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A lista de desafetos do presidente russo é longa. O Seu Dinheiro separou os principais nomes de oposição e conta para você o destino — às vezes trágico — de cada um deles
O histórico de Vladimir Putin como agente da KGB, o serviço secreto russo, é responsável por boa parte da fama que o presidente da Rússia tem de não perdoar seus inimigos e aniquilá-los de um jeito todo especial.
E não é à toa. A KGB era uma polícia secreta e política que não tinha equivalente no mundo — situava-se em um nível diferente dos outros serviços secretos, pois constituía igualmente um ministério.
Dispunha de 300 mil membros, blindados, caças e barcos, sendo uma organização militar totalmente independente das Forças Armadas.
A organização compreendia cinco direções-gerais. A mais importante delas — a primeira direção — incluía a subdireção dos ilegais: agentes que viviam no estrangeiro sob uma falsa identidade, a subdireção científica e técnica, um serviço de contraespionagem, um serviço de ação e um serviço dos negócios sujos — assassinatos, atentados, sequestros e bombas.
A KGB esteve ativa entre março de 1954 e novembro de 1991. Após a dissolução da União Soviética, o serviço de inteligência foi desmembrado em dois: o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (FSB), na segurança interna, e o Serviço de Inteligência Estrangeiro (SVR), no plano externo.
Mas o fato de a KGB não existir mais oficialmente não impede que seus métodos continuem sendo explorados pelo governo da Rússia.
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Um exemplo claro disso é recente: Yevgeny Prigozhin, o empresário amigo de Putin que acabou morto em um acidente de avião após se rebelar contra o presidente russo.
Prigozhin ganhou fama e importância por agir nas sombras do Kremlin. Se o governo fosse incapaz de resolver certas tarefas — ou não quisesse ser visto na execução delas —, o empresário se valia de ferramentas informais — a exemplo de mercenários — que permitiam que os russos operassem fora da vista e sem ser responsabilizados.
Só que a relação próxima entre Putin e Prigozhin não acabou bem. Assim como o empresário, outros homens e mulheres que ousaram desafiar o presidente da Rússia não tiveram um final feliz.
O Seu Dinheiro preparou uma lista com os principais opositores do chefe do Kremlin e contou a história pública de cada um deles.
Nos últimos anos, vários opositores de Vladimir Putin e críticos do governo russo morreram sob circunstâncias suspeitas. Essas mortes frequentemente levantaram questões sobre possíveis retaliações por suas atividades políticas ou investigativas. Aqui estão alguns dos casos mais notórios:
Ex-agente do FSB e crítico do Kremlin, Litvinenko morreu em novembro de 2006 em Londres, após ser envenenado com polônio-210, uma substância radioativa. Ele acusou Putin de promover o terrorismo de estado e de estar envolvido em várias atividades ilegais.
Jornalista investigativa e crítica do Kremlin. Especialmente conhecida pela cobertura crítica da guerra na Chechênia, Politkovskaya foi morta a tiros em frente ao seu apartamento em Moscou, em outubro de 2006. Ela denunciou as violações dos direitos humanos e o autoritarismo do governo russo.
Ativista dos direitos humanos e colaboradora da ONG Memorial, Estemirova foi sequestrada e assassinada na Chechênia em julho de 2009. Ela investigava abusos dos direitos humanos na Chechênia, o que a colocou em conflito com as autoridades locais e federais.
Advogado e auditor, Magnitsky morreu sob custódia policial em 2009, após denunciar fraude fiscal por parte de oficiais russos. Sua morte levou à adoção de leis internacionais (Lei Magnitsky) impondo sanções contra indivíduos russos implicados em violações dos direitos humanos.
Um dos mais destacados líderes da oposição russa, Nemtsov foi assassinado em fevereiro de 2015. Ele foi baleado várias vezes nas costas enquanto caminhava perto do Kremlin, em Moscou. Nemtsov era um crítico feroz de Putin, denunciando corrupção no governo e a intervenção russa na Ucrânia.
Embora tenha sobrevivido, Kara-Murza sofreu dois envenenamentos graves em 2015 e 2017, que ele atribui ao governo russo devido ao seu ativismo político e oposição a Putin. Ele é um defensor das sanções internacionais contra funcionários russos envolvidos em corrupção e abusos dos direitos humanos.
