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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

RETORNO TURBINADO

Selic vai a 12,25% e deixa renda fixa conservadora ainda mais atrativa; veja quanto rendem R$ 100 mil na sua reserva de emergência

Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (11), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
11 de dezembro de 2024
19:00 - atualizado às 18:50
Reserva de Emergência - Boia Salva Vidas - Dinheiro
Ser conservador e investir em renda fixa indexada às taxas de juros está valendo a pena. Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Em sua última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) acelerou a alta da Selic em 1,00 ponto percentual, elevando a taxa básica de juros para 12,25% ao ano e tornando a renda fixa pós-fixada — aqueles ativos indexados à Selic ou ao CDI — ainda mais rentável e atrativa.

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O aumento veio em linha com as mais recentes projeções do mercado. Até a divulgação do decepcionante pacote de cortes de gastos do governo pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de novembro, a expectativa era de um aumento de apenas 0,50 ponto percentual.

Até então o Banco Central já vinha sendo obrigado a apertar a política monetária em face da economia aquecida (estimulada pelo gasto público) e do consequente retorno das pressões inflacionárias.

Porém, após a divulgação do pacote junto com o anúncio da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, essas pressões aumentaram ainda mais, com a elevação da percepção de risco fiscal e a disparada do dólar para mais de R$ 6.

A curva de juros futuros, que influencia o retorno dos investimentos de renda fixa prefixada e indexada à inflação, chegou a precificar Selic em 15% ao ano ao final de 2025, e agora projeta uma Selic terminal (ao final do ciclo de alta) superior a 14% ao ano na mesma data. Já os economistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central veem a taxa básica em 13,50% ao final de 2025.

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Ou seja, a Selic deve continuar subindo nas próximas reuniões do Copom, até porque agora os economistas já projetam uma inflação acima do teto da meta tanto em 2024 quanto em 2025. O entendimento geral do mercado é de que, diante do descontrole fiscal, o ajuste terá que ser feito via política monetária.

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O que a alta da Selic representa para a sua reserva de emergência e os demais investimentos de renda fixa

A Selic em patamares mais elevados tende a aumentar a remuneração das aplicações de renda fixa pós-fixadas.

É o caso dos títulos públicos Tesouro Selic; dos títulos bancários CDBs, LCIs e LCAs, quando indexados ao CDI; dos títulos de crédito privado como debêntures, CRIs e CRAs indexados ao CDI; e dos fundos que investem nesses tipos de papéis.

Alguns desses investimentos estão entre os mais conservadores do mercado brasileiro, sendo inclusive indicados para a reserva de emergência.

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Por exemplo, os títulos Tesouro Selic, negociados no Tesouro Direto; os fundos de taxa zero que investem em Tesouro Selic, do tipo Selic Simples; e os CDBs de grandes bancos com liquidez diária.

Com as novas altas de juros esperadas para as próximas reuniões, a rentabilidade dessas aplicações deve ficar ainda mais atrativa.

Fora que os investimentos pós-fixados também atuam como portos seguros em momentos de alta aversão a risco, como o atual, em que a disparada dos juros futuros e a deterioração das expectativas pesa negativamente sobre os preços dos ativos de risco.

No caso da renda fixa prefixada e indexada à inflação, o avanço recente dos juros futuros, na expectativa de novos aumentos da taxa Selic, vem derrubando os preços dos títulos.

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Por outro lado, essa mesma alta contribui para elevar as remunerações desses papéis, permitindo aos investidores adquiri-los a um preço mais baixo e, portanto, com uma expectativa de retorno no vencimento ainda maior.

Com isso, os títulos públicos prefixados (Tesouro Prefixado) já remuneram em torno de 14% ao ano, precificando uma forte alta da Selic e superando o retorno "mágico" de 1% ao mês que o brasileiro tanto adora.

Já os papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) vêm oferecendo remunerações em torno de 7% ao ano + IPCA para quem os adquirir agora e os levar ao vencimento.

Quanto rendem os investimentos de renda fixa conservadora com a Selic em 12,25%?

A mudança na Selic não altera a regra de remuneração da poupança, que continua pagando seu tradicional 0,50% ao mês mais Taxa Referencial (TR).

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Embora a TR tenda a aumentar ligeiramente com a alta na taxa básica, a elevação dos juros torna a caderneta menos atrativa que as demais aplicações de renda fixa pós-fixadas, já que as remunerações destas tendem a subir, enquanto a da poupança tem uma espécie de teto.

