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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

VEM AÍ?

Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil deve ser sancionada até outubro, diz Haddad; mas há um texto correndo por fora no Senado

Projeto alternativo do senador Renan Calheiros está na pauta de comissão do Senado nesta terça

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
23 de setembro de 2025
13:30 - atualizado às 15:44
Montagem com Leão, moedas e imagem do Congresso ao fundo, simbolizando a reforma do IR e dividendos
Projetos que correm na Câmara e no Senado preveem tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais. Imagem: Shutterstock/Montagem Andrei Morais

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, nesta terça-feira (23), esperar que a nova faixa de isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês seja sancionada até outubro deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Em entrevista ao portal ICL Notícias, o ministro disse que o combate à desigualdade social é fator primordial para o desenvolvimento do Brasil, o que reforça o posicionamento do governo federal em favor da ampliação da faixa de isenção.

De fato, ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou, no evento Macro Day BTG Pactual, que o projeto de Lei do governo deve ser levado à votação em plenário já na próxima semana.

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O texto o governo foi alterado pelo relator, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que ampliou a isenção de imposto de renda parcial, antes válida para quem ganhava entre R$ 5 mil a R$ 7 mil por mês, para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais.

Lira também retirou o dispositivo que estabelecia que a soma da alíquota efetiva da pessoa física mais a alíquota efetiva paga pela pessoa jurídica não ultrapassasse a alíquota nominal de 34% cobrada das empresas em geral, ou de 40% para as resseguradoras e 45% no caso das instituições financeiras.

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Em contrapartida, o deputado retirou os títulos incentivados, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, fundos imobiliários e fiagros, da base de cálculo do imposto mínimo efetivo da alta renda. Estes títulos devem ser individualmente tributados em 5% no ano que vem, mas há discussões no Congresso para manter ao menos alguns deles isentos de IR.

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O relator, porém, manteve as regras de alíquota mínima de IR para quem ganha a partir de R$ 600 mil por ano, medida que vai compensar a perda de arrecadação com a nova faixa de isenção ampliada. Lira manteve também em 10% a alíquota efetiva máxima para os chamados super-ricos, aqueles que ganham a partir de R$ 1,2 milhão por ano. Havia a expectativa de que ele reduziria este teto para 8%.

Finalmente, o deputado também incluiu no relatório a autorização para que a União use qualquer excedente de receita com este imposto mínimo dos super-ricos como fonte de compensação para o cálculo da alíquota de referência da Contribuição de Bens e Serviços (CBS). Criada pela reforma tributária do consumo, a CBS substituirá cinco tributos federais a partir de 2027.

Tributação de dividendos

Um dos pontos mais polêmicos deste projeto de reforma do imposto de renda é a tributação de dividendos, hoje isentos no Brasil e mantidos assim na Medida Provisória 1.303/25, que altera as regras de tributação dos investimentos financeiros a partir de 2026.

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O texto do governo introduz a cobrança de 10% de IR sobre dividendos recebidos por acionistas pessoas físicas domiciliados no Brasil caso eles recebam mais de R$ 50 mil por empresa, ponto que foi mantido no relatório de Lira.

Os dividendos de qualquer natureza também integrariam a base de cálculo de IR para a aplicação da alíquota mínima, no caso de quem ganha mais de R$ 600 mil por ano.

Outro ponto do projeto do governo mantido por Lira foi a tributação de 10% sobre dividendos enviados ao exterior. O deputado, no entanto, introduziu três exceções à cobrança: quando remetidos para governos estrangeiros, desde que haja reciprocidade de tratamento; remessas a fundos soberanos; e remessas a entidades no exterior que administrem benefícios previdenciários.

Outro texto sobre isenção de IR corre por fora no Senado

Entretanto, outro texto que prevê isenção de imposto de renda a quem ganha até R$ 5 mil por mês corre no Senado. De autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM) e relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL), o projeto estava na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado desta terça-feira, mas a análise acabou sendo adiada para a manhã de quarta-feira (24).

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Diferentemente do texto que tramita na Câmara, o do Senado limita a isenção parcial a quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mês, e não R$ 7.350.

As regras de tributação de dividendos, no entanto, são similares. O texto prevê tributação de 10% sobre lucros e dividendos para a pessoa física quando estes superarem os R$ 50 mil por mês, bem como sobre os dividendos remetidos ao exterior.

O projeto original de Braga, no entanto, estabelecia uma tributação maior, de 15%, nesses casos. Renan reduziu o percentual para igualá-lo ao texto da Câmara.

*Com informações do Estadão Conteúdo e da Agência Brasil.

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Matéria atualizada com a informação do adiamento do texto no Senado pela CAE.

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