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Banco Central aumentou o ritmo de elevação na taxa básica de juros, favorecendo os investimentos atrelados à Selic e ao CDI, mas investidor não deve se esquecer de se proteger da inflação
A rápida deterioração das expectativas macroeconômicas domésticas desde que o governo divulgou um pacote de cortes de gastos que decepcionou o mercado forçou o Banco Central a acelerar o ritmo de alta na Selic na última reunião de 2024 do seu Comitê de Política Monetária (Copom).
A taxa básica de juros já vinha em um ciclo de alta em razão da economia forte (turbinada pelo gasto público) e da volta das pressões inflacionárias. Mas onde antes se esperava uma alta da ordem de 0,50 ponto percentual, fez-se um ajuste de 1,00 ponto, elevando a Selic para 12,25% ao ano.
Da mesma forma, se antes do anúncio do pacote os economistas de mercado previam uma Selic terminal pouco acima dos 12%, chegando a pouco mais de 13% entre os mais pessimistas, agora as estimativas do Boletim Focus do BC já apontam para uma taxa de 13,50% ao final de 2025.
Na negociação de contratos de juros futuros na bolsa, a estimativa já aponta para mais de 14%, e chegou a bater os 15% nos últimos dias.
A visão geral do mercado é de que, sem medidas efetivas de cortes de gastos que resultem em uma economia substancial de recursos por parte do governo, a sustentabilidade da dívida pública se mostra ameaçada, o que piora o risco de crédito do país.
O mercado passa então a pedir juros mais altos para continuar emprestando para o governo e financiando essa dívida crescente e, por ora, sem previsão de ser controlada. Além disso, os gastos governamentais continuam mantendo a economia aquecida, o que pressiona a inflação, da mesma forma que o real mais depreciado.
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Resta ao Banco Central apertar ainda mais a política monetária, para que o cenário não se deteriore ainda mais. “O mercado entende que serão os juros os responsáveis por ancorar as expectativas para a inflação”, diz Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos (CIO) para o Brasil no UBS Global Wealth Management.
Diante da expectativa de que o ciclo de alta da Selic seja maior e mais forte do que o esperado antes da divulgação do pacote fiscal do governo, os ativos de risco domésticos, como ações e fundos imobiliários, vem sofrendo com a fuga de capital estrangeiro da bolsa e a migração dos recursos para uma renda fixa agora bem mais atrativa.
É difícil para um ativo de risco competir com aplicações conservadoras que paguem retornos de dois dígitos aos investidores. Assim, dados os juros em alta e a dificuldade de visualizar um fiscal mais comportado, as aplicações de renda fixa pós-fixada — isto é, com remuneração atrelada à Selic ou ao CDI — surgem como as mais atrativas no momento, na visão de especialistas.
Para de Luciano Telo, do UBS Global Wealth Management, o momento é de reduzir o risco da carteira, e é nessa classe de ativos que se encontram os investimentos de menor risco de crédito e menor volatilidade do mercado brasileiro.
Para Júlio Ortiz, sócio-fundador e CEO da gestora de fortunas CX3, neste momento “o melhor é ficar quieto e deixar o dinheiro no CDI”, em referência aos investimentos indexados à taxa DI.
“O mercado hoje está com medo da inflação brasileira por conta do descontrole fiscal. Enquanto não vislumbrarmos um futuro mais otimista, a dose do remédio [os juros] não vai baixar, e é provavelmente isso que vai ocorrer no ano que vem inteiro”, diz Ortiz.
Para ele, tanto para horizontes de curto quanto de médio prazos, os ativos pós-fixados se mostram os mais atrativos, dado o aumento esperado para a Selic nesse horizonte de tempo.
Quando se comparam os títulos atrelados às taxas de juros com seus equivalentes prefixados ou indexados à inflação em um prazo de até quatro anos, é possível ganhar o mesmo ou até mais nos pós-fixados com bem menos volatilidade.
Assim, destacam-se neste momento investimentos de baixo risco, como os títulos públicos Tesouro Selic, comprados via Tesouro Direto, e títulos bancários que contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), caso dos CDBs, LCIs e LCAs.
A Empiricus Research também tem dado preferência aos títulos pós-fixados nas suas recomendações semanais de renda fixa. Nesta semana, por exemplo, a casa de análise recomendou os seguintes títulos bancários a seus assinantes:
Entretanto, as instituições financeiras continuam recomendando títulos indexados à inflação, sobretudo para prazos longos, superiores a cinco anos. Apesar da alta volatilidade desses papéis, que sofrem quedas fortes de preços em períodos de juros em alta, as remunerações pagas para quem os levar até o vencimento estão historicamente bastante elevadas.
“O investidor precisa ter mentalmente a capacidade de separar suas reservas de curto, médio e longo prazos, pois esta classe de ativos ainda deve ver bastante volatilidade no ano que vem. Mas para quem tem horizonte longo, o retorno atual dos títulos indexados ao IPCA está bom, e comprar esses ativos nestes níveis supera o CDI, historicamente”, explica Luciano Telo.
Entre os títulos públicos Tesouro IPCA+, as rentabilidades acima da inflação estão cercando os 7% ao ano. “Inflação mais 7% ao ano é bom para o longo prazo, e é preciso ter algo ligado à inflação na carteira”, diz o CIO do UBS Global Wealth Management.
Bancos como o BTG Pactual e o Itaú BBA continuam recomendando uma série de títulos de crédito privado isentos de IR e indexados ao IPCA, como debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, nas suas carteiras mensais de renda fixa, de olho nas taxas gordas em prazos mais dilatados.
É preciso, no entanto, ter cuidado com o crédito privado em ambientes de juros em alta, preferindo emissores com baixo risco de calote e saúde financeira sólida. Juro alto encarece o crédito, pesa nas dívidas das empresas e reduz o apetite do consumidor para gastar.
Embora em prazos mais curtos os títulos de renda fixa pós-fixada mostrem uma relação risco-retorno melhor, há quem defenda a exposição a títulos indexados à inflação também nesse horizonte temporal.
É o caso da XP Investimentos, que em seu relatório sobre Onde Investir em 2025 diz que a maior convicção entre as classes de ativos locais e globais para o ano que vem está na renda fixa, tanto na pós-fixada como na atrelada à inflação, “com preferência por vencimentos curtos e intermediários, que serão os maiores beneficiados se tivermos um repique inflacionário”.
Afinal, é preciso lembrar que, a partir do ano que vem, o Banco Central passa a ser comandado por Gabriel Galípolo, indicado pelo governo Lula, e ainda não se sabe se ele irá realmente manter uma postura dura contra a inflação, elevando os juros tanto quanto seja necessário — muito embora seu comportamento até aqui esteja apontando nesse sentido.
Ainda que Galípolo mantenha a disposição para o aperto monetário, porém, uma alta de juros muito forte encarece a dívida pública, então ainda há incertezas sobre o quanto realmente o BC poderá aumentar os juros diante de pressões inflacionárias crescentes.
Sendo assim, a possibilidade de o BC ficar defasado em relação à inflação não pode ser descartada, e é nesse sentido que títulos indexados ao IPCA de prazos menores que cinco anos poderiam ser úteis para proteger o poder de compra do investidor.
“Mesmo que não ocorra tal repique [inflacionário], nos patamares próximos a IPCA + 7%, até podemos ver a marcação a mercado detratar seu retorno de curto prazo ao longo de 2025 como vimos em 2024, mas, no longo prazo, de preferência até o seu vencimento, entregarão retornos bastante atrativos ajustados ao risco”, diz a XP sobre os títulos indexados à inflação.
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