Com a Selic em 12,25% ao ano (e supondo um CDI um pouco inferior, de 12,15%, como costuma acontecer), as rentabilidades mensais e anuais líquidas das principais aplicações financeiras conservadoras ficam assim:

InvestimentoRetorno líquido em 1 mês*Retorno líquido em 1 ano**
Poupança0,56%6,99%
Tesouro Selic 2027 (via Tesouro Direto)0,72%9,92%
CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero0,74%10,02%
CDI bruto0,96%12,15%
(*) 1 mês, no caso da poupança, ou 21 dias úteis e mais de 30 dias corridos para os demais investimentos. Alíquota de IR de 22,5%, quando for o caso. (**) 12 meses, no caso da poupança, ou 252 dias úteis e mais de 360 dias corridos para os demais investimentos. Alíquota de IR de 17,5%, quando for o caso.

Parâmetros da simulação

  • Para o cálculo do retorno da poupança, foi considerada a TR média de novembro de 2024 (0,0649%);
  • Para o cálculo do retorno do Tesouro Selic, foram considerados uma taxa de administração igual a zero, o spread de compra e venda (espécie de “pedágio” para a venda do título antes do vencimento) e uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre todo o montante investido, que é o padrão da calculadora do Tesouro Direto. Atualmente, no entanto, existe uma isenção da taxa de custódia para valores aplicados de até R$ 1 mil, o que significa que a verdadeira rentabilidade do Tesouro Selic, nesses casos, é um pouco maior que a estimada na tabela.

Como a Selic deve subir mais no próximo ano, ela não ficará estagnada em 12,25% por muito tempo. Ou seja, até o fim de 2025, a rentabilidade das aplicações conservadoras pode ser ainda maior que os valores projetados na tabela.

Assim, para dar uma ideia melhor de como ficará a rentabilidade dos investimentos conservadores daqui para frente, vamos simular a aplicação para os prazos de um e dois anos utilizando as estimativas do mercado para a Selic e o CDI (DI futuro) para janeiro de 2026 (14,26%) e janeiro de 2027 (14,49%), respectivamente.

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Repare que ambas as previsões já precificam uma Selic maior que a atual, estimando que o BC vai aumentar ainda mais a taxa básica de juros.

Vale frisar, no entanto, que essas projeções podem mudar a partir da decisão do Copom de hoje, bem como das sinalizações do Banco Central para as próximas reuniões. Além disso, as projeções para a poupança continuam considerando a TR de novembro, que também pode mudar daqui para a frente.

InvestimentoRetorno líquido em 1 ano*Retorno líquido em 2 anos**
Poupança6,99%14,48%
Tesouro Selic 2027 (via Tesouro Direto)11,66%25,79%
CDB 100% do CDI ou fundo Tesouro Selic de taxa zero11,76%26,42%
LCI 90% do CDI12,75%27,58%
(*) 12 meses, no caso da poupança, ou 252 dias úteis e mais de 360 dias corridos para os demais investimentos. Alíquota de IR de 17,5%, quando for o caso. (**) 24 meses, no caso da poupança, ou 504 dias úteis e mais de 720 dias corridos para os demais investimentos. Alíquota de IR de 15,0%, quando for o caso.

Parâmetros da simulação

  • DI para janeiro de 2026 (simulação de 1 ano): 14,26% a.a.
  • Selic para janeiro de 2026 (simulação de 1 ano): 14,36% a.a.
  • DI para janeiro de 2027 (simulação de 2 anos): 14,49% a.a.
  • Selic para janeiro de 2027 (simulação de 2 anos): 14,59% a.a.
  • Para o cálculo do retorno da poupança, foi considerada a TR média de novembro (0,0649%);
  • Para o cálculo do retorno do Tesouro Selic, foram considerados uma aplicação de R$ 100 mil, taxa de custódia de 0,20% ao ano, uma taxa de administração igual a zero e o spread de compra e venda (espécie de “pedágio” para a venda do título antes do vencimento).

Veja, na tabela a seguir, quanto você teria ao final de cada período caso aplicasse R$ 100 mil em cada um desses investimentos, nas circunstâncias da simulação anterior:

InvestimentoQuanto você teria após 1 anoQuanto você teria após 2 anos
Caderneta de poupançaR$ 106.993,43R$ 114.475,94
Tesouro Selic 2027R$ 111.661,98R$ 125.790,39
CDB ou fundo Tesouro Selic 100% do CDIR$ 111.764,50R$ 126.417,66
LCI 90% do CDIR$ 112.747,31R$ 127.580,54

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