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Um vira-lata no espaço

Laika vai para o espaço: a verdadeira história da ‘astronauta caramelo’

Há exatos 68 anos, a cadela Laika fazia história ao ser o primeiro ser vivo a deixar a órbita do planeta Terra rumo ao espaço

Há exatos 68 anos, a cadela Laika fazia história ao ser o primeiro ser vivo a deixar a órbita do planeta Terra rumo ao espaço

O terceiro dia de novembro é uma data marcante para a história da exploração do espaço sideral. Isso porque, neste mesmo dia, em 1957, pela primeira vez, um ser vivo embarcou na primeira missão tripulada ao espaço. A “astronauta” escolhida para tal feito foi a cadela Laika.

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No auge da Guerra Fria, União Soviética e Estados Unidos tentavam ampliar suas esferas de influência ao redor do mundo em diferentes frentes. Uma delas era a conquista espacial.

Assim, após o sucesso do satélite russo, Sputnik 1, Laika embarcou no Sputnik 2 para uma viagem que até então poucos sabiam, mas seria sem volta.

Sessenta e oito anos após o seu lançamento, a verdadeira história da astronauta de quatro patas ainda desperta curiosidade.

De uma simples ‘caramelo’ das ruas de Moscou a ‘astronauta’

Em 1957, o então líder soviético, Nikita Khrushchev, tinha uma missão para a equipe do programa espacial: preparar algo “espetacular” para o 40º aniversário da revolução comunista — comemorado em 7 de novembro, no calendário gregoriano.

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Foi então que o engenheiro responsável pelo programa, Sergey Korolev, sugeriu enviar um cachorro ao espaço. O animal precisava atender a alguns requisitos. Um deles era pesar, no máximo, 7kg. 

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Além disso, os cães de raça foram prontamente descartados por serem considerados “mimados” e incapazes de alcançar bons resultados nos treinamentos de “sobrevivência em situações graves”.

Dessa forma, a equipe de “cães astronautas” era composta por “caramelos”, isto é, cachorros vira-latas que viviam nas ruas. Foi circulando pelas ruas de Moscou que Laika acabou “recrutada”.

Treinando para a morte

Naquela época, a URSS alocou uma grande soma de recursos na pesquisa espacial, mas tinha pouco detalhe no trabalho e o sucesso das missões eram praticamente uma questão de sorte.

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Por isso, desde o início, a equipe do programa espacial russo sabia que o animal seria enviado para morte. Contudo, o sacrifício poderia render insights importantes para que, posteriormente, os humanos pudessem viajar ao espaço.

Assim, além de Laika foram pré-selecionadas outras 9 cadelas. O objetivo era escolher aquela com maior resistência à câmara de pressão centrífuga. Albina, Laika e Mukhu se sobressaíram no teste final.

Contudo, Albina estava grávida e Mukhu foi desclassificada por não ser fotogênica, abrindo espaço para Laika entrar para a história.

A preparação de Laika incluiu a instalação de sensores para medir a respiração e o pulso, implantados nas costelas e artéria carótida, respectivamente. Da mesma forma, a cadela recebeu dispositivos para medir temperatura, pressão e realizar cardiogramas.

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A cápsula na qual Laika foi ao espaço tinha quatro metros de altura e dois metros de diâmetro — aproximadamente o tamanho de uma máquina de lavar roupa.

Assim, mesmo sabendo que o esforço seria em vão, durante os dias anteriores ao lançamento, os pesquisadores submeteram a cadela ao seguinte treinamento: passar várias horas do dia em uma cápsula semelhante à do Sputnik 2, para se acostumar.  

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As 2.370 voltas de Laika na órbita da Terra

Ao todo, o satélite em que Laika foi ao espaço realizou 2.370 voltas na órbita da Terra, até entrar na atmosfera e pegar fogo em 14 de abril de 1958. Mas, em todas elas, a “astronauta caramelo” já estava sem vida.

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Durante uma semana, os jornais locais divulgaram boletins informativos a respeito da saúde do animal. Entretanto, os comunicados eram falsos. A verdadeira história da morte de Laika permaneceu um mistério por quase meio século.

Até que, em 2002, durante um congresso nos Estados Unidos, Dimitri Malashenkov, do Instituto para Problemas Biológicos de Moscou, revelou que Laika morreu poucas horas após o lançamento.

Os sensores instalados na cadela registraram que, em comparação aos testes, os batimentos cardíacos alcançaram níveis três vezes acima do estado de repouso, além do triplo do tempo necessário para normalizar o pulso. 

Medidores da cápsula mostraram que a temperatura e a umidade da cabine subiram rapidamente após o lançamento, chegando a alcançar os 40 graus. 

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Assim, a combinação de superaquecimento e pânico, levaram Laika a uma parada cardíaca seis horas após o lançamento da Sputnik 2. 

Na época, a morte de Laika foi divulgada apenas uma semana depois pela agência estatal de notícias da URSS, sob a justificativa de um sacrifício "por motivos de humanidade". O desfecho gerou indignação, protestos e milhares de cartas para Moscou e às Nações Unidas. 

Mas infelizmente, Laika não foi o único animal testado no espaço…

Os envios de animais ao espaço ocorreram entre 1948 e 1961. Ao todo, 48 cães, 15 macacos e 2 coelhos foram usados em testes espaciais. Do total, 28 morreram. 

Contudo, o último lançamento de animais no espaço ocorreu em 1966, quando a então União Soviética enviou os cães Vaterk e Ugolkom à bordo do satélite Kosmos-110 para testar a possibilidade de permanência prolongada. Os animais retornaram com vida, porém esgotados, após 23 dias em órbita.

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*Com informações da BBC News Brasil

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