Gestora especializada em FIDCs lança seu primeiro fundo de direitos creditórios para o varejo; saiba como incluir esse tipo de ativo na carteira
O Solis Pioneiro, da gestora Solis Investimentos, chega para o público em geral após a publicação da Resolução CVM 175 e em momento de alta dos fundos em direitos creditórios

Antes restritos a milionários, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tornaram-se acessíveis a todos os investidores em outubro do ano passado, após a entrada em vigor da Resolução CVM 175, norma que rege os fundos de investimentos brasileiros.
Embora já possa, portanto, lançar FIDCs abertos ao público geral, a indústria de fundos tem até 29 de novembro deste ano para adaptar os seus produtos já existentes às novas regras.
Oito meses depois da entrada em vigor do novo marco regulatório dos fundos de investimento, a gestora Solis Investimentos, especializada nesse tipo de ativo, anunciou nesta semana o lançamento do seu primeiro fundo de FIDCs voltado para o investidor de varejo, que ganha mais uma opção dentro da categoria de renda fixa.
Chamado de Solis Pioneiro, o fundo tem aplicação mínima de R$ 100 e pode ser encontrado na plataforma de investimento do BTG Pactual. A carteira terá até 100% em cotas seniores de FIDCs.
Segundo a gestora, além do acesso do público em geral aos FIDCs, o Pioneiro “agregará ainda um benefício tributário para seus cotistas”. Pela nova norma tributária, o fundo não tem incidência do come-cotas, imposto semestral sobre fundos de renda fixa e multimercados.
O que são FIDCs
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios são fundos de crédito estruturado, ou seja, veículos de investimento baseados em títulos de créditos a receber de uma empresa, após um processo chamado de securitização e outras modalidades de crédito.
Leia Também
Também chamados de recebíveis, os direitos creditórios são títulos de renda fixa que dão ao seu detentor o direito de receber um fluxo de pagamentos futuro devido por clientes de uma empresa por algum tipo de produto vendido ou serviço prestado.
Ou seja, os FIDCs ligam as pessoas que querem crédito aos investidores. Com isso, esse tipo de fundo antecipa à pessoa ou empresa um recurso que ela receberia no futuro.
Por exemplo, um comércio vende seus produtos no cartão de crédito. No entanto, os valores da venda seriam recebidos da operadora de cartão só depois de um mês. Nesse caso, o comércio pode antecipar os valores vendendo esse “direito creditório” ao FIDC. Em contrapartida, o FIDC antecipa o dinheiro a receber, com uma espécie de “taxa de desconto”.
Essa modalidade pode ser feita com direitos creditórios dos segmentos financeiro, imobiliário, de hipotecas, de arrendamento mercantil, comercial, industrial e de prestação de serviços.
O risco para o investidor, neste caso, está a inadimplência desses recebíveis. Além disso, não há garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para fundos de investimentos.
Como funciona o fundo Solis Pioneiro
Por se enquadrar nas exigências da CVM 175, o Pioneiro investe apenas em cotas seniores de FIDCs que tenham sido classificadas por uma agência de classificação de risco. Essas cotas são aquelas que têm prioridade no recebimento da remuneração e das amortizações. São consideradas as mais seguras e, por isso, possuem menor rentabilidade.
FIDCs também têm cotas subordinadas, que em geral ficam com a gestora do fundo e os cedentes dos recebíveis, responsáveis por “absorver” a eventual inadimplência dos recebíveis da carteira. Entretanto, possuem maior rentabilidade do que as cotas seniores.
Podem existir ainda as cotas mezanino e de performance, além de FIDCs abertos e fechados.
De acordo com a gestora, o Solis Pioneiro abrange ainda os chamados FIDCs performados, decorrentes de mercadorias já entregues ou de serviços já prestados: “Exigências da norma nova, essas características implicarão em maior segurança para os investidores”, diz a gestora, em nota à imprensa.
“Será um passo importante da Solis em uma nova era para os FIDCs”, disse Ricardo Binelli, sócio-diretor da Solis Investimentos, em comunicado. “Participamos de toda a trajetória do crédito estruturado no Brasil, sempre focados em FIDCs, desde 2005, e agora contribuímos com a história ao lançar o primeiro FIC de FIDC adequado ao público em geral, usufruindo da abertura que a CVM trouxe com a 175.”
A Solis Investimentos tem mais de R$ 16 bilhões sob gestão, quantia que quadruplicou em quatro anos, desde 2020, quando tinha R$ 4 bilhões. São mais de 16 mil cotistas em mais de 90 fundos ativos. Para os FIDCs, a expectativa é captar até R$ 300 milhões este ano.
- Analista recomenda títulos que podem render bem mais do que o IPCA e do que CDI. Baixe o relatório gratuito aqui.
Como incluir os FIDCs na carteira
Com acesso ao FIDC, o investidor ganha mais uma forma de diversificar o componente de renda fixa de sua carteira, para otimizar a rentabilidade sem perder a vantagem de proteção de patrimônio.
É possível aplicar em FIDCs:
- por meio de fundos dedicados exclusivamente a esse tipo de ativo;
- por meio de fundos que têm os FIDCs como componentes de políticas de investimento mais abrangentes, como fundos de crédito diversificados;
- ou, ainda, por meio da alocação direta em um FIDC.
Vale lembrar que os FIDCs têm taxa de administração e podem ter taxa de performance, caso a rentabilidade seja superior à de um indicador de referência.
A tributação segue a tabela regressiva do imposto de renda, válida para outras aplicações de renda fixa, com alíquotas que variam de 22,5% a 15%, dependendo do prazo de aplicação. Os FIDCs abertos têm come-cotas, mas os fechados não.
Momento de expansão
Embora tenham sido criados em 2001, os FIDCs são ainda relativamente pouco conhecidos do público em geral. Isso porque, até a revisão da norma concretizada no final do ano passado, estavam restritos aos investidores que possuíssem, no mínimo, R$ 1 milhão investido.
Para as demais pessoas físicas, a única opção era acessar esse tipo de investimento por meio de outros fundos - mesmo assim, não podiam alocar mais de 20% da carteira em FIDCs.
Com a abertura ao público em geral, a tendência é que essa opção de renda fixa cresça, assim como vem acontecendo nos últimos anos.
Números da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos FIDCs avançou em ritmo mais acelerado que as demais classes de ativos.
Em 2023, a captação líquida dos FIDCs foi de R$ 24 bilhões, enquanto os fundos de renda fixa tiveram resgates líquidos de R$ 59 bilhões. Já os os fundos multimercados tiveram retiradas de R$ 134 bilhões e os fundos de ações sofreram saques de R$ 7 bilhões.
“O avanço dos FIDCs seguiu um movimento de busca por diversificação das fontes de retorno por meio de ativos que estivessem dentro da rede de proteção da renda fixa”, explica a Solis. “Ou seja, o investidor procura, com o FIDC, fugir de riscos e oscilações bruscas do mercado, ao mesmo tempo em que visa retornos mais substanciais em sua carteira.”
A Resolução CVM 175
Publicada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após dois anos de discussão, em dezembro de 2022, a Resolução CVM 175 só entrou em vigor em outubro de 2023
A norma traz um conjunto de regras gerais, válido para todos os fundos, e uma série de anexos específicos para cada categoria de fundos. Para o investidor, permitiu o acesso aos FIDCs.
Apesar de ter entrado em vigor em outubro do ano passado, os efeitos da resolução serão sentidos principalmente a partir deste ano, já que a CVM adiou o prazo de adequação às novas regras para os fundos.
Agora, a nova data é 29 de novembro de 2024 para FIDC e 30 de junho de 2025 para os demais fundos.
LEIA TAMBÉM:
CRÉDITO PRIVADO
Os gestores estão ganhando dinheiro com crédito privado, mas não querem aumentar as apostas. Por quê?
20 de agosto de 2026 - 16:48OPORTUNIDADE À VISTA
Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
19 de agosto de 2026 - 18:42A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Fim da isenção de LCI e LCA pode estar próximo, e quem vai pagar a conta é o investidor, dizem bancos
17 de agosto de 2026 - 17:03ONDE INVESTIR
O dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 caiu na conta? Estrategista do BTG indica onde reinvestir essa bolada
17 de agosto de 2026 - 7:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
Do Tesouro Direto para outros investimentos? Veja onde reinvestir o Tesouro IPCA+ 2026 para ter renda passiva
15 de agosto de 2026 - 10:04RENDA FIXA
Você está investindo no banco ou na garantia? Como o caso Master mexeu com o FGC e o seu bolso
13 de agosto de 2026 - 18:52SD ENTREVISTA
Quem saiu das debêntures isentas para se refugiar no CDI cometeu um erro, diz gestor da Absolute; entenda
13 de agosto de 2026 - 6:05PARA ONDE IR
Tesouro IPCA+ 2026 paga quase R$ 13 bilhões aos investidores na próxima semana; o que fazer com a bolada?
12 de agosto de 2026 - 6:04CONTORNANDO PROBLEMAS
Investidores recorrem a soluções criativas para reaver aplicações em títulos de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial
11 de agosto de 2026 - 6:20SELIC COM TEMPERO DE IPCA+
Reserva de emergência ‘turbinada’? Conheça os ETFs de renda fixa que prometem ser mais baratos que o Tesouro Selic e os CDBs
10 de agosto de 2026 - 6:04RENDA MENSAL
CDI, dividendos e isenção de IR: Empiricus recomenda fundo de renda fixa que traz combo preferido dos brasileiros
7 de agosto de 2026 - 19:03CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa com a Selic em 14%
6 de agosto de 2026 - 17:35RENDA FIXA
Tesouro IPCA+ 8%: vale mais a pena travar as taxas altas por seis anos ou por algumas décadas?
6 de agosto de 2026 - 6:03RENDA FIXA
Quanto rendem R$ 100 mil na poupança, Tesouro Selic, CDB e LCI com a Selic em 14,00%
5 de agosto de 2026 - 19:30ADEUS, APP
Tesouro Direto dá adeus ao aplicativo para celular; o que muda nos seus investimentos?
31 de julho de 2026 - 14:01RETORNO DO ARROZ COM FEIJÃO
Tesouro Direto e CDB voltam a roubar espaço de debêntures, CRIs e CRAs; veja por que o investidor está migrando
29 de julho de 2026 - 19:32TÍTULOS PÚBLICOS
Tesouro IPCA+ paga juro real recorde de 8%, mas grandes investidores não estão comprando. Qual é o risco?
29 de julho de 2026 - 11:01RENDA FIXA
Entre cofrinhos e CDBs, banco Bmg lança campanha que paga até 114% do CDI
27 de julho de 2026 - 13:03MELHOR PROTEÇÃO
‘Tesouro IPCA+ está dizendo que se os juros não caírem, o país vai quebrar’, diz João Landau, da Vista Capital
25 de julho de 2026 - 9:32REPORTAGEM ESPECIAL