A estratégia deste novo fundo de previdência global é investir somente em ETFs — entenda como funciona o novo ativo da Investo
O produto combina gestão passiva, exposição internacional e benefícios tributários da previdência em uma carteira voltada para o longo prazo

O mercado de previdência privada cresceu muito nos últimos anos com o lançamento de novos produtos, com diferentes estratégias. Mas ainda há espaço para mais inovações. Pelo menos foi isso que atestou a gestora de fundos de índice (ETFs) Investo, com o lançamento do Investo Previdência Global Crescimento.
O fundo de previdência, lançado em agosto e distribuído exclusivamente pelo BTG Pactual, tem como regra a alocação integral em ETFs.
Inicialmente, o portfólio reúne 13 fundos de índice de diferentes classes de ativos e regiões, mas mantém a estrutura previdenciária e os benefícios que acompanham essa forma de investimento financeiro voltado para a aposentadoria.
O Investo Previdência Global Crescimento é o primeiro fundo de previdência do país que tem por premissa a alocação exclusiva em ETFs. Segundo o CEO da Investo, Cauê Mançanares, o produto é resultado dos quatro anos de trabalho da gestora.
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“Foram quatro anos construindo tijolo por tijolo para chegar ao resultado da carteira diversificada. Hoje, com 26 ETFs listados na Bolsa, conseguimos dar um passo além para essa solução de um fundo de previdência completo”, disse em entrevista ao Seu Dinheiro.
A Investo recentemente atingiu a marca de R$ 4 bilhões sob gestão — dobrando em relação aos R$ 1,7 bilhão do fechamento de 2024. A gestora brasileira é especializada em ETFs, e integra o grupo internacional VanEck, referência global em fundos de gestão passiva.
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Um fundo de previdência em ETFs
O Investo Previdência Global Crescimento tem sua alocação dividida em: 60% da carteira em investimentos no Brasil e 40% no exterior. Por conta dessa exposição global acima do limite de 20%, o produto é destinado a investidores qualificados — aqueles que possuem pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras.
Segundo a classificação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), é um ativo de Previdência Multimercados.
Sua taxa de administração é de 0,97% ao ano, com aporte mínimo de R$ 1 mil e liquidez de cinco dias úteis — considerando o prazo entre a cotização (D+3) e a liquidação (D+2).
Segundo Mançanares, a metodologia busca combinar estabilidade e crescimento para o longo prazo. A renda fixa local seria a âncora para reduzir a volatilidade e garantir retorno real, enquanto os ETFs internacionais e temáticos agregam potencial de valorização e diversificação.
O portfólio de 13 ETFs reúne fundos que têm sua maior parcela alocada em títulos públicos brasileiros: Tesouro Selic e Tesouro IPCA+, via LFTB11. O segundo maior peso fica com o WRLD11, que replica o desempenho da economia global (10%).
Os demais ativos têm pesos menores e oferecem grande diversificação. Há fundos de renda fixa internacional e ações brasileiras, mas também private equity, ouro e criptomoedas.
ETFs que fazem parte do portfólio do Investo Previdência Global Crescimento:
| Classe de Ativo | ETF | Exposição | Estratégia |
|---|---|---|---|
| Renda Fixa Brasil (Âncora) | LFTB11 (Tesouro Selic e IPCA+) | 45,00% | Estabilidade e menor volatilidade |
| Renda Variável Global | WRLD11 (Economia Global) | 10,00% | Exposição ao mercado global |
| Renda Variável Brasil | BDOM11 (Mercado Doméstico) | 5,00% | Crescimento via ações brasileiras |
| Renda Variável Brasil | BXPO11 (Mercado Exportador) | 5,00% | Empresas com receita vinda de exportação |
| Renda Fixa Global | BNDX11 (Renda Fixa Global) | 5,00% | Diversificação e exposição ao dólar |
| Renda Fixa EUA | USDB11 (Renda Fixa EUA) | 5,00% | Diversificação e exposição ao dólar |
| Renda Fixa Brasil | LFTS11 (Tesouro Selic) | 5,00% | Estabilidade e retorno |
| Temático/Hedge | PEVC11 (Private Equity) | 4,50% | Potencial de crescimento setorial |
| Temático/Hedge | GLDX11 (Ouro) | 4,50% | Proteção contra inflação e proteção de longo prazo |
| Temático/Hedge | ALUG11 (Real Estate EUA/REITs) | 4,50% | Proteção contra inflação e proteção de longo prazo |
| Temático (Tecnologia) | USTK11 (Tecnologia Americana) | 3,00% | Potencial de crescimento setorial |
| Temático (Semicondutores) | CHIP11 (Semicondutores) | 2,00% | Potencial de crescimento setorial |
| Cripto | HODL11 (Bitcoin) | 1,50% | Exposição controlada ao Bitcoin |
Os ETFs investidos têm posição fixa, com revisões semestrais para voltar ao “estágio inicial”, conforme desenhado nos modelos de testes da gestora. Segundo Mançanares, este foi o portfólio que apresentou os melhores resultados nos testes, em termos de risco e retorno.
Desempenho simulado
O CEO da Investo conta que a estratégia busca manter a volatilidade sempre controlada — estimada em cerca de 7,26% ao ano, abaixo dos 23,45% do Ibovespa.
Nas simulações (backtest), a carteira do Investo Previdência Global Crescimento com o portfólio de lançamento apresentou um retorno acumulado de 132,7% entre julho de 2018 e agosto de 2025.
Este número supera com folga o CDI (79,4%) e o Ibovespa (77,7%) no mesmo período.
Entretanto, é importante destacar que o backtest se refere a uma simulação de desempenho baseada em dados passados, e não representa resultados reais. Esse tipo de análise serve apenas para avaliar como a estratégia teria se comportado em diferentes cenários de mercado — mas não é garantia de rentabilidade futura.
No que diz respeito às características de previdência, o fundo da Investo se beneficia das vantagens tributárias e sucessórias das aplicações PGBL e VGBL.
No PGBL, o imposto de renda incide sobre o valor total (para quem declara o IR na forma completa), e no VGBL, incide sobre os rendimentos (ideal para quem declara no modelo simplificado). Fica a critério do investidor a escolha do plano.
O incentivo fiscal para quem investe via PGBL é que as contribuições podem ser deduzidas até o limite de 12% da renda bruta anual, desde que o investidor utilize a declaração completa do IR e seja segurado para o INSS.
O VGBL não permite deduzir as contribuições, mas o imposto incide apenas sobre os rendimentos, não sobre o total.
Além disso, a previdência privada tem tributação regressiva: quanto maior o tempo de aplicação, menor a alíquota, que pode chegar a 10% após 10 anos de investimento, menor que a alíquota mínima dos investimentos tradicionais.
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