Donald Trump: como lidar com um encrenqueiro e sua guerra comercial
Donald Trump não pensa nas consequências ao adotar suas medidas intempestivas. O importante, para ele, é estar nas manchetes dos jornais

Na última quarta-feira, dia 9, pouco antes do fechamento da B3, o presidente americano Donald Trump anunciou nas redes sociais que, a partir de 1º de agosto, os produtos brasileiros que entrassem no mercado americano seriam taxados em 50%.
Ao contrário do que aconteceu com outros países, desta vez Trump alegou razões políticas. Disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava sendo vítima de “caça às bruxas” e exigiu que a “injustiça” fosse reparada.
Mesmo que o presidente Lula quisesse ceder às pressões da Casa Branca (o que definitivamente não é o caso), ele nada poderia fazer, já que se trata de matéria do Judiciário, mais precisamente do Supremo Tribunal Federal, onde Bolsonaro está sendo julgado, entre outras coisas, por tentativa de golpe de Estado.
- E-BOOK GRATUITO: O evento “Onde Investir no 2º Semestre” reuniu as melhores apostas para a segunda metade de 2025 — baixe o resumo com todos os destaques
Como não podia deixar de ser, tão logo saiu a notícia da nova tarifa, o Ibovespa iniciou um processo de queda, queda essa que atingiu mais de 3% até a manhã de ontem.
Nada de assustar: em outras ocasiões recentes, o índice caiu muito mais. Contribui para essa queda modesta a reação moderada do presidente Lula, que informou que aguardará o início efetivo do tarifaço para colocar em prática contrapartidas brasileiras.
Em minha opinião, a reação negativa da B3 se deveu mais a uma provável recuperação do índice de popularidade de Lula, que vinha caindo a cada nova pesquisa.
Leia Também
Cá entre nós, ao propugnar uma taxação aos produtos brasileiros, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro deu um tiro no pé.
Os candidatos ditos bolsonaristas à Presidência em 2026, mais precisamente os governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, se viram em palpos de aranha.
Caso se manifestassem contra a decisão de Trump, desagradariam Jair Bolsonaro. Defendendo-a, como foi o caso logo no primeiro dia, estariam contra os empresários brasileiros que exportam para os Estados Unidos.
- VEJA TAMBÉM: Quer saber qual é a carteira ideal para você? Ferramenta simula carteira de acordo com seu perfil, objetivo e valor inicial; confira aqui
Interessante observar como outros países lidaram com semelhante problema.
A China, por exemplo, que exporta para os EUA mais de meio trilhão de dólares anualmente, respondeu tarifaço com tarifaço. Tipo: “seus 25 mais 25; seus 50 mais 50, seus 75 mais 75”.
Sabendo que a indústria americana entraria em colapso com a interrupção da chegada de componentes chineses, Xi Jinping, através de seus diplomatas, pactuou em Genebra um acordo de tarifas que normalizou a balança comercial entre as duas nações gigantes.
Outros países estão negociando com os Estados Unidos. Todos já perceberam que Trump aceita qualquer acordo, desde que possa reivindicar, junto à opinião pública norte-americana, que venceu a parada.
Após a reação negativa dos brasileiros ao infame tarifaço, o ex-presidente Jair Bolsonaro informou que não quer prejudicar o país. Ou seja, começou a desdizer suas declarações iniciais, favoráveis à medida de Trump.
Se é verdade que Eduardo Bolsonaro tem tanta influência sobre Donald Trump, acredito que a solução que ele irá encontrar para sair do atoleiro em que se meteu será pedir ao irrequieto presidente que anule a medida “a pedidos da família Bolsonaro”.
Se as tarifas aduaneiras dos produtos brasileiros realmente entrarem em vigor no dia 1º de agosto, nos Estados Unidos quem pagará o pato serão os consumidores de café e suco de laranja, além dos compradores de celulose e frutos do mar, só para ficar nesses quatro exemplos.
Além disso, entre as empresas do Brasil e dos EUA mais prejudicadas estão a Embraer e as companhias aéreas de lá. Sessenta por cento das exportações de nossa indústria aeronáutica se destinam àquele país.
- Quer investir como um C-Level? Felipe Miranda, CIO da Empiricus, compartilha gratuitamente sua carteira de ações para multiplicar e proteger patrimônio
Donald Trump não pensa em nada disso toda vez que adota suas medidas intempestivas. O importante, para ele, é estar nas manchetes dos jornais.
No dia seguinte ao anúncio de nosso tarifaço, Trump apontou sua metralhadora giratória para o Canadá, taxando os produtos do país vizinho em 35%.
Essas medidas adotadas contra os canadenses conseguiram o que parecia impossível naquele país: unir direita e esquerda, quebequenses e anglófilos.
Trump está também taxando o México e a União Europeia em 30%.
O pior é imaginar que o governo Donald Trump ainda irá durar 1.285 dias, antes de ele se transformar num retrato na galeria de líderes mundiais exóticos, ao lado de figuras como Idi Amin Dada (Uganda), Muhammad Gaddafi (Líbia), Kim Jong-un (Coreia do Norte) e Silvio Berlusconi (o rei do “bunga-bunga” italiano).
Um forte abraço,
Ivan Sant'Anna
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Internacionalização de negócios, pêndulo eleitoral e alta do petróleo: confira tudo o que agita os mercados hoje
1 de setembro de 2026 - 8:37DÉCIMO ANDAR
O elevador mudou de direção: o mau humor já está no preço dos fundos imobiliários?
30 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A pescaria do Tesouro Direto, a virada do Ibovespa em agosto e o evento do Fed nos EUA: o que você precisa ler hoje
28 de agosto de 2026 - 8:21SEXTOU COM O RUY
Você não precisa correr mais rápido que um leão (e nem de um Brasil perfeito) para ganhar dinheiro com a bolsa agora
28 de agosto de 2026 - 7:03O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A gordura extra do VISC11, a conferência do Fed e os resultados da Nvidia: o que mexe com os mercados hoje
27 de agosto de 2026 - 8:26EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Ibovespa — Entre a ideologia e o ideal, eu fico com os meus pregões de alta
26 de agosto de 2026 - 19:55IA NA PRÁTICA
Testei o Gemini Notebook para explicar inflação para uma criança — e ele criou um vídeo
26 de agosto de 2026 - 15:47O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O gatilho para dividendos da Vale (VALE3), o alívio que vem do Oriente Médio e o que mais afeta o seu bolso hoje
26 de agosto de 2026 - 8:12O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A segurança futurista da Intelbras (INTB3), Casas Bahia (BHIA3), Braskem (BRKM5) e o que mais mexe com os mercados hoje
25 de agosto de 2026 - 8:23O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A herança desigual, as ameaças ao Irã e eleições presidenciais 2026: o que move os mercados hoje
24 de agosto de 2026 - 8:26RISCO OU OPORTUNIDADE?
Renda fixa: por que investir em Tesouro IPCA+ 8% se o CDI a 14% ao ano em tese paga mais?
23 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A melhor ação para dividendos entre CXSE3 ou BBSE3, a exceção no varejo, e o que mais move seu bolso hoje
21 de agosto de 2026 - 8:34SEXTOU COM O RUY
A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) mostra por que prefiro ficar longe do varejo, exceto por uma única empresa
21 de agosto de 2026 - 7:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Um novo desafio para os empreendedores, a queda dos fundos multimercados e o que mais você precisa saber hoje
20 de agosto de 2026 - 9:13Rodolfo Amstalden: Estimada probabilidade, escrevo esta carta pensando em você
19 de agosto de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A novidade na renda passiva, o conflito no Oriente Médio e dados da economia brasileira: o que move os mercados hoje
19 de agosto de 2026 - 8:08O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O problema da inadimplência, as eleições presidenciais e o que mais move os mercados hoje
18 de agosto de 2026 - 8:17INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir
18 de agosto de 2026 - 7:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO