinando em 2025, e nesta quinta-feira (27) figura entre as maiores baixas do Ibovespa após a divulgação de um balanço que ficou aquém das expectativas de analistas e investidores.

Por volta das 12h30, os papéis BRFS3 recuavam 4,26%, a R$ 18,20, enquanto o Ibovespa operava praticamente estável. No pior momento do dia, chegaram a recuar mais de 8%. No ano, a perda acumulada supera os 26%.

De fato, o problema para a BRF não é tanto a demanda por seus produtos, mas também os custos. Assim como a inflação pesa no bolso do brasileiro, a companhia vive um momento de aumento de despesas, como o custo mais elevado do milho usado nas rações animais.

E embora os números do quarto trimestre de 2024 tenham apresentado melhora na comparação anual, quando comparados ao trimestre anterior as cifras apresentaram fraqueza, o que aponta para um futuro menos otimista para a empresa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A analista Georgia Jorge, do BB Investimentos, considerou o resultado do quarto trimestre misto e observou que "os números reportados fecharam um ano memorável para a companhia, marcado pela elevação de receita e da rentabilidade com geração de caixa, o que permitiu a redução da alavancagem financeira e geração de valor aos seus acionistas. Contudo, observamos um enfraquecimento do resultado na comparação trimestral, com pressões inflacionárias sobre as despesas pesando na composição do resultado."

Leia Também

Os destaques do balanço da BRF (BRFS3) no 4T24

Vejamos primeiro os principais números da BRF no trimestre e no ano de 2024:

  • Receita líquida 4T24: R$ 17,6 bilhões, alta de 21,6% a/a e de 13,1% t/t
  • Receita líquida 2024: R$ 61,4 bilhões, alta de 14,5% a/a, recorde histórico
  • Lucro líquido societário 4T24: R$ 868 milhões, alta de 15,0% a/a, mas queda de 23,7% t/t
  • Lucro líquido societário 2024: R$ 3,7 bilhões, recorde histórico, revertendo prejuízo de R$ 1,9 bilhão em 2023
  • Ebitda ajustado 4T24: R$ 2,8 bilhões, alta de 47,2% a/a, mas queda de 5,6% t/t
  • Ebitda ajustado 2024: R$ 10,5 bilhões, alta de 122,6% a/a, recorde histórico
  • Geração de caixa 4T24: R$ 2,1 bilhões, alta de 244,6% a/a e de 15,0% t/t
  • Geração de caixa 2024: R$ 6,5 bilhões, alta de 690,6% a/a, recorde histórico
  • Alavancagem ao final de 2024: 0,79 vez, queda de 60,5% ante as 2,01 vez ao final de 2023 e leve ala de 10,9% ante o 0,71 vez do 3T24.

De fato, em sua mensagem no release de resultados, o comando da BRF destacou o quanto o ano de 2024 foi bom para a companhia — e isso se refletiu nas ações BRFS3, que dispararam mais de 80% no ano passado.

Além disso, a empresa foi feliz em reduzir drasticamente seu endividamento, o qual era uma das espadas que pairavam sobre sua cabeça até 2023. Então por que o balanço é tão mal recebido pelo mercado hoje?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ebitda e margens decepcionantes

Apesar do crescimento apresentado tanto em base anual como trimestral, o Ebitda ajustado da BRF veio abaixo das expectativas do BTG Pactual e do Itaú BBA, reportam os analistas destas instituições financeiras nesta quinta-feira.

A cifra ficou 7% abaixo da estimativa do BTG e foi 6% inferior à do Itaú BBA, que já eram menores que o consenso do mercado, segundo a Bloomberg, que era de R$ 3,3 bilhões.

O Ebitda e as margens na divisão brasileira apresentaram algumas dificuldades no período, destacam os analistas.

Por um lado, o crescimento da receita no país foi forte, e houve uma alta de 12% nos volumes em base anual, além de um aumento da participação de mercado para 40,8%. Aliás, 2024 foi o primeiro ano de ganhos de participação de mercado desde a criação da BRF, nota o BTG.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por outro lado, a sazonalidade positiva — o fim do ano costuma ser marcado pela venda de carnes de aves comemorativas de Natal e Ano Novo — não se refletiu em margens operacionais maiores, que caíram 190 pontos-base na comparação trimestral, para 14,7%. Com isso, o Ebitda na divisão brasileira ficou 10% abaixo da previsão do BTG, que era de R$ 1,3 bilhão.

O Itaú BBA tem leitura parecida. Para o banco, o Ebitda ajustado da BRF no 4T24 em verdade "não apresentou a sazonalidade esperada", apesar das boas vendas e expansão da receita.

Na opinião dos analistas da instituição, o desempenho explica-se principalmente pelo aumento das despesas gerais e administrativas e pela alta nos custos dos grãos. Já o BTG nota que "algumas linhas de produtos, como margarina, podem ter começado a refletir custos maiores."

Mercado internacional se sai melhor, mas também se vê pressionado

A preocupação do mercado é com o que vem pela frente. Sobre a divisão internacional, por exemplo, os analistas de ambas as instituições destacaram a formidável margem operacional de 20,4% no trimestre, porém a cifra representa uma redução de 180 pontos-base na comparação trimestral, devido a uma queda nos preços das aves e o impacto de custos maiores denominados em dólares — lembre-se da forte depreciação do real no final do ano passado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aliás, a alta do custo unitário não compensou o aumento do preço médio dos produtos. Para o Itaú BBA, a recuperação de preços em alguns cortes específicos no mercado internacional neste início de ano pode ser parcialmente compensada por custos mais altos de grãos, resultando em mudanças pouco significativas nas margens no curto prazo.

Olhando para a frente, a BRF dependerá da dinâmica do ciclo global de aves, diz o banco, mas o otimismo com a companhia dependeria de assumir que os negócios internacionais continuarão a ter um desempenho acima dos níveis históricos por um período prolongado.

Nenhum dividendo adicional por enquanto; mais crescimento por vir?

Esse foi o questionamento levantado pelos analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Gustavo Fabris, do BTG Pactual.

Eles notam que a BRF anunciou um novo programa de recompra de ações de até cerca de R$ 285 milhões com base no preço atual das ações, mas dizem ter ficado "surpresos que nenhuma nova distribuição de dividendos foi revelada".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Também destacam que o fato de o capex (investimentos) ter acelerado para R$ 1 bilhão no quarto trimestre (totalizando R$ 3,3 bilhões em 2024) sugere que a BRF está "realmente se preparando para o crescimento".

Comprar BRFS3 ou não?

O Itaú BBA e o BTG Pactual mantiveram sua recomendação neutra para as ações da BRF. Os analistas Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto, do BBA, consideram que as ações já estão precificadas de maneira justa sob condições de margem normalizadas.

Já os analistas do BTG Pactual dizem que, por muitos anos, sua recomendação neutra para a ação "foi mais do que apenas uma opinião sobre preços de aves ou grãos; em vez disso, foi fundamentada na visão de que a empresa não tinha a estratégia, a execução e, mais importante, o balanço patrimonial necessário para competir. No entanto, a BRF emergiu mais forte, mais enxuta e mais inovadora nos últimos dois anos. O crescimento do volume retornou e atesta essa melhora, juntamente com um balanço patrimonial forte, que finalmente posiciona a empresa para buscar o crescimento mais uma vez. Embora reafirmemos nossa visão Neutra, ela agora se baseia na crença de que o ciclo de margem mudará e que as expectativas (e valuations) estão elevadas."

Já o BB Investimentos, embora tenha avaliado o balanço de maneira semelhante aos seus pares, mantém recomendação de compra para a ação da companhia, com preço-alvo de R$ 33, potencial de alta de 82% ante o fechamento de ontem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Daqui para frente, a companhia deve enfrentar maior pressão sobre os custos em função da alta no preço do milho. Para mitigar esse impacto, a companhia informou ter antecipado compras para lidar com a recente alta, garantindo estoques e otimizando custos. Combinado a isso, ainda vemos um mercado bastante resiliente em termos de demanda, especialmente no mercado interno, principalmente quando vislumbramos um cenário inflacionário pressionando o consumo das famílias, o que direciona a demanda para proteínas mais baratas, como é o caso da carne de aves e suínos", diz a analista Georgia Jorge.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
MORTAS VIVAS

Quase sem vida, mas ainda de pé: o que são empresas zumbis e por que o Brasil lidera esse ranking entre os emergentes

8 de janeiro de 2026 - 15:16

Estudos indicam que quase 14% das empresas abertas no Brasil funcionam sem gerar lucro suficiente para honrar suas dívidas

QUEDA LIVRE

Apertem os cintos: Azul (AZUL54) despenca quase 86% em dois dias com diluição das ações

8 de janeiro de 2026 - 14:12

O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.

ESTRATÉGIA REDESENHADA

Sabesp (SBSP3) entra em modo expansão em 2026 — e a Copasa pode ser o próximo passo. O que diz o CFO?

8 de janeiro de 2026 - 13:42

Em entrevista ao Money Times, Daniel Szlak fala sobre aceleração de capex, revisão de política de dividendos e a nova postura da companhia para aquisições

EM BUSCA DA EFICIÊNCIA

GPA (PCAR3) contrata consultoria dos EUA para auxiliar na redução de custos e ações sobem; confira os planos da companhia

8 de janeiro de 2026 - 12:11

A contratação servirá para dar suporte ao plano aprovado pelo conselho de administração em novembro

VAI FUNCIONAR?

Inteligência Artificial passa a prescrever remédios nos Estados Unidos. Vai dar certo?

8 de janeiro de 2026 - 9:02

Estado americano começa a testar modelo em que a inteligência artificial (IA) participa legalmente da renovação de prescrições médicas

HORA DA COLHEITA

Além da JBS (JBSS32): descubra as ações do agro que podem brilhar em 2026, segundo o BofA

7 de janeiro de 2026 - 17:47

Para o banco, desempenho tímido do setor em 2025 pode se transformar em alta neste ano com ciclo de juros menores

ENTRE RUÍDOS

A quem cabe reverter (ou não) a liquidação do Banco Master? Saiba quem manda no destino da instituição agora

7 de janeiro de 2026 - 16:24

Presidente do TCU afirma que Corte de Contas não tem poder para “desliquidar” banco; veja a quem caberia a decisão

O QUE COMPRAR?

Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e outras: quem ganhou 10 na ‘prova surpresa’ do JP Morgan?

7 de janeiro de 2026 - 16:00

Mudança nos critérios de avaliação do banco sacode as ações do setor: Ânima vira top pick e dispara fora do Ibovespa, Cogna entra na lista de compras, enquanto Yduqs e Afya perdem recomendação e caem na bolsa

HORA DE COMPRAR

Ozempic não é tudo: BofA aponta outros motores de alta para a Hypera (HYPE3) e projeta ganho de 37% para a ação

7 de janeiro de 2026 - 15:31

Relatório do Bank of America aponta potencial de valorização para os papéis sustentado não só pelos genéricos de semaglutida, mas também por um pipeline amplo e avanço na geração de caixa

CASO DE POLÍCIA

Ex-CEO da Hurb volta a se enrolar na Justiça após ser detido no Ceará com documento falso; entenda a situação

7 de janeiro de 2026 - 15:01

João Ricardo Mendes, fundador do antigo Hotel Urbano, recebe novo pedido de prisão preventiva após descumprir medidas judiciais e ser detido em aeroporto

SEM PREOCUPAÇÕES?

Elon Musk descarta pressão sobre a Tesla com a nova IA para carros da Nvidia — mas o mercado parece discordar

7 de janeiro de 2026 - 13:33

O bilionário avaliou que, mesmo com a ajuda da Nvidia, levaria “vários anos” para que as fabricantes de veículos tornassem os sistemas de direção autônoma mais seguros do que um motorista humano

PATINHO FEIO

Não é o ferro: preço de minério esquecido dispara e pode impulsionar a ação da Vale (VALE3)

7 de janeiro de 2026 - 12:31

O patinho feio da mineração pode virar cisne? O movimento do níquel que ninguém esperava e que pode aumentar o valor de mercado da Vale

FIQUE ATENTO

MEI: 4 golpes comuns no início do ano e como proteger seu negócio

7 de janeiro de 2026 - 11:00

Segundo relatos reunidos pela ouvidoria do Sebrae, as fraudes mais frequentes envolvem cobranças falsas e contatos enganosos

REESTRUTURAÇÃO

Depois do tombo de 99% na B3, Sequoia (SEQL3) troca dívida por ações em novo aumento de capital

7 de janeiro de 2026 - 10:15

Empresa de logística aprovou um aumento de capital via conversão de debêntures, em mais um passo no plano de reestruturação após a derrocada pós-IPO

LUZ NO FIM DO TÚNEL?

JP Morgan corta preço-alvo de Axia (AXIA3), Copel (CPLE6) e Auren (AURE3); confira o que esperar para o setor elétrico em 2026

6 de janeiro de 2026 - 19:12

Relatório aponta impacto imediato da geração fraca em 2025, mas projeta alta de 18% nos preços neste ano

HORA DE COMPRAR?

O real efeito Ozempic: as ações que podem engordar ou emagrecer com a liberação da patente no Brasil

6 de janeiro de 2026 - 18:10

Com a abertura do mercado de semaglutida, analistas do Itaú BBA veem o GLP-1 como um divisor de águas para o varejo farmacêutico, com um mercado potencial de até R$ 50 bilhões até 2030 e que pressionar empresas de alimentos, bebidas e varejo alimentar

PÉ NO ACELERADOR

A fabricante Randon (RAPT4) disparou na bolsa depois de fechar um contrato com Arauco e Rumo (RAIL3); veja o que dizem os analistas sobre o acordo

6 de janeiro de 2026 - 14:54

Companhia fecha acordo de R$ 770 milhões para fornecimento de vagões e impulsiona desempenho de suas ações na B3

GOLE BILIONÁRIO

Dona da Ambev (ABEV3) desembolsa US$ 3 bi para reassumir controle de fábricas de latas nos EUA; veja o que está por trás da estratégia da AB InBev

6 de janeiro de 2026 - 14:11

Dona da Ambev recompra participação em sete fábricas de embalagens metálicas nos Estados Unidos, reforçando presença e mirando crescimento já no primeiro ano

LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA

Ações da C&A (CEAB3) derretem quase 18% em dois dias. O que está acontecendo com a varejista?

6 de janeiro de 2026 - 11:59

Empresa teria divulgado números preliminares para analistas, e o fechamento de 2025 ficou aquém do esperado

FOCO NA MONETIZAÇÃO?

Shopee testa os limites de até onde pode ir na guerra do e-commerce. Mercado Livre (MELI34) e Amazon vão seguir os passos?

6 de janeiro de 2026 - 10:57

Após um ano de competição agressiva por participação de mercado, a Shopee inicia 2026 testando seu poder de precificação ao elevar taxas para vendedores individuais, em um movimento que sinaliza o início de uma fase mais cautelosa de monetização no e-commerce brasileiro, ainda distante de uma racionalização ampla do setor

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar