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Agora o ouro, e não mais o dólar ou os Treasuries, representa o ativo livre de risco no imaginário das pessoas
No livro “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, Ruy Castro conta, com a habilidade costumeira, a história de 1935 a 1945 na capital fluminense, a partir da divisão ideológica interna entre os comunistas, os integralistas e os defensores da democracia liberal.
Entre inúmeras situações e personagens interessantes, algumas questões em particular chamam especial atenção: a chegada de imigrantes fugindo da guerra, como Paulo Ronai e Otto Maria Carpeaux, e a participação brasileira no fornecimento de materiais básicos a adversários da Alemanha nazista.
Nesse contexto se insere a “Política de Boa Vizinhança”, implementada pelo governo Roosevelt desde 1933 com o objetivo de estreitar laços com a América Latina — interessavam aos EUA nossa capacidade de fornecer produtos e as bases militares do Nordeste. Walt Disney não veio somente para criar o Zé Carioca, tampouco Orson Welles estava apenas interessado em documentar a realidade local.
Enquanto a chinela cantava no resto do mundo, o isolamento geográfico da América do Sul e sua capacidade de prover o mundo com energia e comida, elementos fundamentais numa guerra, emergiam como diferenciais relevantes. De repente, o Rio de Janeiro, que desde 1934 já havia sido batizada oficialmente de “Cidade Maravilhosa” com a marchinha de André Filho, era uma das cidades mais vibrantes do mundo.
Ruy Castro é sempre uma boa leitura, mas ganha contornos especialmente convidativos agora. Se o prêmio de risco geopolítico global aumenta diante do conflito no Oriente Médio, a geografia ganha importância relativa. Se há risco de que o conflito se espalhe diante de eventual envolvimento dos EUA em favor de Israel e, quem sabe, da Rússia e da China em prol do Irã (compondo o tal Eixo do Mal), talvez não seja má ideia encaminhar-se para a América do Sul.
Sem precisar ir tão longe, provar-se um fornecedor estável e confiável de matérias-primas, energia e alimentos também pode render frutos não-desprezíveis.
Se olharmos o comportamento dos ativos e suas correlações desde o estouro da guerra entre Israel e Irã, notaremos uma dinâmica diferente de crises anteriores. Há cerca de 20 anos, o economista Stephen Jen formulara uma teoria simples e ilustrativa para descrever a sensibilidade do dólar frente a choques, denominada “Dollar Smile”, em alusão à imagem de um sorriso.
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A ideia era de que em situações de economia forte nos EUA e sem grandes medos no horizonte, o dólar estaria forte (ou alto). Como, no entanto, se percebe uma associação entre a moeda e os títulos de dívida norte-americanos a ativos livres de risco, um momento de recessão global ou grande aversão a risco despertaria uma corrida em direção ao dólar, que também ficaria alto em momentos adversos. Somente numa situação morna, de meio do caminho, teríamos um dólar fraco contra as demais moedas.
A crise de 2008 talvez seja o exemplo mais didático sobre o fenômeno: o colapso do mercado imobiliário e a consequente quebra da Lehman Brothers ocorrem justamente nos EUA; em reação, a moeda norte-americana se valoriza de maneira destacada. Se recorrermos à análise de várias outras crises ao longo da história, chegaremos à conclusão semelhante.
Desta vez, porém, ao menos até aqui, vemos um comportamento distinto. O dólar praticamente não se mexeu desde sexta-feira. O euro está perto de 1,16. O real flerta com R$ 5,50. Não houve uma corrida para os Treasuries.
A recente elucubração da Gavekal, que questionara se os títulos de dívida dos EUA deixaram de ser antifrágeis, ou seja, se ainda reagiriam positivamente a um choque exógeno negativo, recebe validação empírica. George Catrambone, head de renda fixa da DWS Americas, concedeu entrevista na sexta-feira sintetizando a nova dinâmica: agora o ouro, e não mais o dólar ou os Treasuries, representa o ativo livre de risco no imaginário das pessoas.
A ideia do enfraquecimento do excepcionalismo norte-americano já vinha impactando de forma negativa o dólar e estimulando a migração para outras jurisdições. A América Latina, em especial do Sul, recebia interesse crescente por ser menos afetada pelas tarifas por conta de seu baixo envolvimento nas cadeias de suprimento global, por sua neutralidade diplomática, por valuations convidativos e por boa posição técnica.
Tudo isso combinado à possibilidade de alternância do ciclo de economia política, rumo a um direcionamento mais pró-mercado e fiscalista, em vários de seus países. O aumento do risco geopolítico é um reforço à tese. Da mesma forma que Georges Bernanos, um dos principais escritores de sua época, saiu da França para buscar refúgio e inspiração em Barbacena entre 1938 e 1945, o capital internacional também poderia buscar abrigo em terras locais.
Historicamente, ciclos de baixa do dólar estiveram associados a boa valorização da região, sendo o Brasil um dos maiores beneficiados em termos relativos. Aos 83 anos, Zé Carioca poderia estampar a capa da Economist?
PS.: numa eventual consolidação do ciclo positivo dos mercados brasileiros, nossas small caps estariam entre os ativos mais diretamente beneficiados. Estamos particularmente otimistas com a classe e, por isso, convidamos para uma conversa exclusiva sobre o tema.
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