A ‘porta dourada’ para quem quer morar na Europa: por que Portugal está louco para atrair (alguns) brasileiros
Em evento promovido pela Fundação Luso-Brasileira na cidade de São Paulo, especialistas falam sobre o “golden visa” e explicam por que este pode ser um “momento único” para investir no país

Se o sonho de muitos brasileiros é morar na Europa, Portugal pode ser uma bela porta de entrada — principalmente para os endinheirados que podem investir no país ibérico. Com o chamado “golden visa”, as portas portuguesas se abrem muito mais fácil.
Esse cartão dourado faz parte de um programa de residência que oferece vistos para estrangeiros que realizam investimentos no por lá, como compra de imóveis, criação de empregos ou transferência de capital. Ele permite acesso à residência e, eventualmente, à cidadania portuguesa.
E parece que os portugueses estão bem animados para receber esse público. Pelo menos essa foi a mensagem principal do evento “Portugal & Brasil: Investir com Futuro”, que aconteceu em São Paulo nesta terça-feira (11).
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“Só tem brasileiro em Portugal”
Com tantas similaridades culturais, já é comum encontrar multidões de brasileiros no país, em um movimento que já se constrói há alguns anos. Tanto é que esse foi justamente o motivo que fez o BTG Pactual abrir um escritório português anos atrás.
“Nossa estratégia em Portugal não é orgânica, é decorrente de um processo no qual não identificamos muitos brasileiros se mudando para lá”, afirmou André Alessi, diretor do BTG Pactual Europa, no evento.
Hoje, na visão de Alessi, o país é estratégico, uma vez que oferece o que o banco considera como fundamental na diversificação de investimentos no mundo de hoje: a segurança.
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“Estabilidade não é mais detalhe, é condição. Portugal oferece isso com uma correlação interessante de expectativa de valorização e um preço que faz sentido”, disse durante um painel que destacava o país como porta de entrada para investidores e empresários na Europa.
Nessa toada, ele citou o Fundo Golden Visa, fruto de uma parceria do BTG Pactual com o IM Gestão de ativos (IMGA). Ele funciona como uma alternativa de investimento que permite a obtenção do visto de residência em Portugal.
Com foco em crédito privado, o fundo destina-se a investidores que buscam cumprir os requisitos do programa dourado, exigindo aportes a partir de 100 mil euros. Ele investe principalmente em títulos de empresas portuguesas e latino-americanas, com perfil conservador e proteção cambial ao euro.
O dinheiro precisa ser mantido por cinco anos, permitindo acesso à residência em Portugal e, eventualmente, à cidadania.
O BTG Pactual tem escritórios em Londres, Lisboa, Madri e Luxemburgo e tem investido forte no continente. No ano passado, o banco anunciou que queria triplicar os investimentos por lá nos próximos anos, para 1 bilhão de euros.
“Estamos animados com o investimento na Europa. É um pilar para diversificar clientes e fontes de receita, além de acessar novos mercados”, afirmou Roberto Montá, sócio de gestão de patrimônio no BTG, durante o evento.
Segundo ele, até hoje os principais investimentos em Portugal foram no setor imobiliário e de infraestrutura — que também foram destaque na fala de outros painelistas do evento.
O “momento único” para investir em Portugal
Uma mensagem unânime durante o evento foi o momento favorável para brasileiros investirem em Portugal, que passa por um processo de modernização na burocracia e tem endereçado questões importantes para os investidores, como a dívida pública, que atualmente representa cerca de 70% do PIB, comparado a um pico recente de 136%.
Segundo Nuno Fernandes Thomaz, sócio da Core Capital, esse é um “momento único” para investir no país, que tem potencial de crescer muito daqui para a frente, mas necessita de um catalisador: o capital privado.
“Não quer dizer que tudo seja perfeito. Mas, de fato, nunca tivemos tantos investidores de todo o mundo, seja do Ocidente ou do Oriente, querendo entrar em Portugal como tem acontecido agora”, contou Thomaz.
Ele ainda acrescentou que Portugal é o país da União Europeia que mais cresce desde o terceiro trimestre e a perspectiva é que isso continue nos próximos anos.
“Além disso, nós atacamos a dívida, temos um bom capital humano e somos o único país do bloco com o Orçamento aprovado [pelo legislativo]. França, Espanha e Alemanha não têm, por exemplo”, afirmou o gestor.
Ele destacou alguns setores no qual tem investido: turismo — que tem sido um dos grandes focos da economia nos últimos tempos — e saúde, sobretudo no segmento ligado à economia da longevidade.
Thomaz argumenta também que as questões geopolíticas que abalam a Europa, principalmente a guerra na Ucrânia, não afetam tanto Portugal. A questão geográfica, por exemplo, afasta os temores sobre uma tensão fronteiriça com a Rússia, uma das principais preocupações no continente.
“Portugal era periférico e pequeno, e hoje isso mudou”, concluiu.
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