Tarifas de Trump jogam balde de água fria nas expectativas para a economia brasileira; confira os impactos da guerra tarifária no país, segundo o Itaú BBA
O banco ressalta que o impacto final é incerto e que ainda há fatores que podem impulsionar a atividade econômica do país

A trégua da guerra comercial imposta por Donald Trump nem acabou e já está tirando o sono dos investidores nacionais. Após o presidente norte-americano anunciar tarifas de 50% aos produtos brasileiros, o mercado começa a colocar na balança o peso da taxação na economia do país.
Na visão do Itaú BBA, é melhor apertar os cintos: as tarifas vão travar o crescimento. Isso porque, até então, as taxações de Trump beneficiavam países emergentes, como o Brasil, devido a um ambiente externo benigno. Porém, agora, o novo anúncio do presidente norte-americano reverte este cenário.
Ainda assim, o banco ressalta que o impacto final é incerto, o que pode levar a uma reversão parcial dos resultados positivos por aqui. Além disso, o Itaú BBA destaca que há fatores que podem impulsionar a atividade econômica do país neste ano.
Assim, com forças atuando em direções opostas, a instituição manteve a projeção da taxa de câmbio em R$ 5,65 em 2025 e 2026. O banco também seguiu com a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2,2% para 2025 e 1,5% para 2026.
Já na expectativa para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Itaú BBA revisou de 5,3% para 5,2% em 2025. Para 2026, manteve a projeção em 4,4%.
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Dólar vs. Real: o peso da tarifa de Trump no câmbio
Com a guerra tarifária de Trump, o dólar vem enfraquecendo nos mercados internacionais, impulsionando moedas emergentes — e, por aqui, o cenário não foi diferente.
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O que se viu após o anúncio das taxações foi uma queda da moeda norte-americana frente ao real, que acumulou alta de aproximadamente 10% até maio deste ano.
Porém, com os impostos de 50% aos produtos brasileiros, o cenário deve ser revertido, na visão do Itaú BBA.
De acordo com o banco, a tarifa efetiva deve ficar em torno de 40%, que, se aplicadas aos US$ 40 bilhões de exportações anuais para os EUA, poderia reduzir o fluxo de exportações para o país em até US$ 16 bilhões.
No entanto, a instituição avalia que esse impacto pode ser superestimado. Isso porque é esperado que haja uma realocação de comércio dos produtos taxados para outros destinos.
“Ainda assim, o fluxo de dólares para o Brasil tende a diminuir, atuando como um vetor de depreciação da moeda”, afirma o banco em relatório.
Porém, não é apenas o tarifaço que faz o dólar voltar a ganhar fôlego frente ao real. A incerteza fiscal, elevada pelo impasse do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), limita os ganhos da moeda brasileira, segundo o Itaú BBA.
O banco também indica que, mesmo antes da taxação, o balanço de pagamentos já vinha indicando fragilidade, com aumento do déficit estrutural em transações correntes e queda na qualidade do financiamento externo.
Os analistas da instituição projetam um saldo comercial de US$ 71 bilhões para 2025 e de US$ 74 bilhões em 2026.
Além disso, a expectativa é de um déficit em conta corrente de 2,6% do PIB em 2025 e 2,4% em 2026, acima da média dos últimos quatro anos, de aproximadamente 2%.
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PIB: risco de baixa no radar
Apesar de manter as projeções para o PIB em 2025 e 2026, o banco indica maior probabilidade de resultados piores que os avaliados, revisando os riscos para o crescimento de neutro para baixo.
Além dos impactos das tarifas, o Itaú BBA avalia que dados mais fracos de atividade observados no segundo trimestre deste ano também impactam no crescimento.
Ainda assim, o banco destaca que a liberação dos precatórios em julho e a aceleração nas concessões do novo consignado privado têm potencial para estimular o consumo na segunda metade do ano, compensando parcialmente o fraco desempenho do início de 2025.
Inflação e juros: impactos além da tarifa de Trump
Já em relação à inflação, a queda na projeção para 2025 foi gerada pela indicação de queda nos preços do grupo de alimentos. Além disso, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis também alivia a inflação no país.
Porém, esses fatores são compensados por pressões de curto prazo, como o reajuste acima do esperado da conta de luz pela Enel em São Paulo e o aumento nos preços das loterias.
O banco avalia que, para 2025, a inflação deve apresentar uma ligeira queda, enquanto, para 2026, manteve a projeção em 4,4%.
Com isso, o Itaú BBA manteve a expectativa de corte de juros apenas no ano que vem, no primeiro trimestre de 2026, levando a Selic para 12,75% ao ano.
“Os riscos ainda pesam na direção de um corte ainda mais tardio do que a visão atual, mas uma eventual valorização expressiva da moeda ou uma desaceleração mais abrupta da economia poderiam antecipar o corte de juros já em 2025”, afirma o banco em relatório.
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