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De um lado, Moscou diz que o avião militar com prisioneiros foi abatido por Kiev. Do outro, os ucranianos dizem que não foram avisados sobre a necessidade de proteger o espaço aéreo.
Um avião militar que transportava 65 prisioneiros de guerra ucranianos caiu na região fronteiriça russa de Belgorod nesta quarta-feira (24), colocando ainda mais fogo em um conflito que não dá sinais de acabar.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, a aeronave transportava 65 prisioneiros de guerra ucranianos antes de uma troca de prisioneiros, e nove russos. Todos os passageiros a bordo morreram, segundo o governador de Belgorod.
A Rússia culpa a Ucrânia pela queda, com várias autoridades russas alegando que o avião foi abatido por três tipos de mísseis que o Ocidente forneceu à Ucrânia.
A agência de inteligência da Ucrânia, por sua vez, disse que não tinha “informações confiáveis e abrangentes sobre quem exatamente estava a bordo do avião e quantos eram”.
A agência de inteligência da Ucrânia confirmou que uma troca de prisioneiros havia sido marcada para esta quarta-feira (24), mas não ocorreu.
Kiev diz ainda que cumpriu todos os acordos em preparação para a troca. “Os prisioneiros de guerra russos foram entregues em tempo no ponto de troca designado, onde foram mantidos em segurança”, segundo a agência de inteligência.
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Só que o governo ucraniano também disse que “não foi informado sobre a necessidade de garantir a segurança do espaço aéreo na zona da cidade de Belgorod em um determinado período de tempo, como foi feito no passado”.
A queda do avião militar russo colocou mais fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia — não faltaram trocas de acusação para piorar a situação.
Além de Moscou criticar Kiev pelo abate do avião de transporte militar russo nesta quarta-feira, um oficial alegou que a Ucrânia também foi responsável por outros desastres aéreos, incluindo o abate do avião malaio voo MH17 em 2014. O incidente matou quase 300 pessoas.
O embaixador geral do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Rodion Miroshnik, disse que Kiev havia “cometido um ato de barbárie insana, demonstrando total desrespeito pela vida humana."
“Eles violaram os acordos, mataram os nossos pilotos e soldados da escolta e deixaram os seus próprios concidadãos ‘irem para o buraco’”, disse Miroshnik.
Em 2022, um tribunal holandês condenou dois homens russos e um ucraniano à revelia por homicídio pelo seu papel no abate do avião de passageiros, tendo o tribunal concluído que a Rússia tinha fornecido um míssil de fabrico russo às forças separatistas que lutavam no leste da Ucrânia. O míssil disparado derrubou o voo MH17. A Rússia nega qualquer envolvimento na queda do MH17.
O embaixador também tentou culpar a Ucrânia por uma explosão no campo de prisioneiros de guerra de Olenivka, onde pelo menos 50 ucranianos prisioneiros de guerra morreram.
“Kiev começou a guerra em 2014 com o abate do avião de passageiros malaio MH17, continuou atirando nos seus próprios prisioneiros em Olenivka, e agora matou 65 dos seus concidadãos que já viviam na esperança de regressar às suas famílias”, afirmou Miroshnik, sem apresentar provas.
*Com informações da CNBC
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