Tarifa total de 145% dos EUA sobre a China volta a derrubar bolsas — Dow perde mais de 1 mil pontos e Ibovespa cai 1,13%; dólar sobe a R$ 5,8988
A euforia da sessão anterior deu lugar às incertezas provocadas pela guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo; Wall Street e B3 devolvem ganhos nesta quinta-feira (10)

A recuperação histórica de Wall Street já está no retrovisor do mercado. Um dia depois do terceiro maior ganho diário desde a Segunda Grande Guerra, a realidade das tarifas voltou a bater na bolsa de Nova York — e o Ibovespa acompanhou, amargando fortes perdas, enquanto o dólar avança.
Na quarta-feira (9), o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma redução temporária das tarifas para aquelas países que não retaliaram os EUA. Por 90 dias, taxas reduzidas de 10% vão estar em vigor.
A decisão fez o S&P 500 disparar mais de 9%, registrando seu terceiro maior ganho em um único dia desde a Segunda Guerra. O Dow Jones teve o maior avanço percentual desde março de 2020, enquanto o Nasdaq registrou o maior avanço diário desde janeiro de 2001 e o segundo melhor dia já registrado.
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O volume de negociação também foi incomum: 30 bilhões de ações, o maior nível da história.
Mas nesta quinta-feira (10), tudo isso é passado. O Dow Jones perdeu mais de 1 mil pontos, ou 2,50%, enquanto o S&P 500 recuou de 3,46% e o Nasdaq, 4,31%.
Por aqui, o movimento de perdas foi o mesmo visto em Wall Street. O Ibovespa caiu 1,13%, aos 126.354 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 0,88%, fechando o dia em R$ 5,8988. No pico do dia, a moeda voltou a ser negociada acima dos R$ 6, com a saída de capitais diante da incerteza da guerra comercial entre EUA e China.
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Nem mesmo a deflação nos EUA em março ajuda no ânimo dos investidores. No mês passado, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA caiu 0,1% ante fevereiro. A previsão era de alta de 0,1%.
O índice DXY, que mede a força do dólar frente outras moedas fortes, chegou a renovar mínimas com o CPI, enquanto os yields (retornos) dos títulos de dívida do governo norte-americano acompanharam a queda assim que o dado de inflação saiu.
No mercado de petróleo, os preços dos contratos futuros também afundaram: o Brent — referência no mercado internacional e também usado pela Petrobras (PETR4) — recuou 3,28%, enquanto o WTI — a referência do mercado norte-americano — caiu 3,66%.
Por que a bolsa caiu depois da euforia com Trump
Apesar do otimismo em resposta aos 90 dias anunciados por Trump, alguns analistas acreditam que o mercado está longe de estar fora de perigo — e muito disso tem a ver com a guerra comercial entre China e EUA.
Junto com a redução temporária das taxas para 10%, o presidente norte-americano anunciou o aumento das tarifas sobre produtos importados chineses de 104% para 125%.
O total de taxas sobre a China agora soma 145%, considerando os 20% sobre impostos relacionados ao fentanil, disse um membro do alto escalão da Casa Branca à CNBC.
A decisão de Trump veio em resposta a uma retaliação de Pequim apresentada horas antes: os produtos norte-americanos passaram a pagar um imposto de 84% e não mais de 34% para entrar na China.
“O aumento das tarifas sobre a China, mas o atraso em outras, deixa a alíquota efetiva em 23%, em máximas históricas”, diz Michael Gapen, economista-chefe do Morgan Stanley nos EUA, em nota. “Atrasos ajudam, mas não reduzem a incerteza.”
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Bolsa na Ásia e na Europa em alta
Na Ásia, as bolsas terminaram o dia em alta. O índice Nikkei da bolsa do Japão subiu 9%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 6,6%.
Na China, mesmo com o aumento das tarifas anunciado por Trump, as bolsas também subiram. O CSI 300, índice de referência por lá, teve alta de 1,31%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 2,06%.
Na Europa, as bolsas pegaram carona dos ganhos do dia anterior em Wall Street e terminaram o dia com ganhos expressivos — os maiores em três anos.
Mais cedo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia suspenderá a adoção de tarifas retaliatórias sobre uma série de produtos norte-americanos por 90 dias.
Na quarta-feira (9), os membros da UE votaram a favor do pacote, que foi elaborado em resposta às tarifas de 25% dos EUA sobre aço e alumínio, lançadas no mês passado.
As tarifas europeias deveriam ser finalizadas nos próximos dias, com uma parcela inicial prevista para entrar em vigor em 15 de abril.
A lista completa de itens visados ainda não foi publicada, mas a CNBC indica que abrange vestuário, aves, grãos e máquinas.
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