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Com investimento de R$ 6,8 bilhões, túnel Santos-Guarujá promete revolucionar a mobilidade da Baixada Santista, mesmo diante de desafios no leilão

A ideia de ligar Santos ao Guarujá por uma passagem seca ou submersa remonta a mais de um século. Depois de anos de debate, o primeiro projeto oficial de um túnel ligando as duas cidades litorâneas paulistas foi apresentado em 1927 pelo engenheiro e arquiteto Enéas Marini. Era inspirado no Túnel Holland, que conecta Manhattan a Jersey City, nos Estados Unidos.
De lá para cá, foram tantas promessas quanto frustrações. Governadores como Júlio Prestes, Adhemar de Barros, José Serra e Geraldo Alckmin chegaram a anunciar planos formais de pontes ou túneis conectando Santos ao Guarujá. No entanto, nenhum deles jamais saiu do papel.
Entre os projetos já apresentados, destacam-se:
Mas esses são apenas os mais conhecidos. Desde 1957, ao menos dez projetos foram apresentados. Nenhum deles se concretizou.
A travessia entre Santos e Guarujá leva cerca de uma hora por estrada. Pela balsa, a viagem dura em média 18 minutos, mas o início dela depende de filas e da operação das embarcações. Em ambos os casos, tempo demais para conectar duas ilhas separadas por um canal com largura média inferior a 500 metros.
Com um túnel submerso ou com uma ponte, o tempo cairia para até 5 minutos.
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Esse ganho beneficiaria não apenas os cerca de 2 milhões de habitantes da Baixada Santista, mas também trabalhadores que fazem a travessia diariamente e a logística do Porto de Santos, a maior da América Latina.
A lista de projetos fracassados ajuda a explicar um certo ceticismo em torno da obra.
Em 1927, o engenheiro Enéas Marini idealizou o primeiro túnel submerso ligando Santos e Guarujá, inspirado no Túnel Holland de Nova York.
O trajeto inicial teria 900 metros e seria utilizado por bondes, automóveis e até carroças. A ideia era moderna para a época, mas enfrentou barreiras financeiras e técnicas. Isso impediu que o projeto saísse do papel.
Em 2010, o governador José Serra apresentou uma maquete de ponte estaiada que prometia ligar Santos ao Guarujá.
O projeto era ambicioso: 4,6 km de extensão, com 1 km de ponte estaiada propriamente dita, duas faixas de tráfego em cada sentido — no total, 4,8 km de novas pistas. A ponte teria altura livre de 80 metros, para não atrapalhar a passagem de navios pelo canal de acesso ao Porto de Santos.
Prevista para desafogar o tráfego das balsas — que transportam até 30 mil veículos/dia na alta temporada — a obra incluiria duas faixas por sentido e acessos pela Avenida Mário Covas, em Santos, e Avenida Santos Dumont, no Guarujá.
Mas o sonho durou pouco. Cerca de um ano depois, o projeto foi abandonado. A complexidade técnica, impacto no Porto de Santos e dificuldades para permitir a passagem de navios maiores tornaram a ponte inviável.
O resultado: o projeto virou alvo de críticas políticas e foi considerado inviável.
O projeto seguinte não demorou a surgir. Apenas três anos depois, o governador Geraldo Alckmin apresentou uma alternativa: um túnel submerso ligando Santos e Guarujá.
Com entrega do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), o plano previa início das obras no primeiro semestre de 2015 e conclusão em 36 meses, ou seja, entrega estimada para 2018. O custo previsto era de R$ 2,4 bilhões.
Mas, assim como seus antecessores, o projeto não avançou. Enfrentou dificuldades financeiras, obstáculos burocráticos e não saiu do papel.
Em anos recentes, a Ecovias estudou uma ponte de 7,5 km com trechos elevados, orçada em R$ 2,9 bilhões, como alternativa para a travessia entre Santos e Guarujá.
Logo de início, o projeto enfrentou resistência do setor portuário, preocupado com impactos sobre a navegação, e não houve consenso entre as partes.
O projeto foi formalmente entregue ao governo do Estado de São Paulo em 2019. Apesar de estar oficialmente em análise, essa proposta de ponte também não avançou.
Agora, a proposta mais recente tem investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e será conduzida pelo governo estadual em parceria com o governo federal, via Ministério dos Portos e Aeroportos, pelo regime de PPP (parceria público-privada), com concessão de 30 anos.
Alguns fatores aumentam a confiança de que este pode ser, finalmente, o projeto a sair do papel:
Entretanto, o leilão marcado para hoje ganhou contornos políticos e financeiros complicados.
As principais grandes construtoras nacionais desistiram da disputa, entre elas o consórcio Odebrecht-Álya e a Andrade Gutierrez, citando falta de fôlego financeiro e dificuldade para obter financiamentos públicos e privados.
Isso fortalece a posição de grupos internacionais, como a portuguesa Mota-Engil e a espanhola Acciona, e evidencia a desvantagem competitiva das empresas brasileiras.
No entanto, ainda existem riscos. O Tribunal de Contas da União apontou 24 falhas no edital e o Ministério Público do TCU chegou a pedir a suspensão do leilão.
O túnel Santos-Guarujá é um sonho de quase 100 anos. O projeto atual é o mais avançado até hoje e pode revolucionar a mobilidade da Baixada Santista.
Mas, assim como aconteceu tantas vezes no passado, entraves jurídicos, pressões políticas e riscos financeiros ainda podem adiar novamente a realização desse velho desejo da região.
Enquanto isso, o túnel Santos-Guarujá continua cercado de expectativas. Será que ele finalmente sairá do papel?
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