Balanço da BB Seguridade (BBSE3) desagrada e ações caem forte na B3. O que frustrou o mercado no 1T25 (e o que fazer com os papéis agora)?
Avaliação dos analistas é que o resultado do trimestre foi negativo, pressionado pela lucratividade abaixo das expectativas; veja os destaques do balanço

O balanço da BB Seguridade (BBSE3) no primeiro trimestre de 2025 caiu como um balde de água fria nos investidores, que se frustraram com um lucro aquém do esperado e prêmios espremidos nos três primeiros meses do ano.
As ações BBSE3 operam em forte queda nesta terça-feira (6) e figuram entre as maiores desvalorizações do Ibovespa na sessão.
Por volta das 12h50, os papéis caíam 6,49%, negociados a R$ 39,22. Desde o início do ano, porém, a empresa acumula valorização da ordem de 15% na B3.
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A avaliação geral dos analistas é que o resultado da seguradora foi negativo, pressionado pela lucratividade abaixo das expectativas devido à queda das operações de seguros e de previdência.
Veja alguns destaques do balanço:
- Lucro líquido: R$ 1,99 bilhão (+8,3% a/a), contra expectativa de R$ 2,1 bilhões segundo o consenso Bloomberg;
- Resultado financeiro combinado: R$ 320 milhões (+37,9% a/a);
- Volume total de prêmios emitidos: R$ 4,28 bilhões (-5,9% a/a).
O balanço “decepcionante” da BB Seguridade no 1T25
O Citi descreve o balanço da BB Seguridade (BBSE3) no 1T25 com tendências “decepcionantes” e com indicadores abaixo das projeções.
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“Nós já prevíamos um conjunto fraco de tendências operacionais após os dados de fevereiro da Susep (Superintendência de Seguros Privados), mas foi pior do que o imaginado. Foram decepcionantes”, escreveram os analistas Gustavo Schroden, Arnon Shirazi e Brian Flores.
Para os analistas, ainda que a seguradora deva apresentar melhores tendências de prêmios nos próximos trimestres, que hoje estão muito abaixo da projeção da empresa, a falta de catalisadores poderia colocar o guidance para 2025 em risco.
Os analistas do Itaú BBA também avaliam que a tendência de negócios e a queda da lucratividade em relação ao trimestre anterior “levaram a uma leitura negativa do trimestre”, ainda que o lucro líquido da empresa tenha aumentado em relação ao ano anterior.
“Os prêmios emitidos mais baixos hoje e a pressão sobre as taxas de administração tendem a ter efeitos de transferência negativos nas estimativas de mercado para o ano fiscal de 2025/26”, avaliaram os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Mateus Raffaelli, que assinam o relatório.
O banco avalia que as ações BBSE3 negociam a um valor justo de 9,2 vezes o preço/lucro de 2025, o que sustenta uma visão cautelosa em relação à BB Seguridade.
Segundo o UBS BB, a surpresa negativa veio dos resultados mais fracos da Brasilprev, principalmente devido à menor receita financeira e ao resultado operacional abaixo, além da performance abaixo do esperado na Brasilcap.
Os analistas destacam que o desempenho ofuscou a surpresa com a Brasilseg e a corretora, que superaram as expectativas no 1T25, impulsionadas por menores despesas e receitas com a comissão da corretora.
Vale lembrar que o banco rebaixou recentemente a recomendação da ação para neutra.
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Outra favorita na carteira
Após o balanço do 1T25, o BTG Pactual também manteve recomendação neutra para a BB Seguridade.
Para os analistas, o principal motivo para a surpresa negativa no resultado foi o desempenho mais fraco da BrasilSeg, impactado por uma maior sinistralidade no seguro agrícola.
No entanto, a performance negativa foi parcialmente compensada pelo resultado acima do esperado na previdência privada na BrasilPrev, mesmo com desempenho financeiro e de receita pressionados.
Mesmo assim, a avaliação do banco é que há pouco espaço para apreciação das ações após a valorização recente, menor espaço para revisão de lucros e pouco potencial de recompra de ações pelo Banco do Brasil.
Inclusive, a preferência dos analistas para o setor é a Caixa Seguridade (CXSE3).
“Apesar do retorno com dividendos (dividend yield) em torno de 10% oferecer um suporte ao papel, o potencial de valorização parece mais limitado. Preferimos Caixa Seguridade como nossa principal aposta no setor para o restante de 2025”, escreveram os analistas.
Há quem ainda indique a compra de BBSE3
Na contramão das outras casas de análise, o Goldman Sachs continuou otimista em relação às ações BBSE3, apesar da frustração com o lucro da BB Seguridade no primeiro trimestre e das tendências mais fracas nos segmentos de seguros e previdência.
Para o banco, o início de ano fraco da BB Seguridade sinaliza riscos para o cumprimento do guidance de crescimento de prêmios entre 2% e 7% até o fim de 2025, mas a empresa ainda parece cumprir as projeções para o resultado operacional, de aumento de 3% a 8%.
A recomendação segue de compra, com preço-alvo de R$ 43. Mas o banco norte-americano alerta para os riscos que podem pressionar as ações BBSE3 na bolsa ao longo deste ano.
Entre os potenciais detratores, estariam um PIB (Produto Interno Bruto) rural mais fraco que o esperado em 2025, juros abaixo do previsto, desaceleração na originação de crédito do Banco do Brasil, aumento inesperado na sinistralidade e eventuais mudanças contratuais com o BB.
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