A Rússia nega envolvimento nas mortes e acusações, mas esses incidentes continuam a ser objeto de preocupação internacional em relação à liberdade de expressão e aos direitos humanos no país.

O grupo Wagner ficou mais conhecido por sua atuação na guerra da Ucrânia, mas a força composta por mercenários vem ganhando força desde a anexação da Crimeia, em 2014.
A atuação do grupo na Ucrânia trouxe à cena a figura de Prigozhin, oligarca que controlava várias empresas russas. Elogiado e demonizado, era crescente o debate sobre o quão perto ele realmente estaria de Putin quando liderava os mercenários, de quais privilégios desfrutava e até mesmo se ele nutria ambições presidenciais.
Prigozhin agia como pessoa física — sua relação com o Estado era informal e, portanto, frágil, e poderia terminar sem aviso prévio. Ele nunca esteve perto o suficiente de Putin para ser confiável em nível governamental.
A notoriedade do empresário começou após a anexação da Crimeia. Os conflitos em Donbass, como é conhecida a região leste da Ucrânia, mais o impasse da Rússia com o Ocidente abriram espaço para táticas geopolíticas cinzentas que as instituições oficiais teriam dificuldade em oferecer.
O oligarca começou a usar ferramentas informais de influência — mercenários e mecanismos de mídia — que eram novas na Rússia e permitiam que o país operasse fora de vista e sem ser responsabilizado.
Prigozhin atingiu o alvo: se o governo fosse incapaz de resolver certas tarefas — ou não quisesse ser visto na execução delas —, essas ferramentas quase estatais poderiam preencher a lacuna. Putin gostou da abordagem, que também está sendo usada na guerra na Ucrânia.
O chefe do Kremlin concordou em terceirizar certas funções do governo, mas não legitimou Prigozhin. Pelo contrário, o presidente russo, vislumbrando a ascensão do empresário, começou a ordenar, nos meses antes da insurreição, que o Wagner tirasse o pé do acelerador no front de batalha.
Foi então que os problemas entre o governo russo e Prigozhin se acentuaram, com o empresário criticando decisões do Ministério da Defesa e liderando um motim contra Moscou.
A insurreição do empresário não durou muito e, no dia 23 de agosto de 2023, o avião no qual Prigozhin estava a bordo caiu durante um voo entre Moscou e São Petersburgo, com sete passageiros e três tripulantes a bordo.
Na época, Putin prometeu investigar o caso e responsabilizar os culpados, mas até hoje não está claro o que provocou — ou quem provocou — a queda da aeronave.

Mais conhecido líder da oposição ao governo de Putin na Rússia, Alexei Navalny morreu nesta sexta-feira (16), aos 47 anos.
Ele era uma figura proeminente na política russa, e que ganhou notoriedade pela oposição feroz a Putin. Advogado de formação, ele ganhou destaque pela primeira vez ao denunciar corrupção em empresas estatais e entre a elite política russa em um blog.
A trajetória política de Navalny inclui numerosos casos judiciais controversos, que muitos observadores internacionais e apoiadores consideram com motivação política.
Navalny foi condenado por vários crimes financeiros, que ele argumentava serem falsos e uma tentativa do governo de silenciá-lo. Ainda assim, continuou a organizar grandes manifestações contra a corrupção, ganhando apoio popular.
Mas a situação do opositor ganhou os holofotes em agosto de 2020, quando foi internado em estado grave por envenenamento com um agente nervoso do tipo Novichok. O tratamento aconteceu na Alemanha, onde passou vários meses se recuperando.
O incidente atraiu condenação internacional e aumentou as tensões entre a Rússia e o Ocidente.
Após sua recuperação, Navalny surpreendeu ao decidir retornar à Rússia em janeiro de 2021, onde as autoridades o prenderam imediatamente.
A prisão dele desencadeou uma onda de protestos em todo o país, destacando sua influência significativa dentro da sociedade russa e entre a diáspora.
Desde então, ele vinha enfrentado condições de detenção duras e foi sujeito a julgamentos adicionais que resultaram em mais tempo de prisão.
Navalny estava preso em uma colônia penal em Kharp, a cerca de 1.900 quilômetros a nordeste de Moscou, e "se sentiu mal" nesta sexta-feira (16) após uma caminhada, de acordo com as autoridades russas.
*Este texto contou com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial
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