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A nossa relação com a arte mudou depois das redes sociais, mas até onde isso pode ser considerado uma coisa boa?
Eu odiei todas as obras do Gabriel Garcia Márquez que li.
Temo que para começar a escrever essa news, eu tenha que revelar isso, que acredito ser uma das minhas maiores fragilidades intelectuais. Falo porque ele com certeza é um dos autores mais consagrados da história e merece ser, afinal é um gênio.
Já li alguns de seus livros e, em todos, senti cócegas no cérebro… aquele estalo de prazer que te inunda quando você sente que um autor conseguiu traduzir exatamente uma experiência humana.
Mesmo assim, odeio as obras dele. Pelo menos as que li.
O motivo? Acho os textos machistas demais. Amor nos tempos do cólera, Memórias das minhas putas tristes… não terminei de ler Cem anos de solidão.
Eu sei que você irá contra argumentar dizendo que estou sendo anacrônica, eu concordo. Esse é justamente o meu ponto: as obras são ofensivas para mim, mas isso não tem a menor importância porque elas não foram feitas para me agradar. Ainda bem.
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Minha discussão de hoje é: como as redes sociais estão mudando nossa experiência com a arte, diante de um algoritmo que curva a realidade e produção humana às nossas vontades, sem que a gente nem precise pedir?
O filme American Fiction, indicado ao Oscar deste ano, começa com a cena de um professor universitário, Thelonious Ellison, discutindo com os alunos sobre o livro The Artificial Nigger (O negro artificial).
A sala fica em silêncio sepulcral quando ele abre para falas.
Uma menina branca levanta a mão e aponta para a palavra nigger — que poderia ser traduzida como crioulo — e diz: “acho que não devemos usar esse termo”.
Thelonious, que é negro, tenta explicar que esse seria um ponto fútil de discussão, já que é uma obra da década de 1950. Ela insiste e o professor responde: se eu consegui superar, você também consegue. Ela: não vejo o motivo…
Eu gosto particularmente dessa cena porque traduz o espírito do nosso tempo, os tempos do cólera digital, no qual a arte precisa ser suavizada para caber em um discurso bonito — e, muitas vezes, vazio… em nome da tolerância.
Você já deve estar careca de saber (estou sendo “calvofóbica”? rs) como as redes sociais funcionam: elas descobrem o que você gosta e passam a te mostrar só isso, fazendo o mundo se parecer mais com o seu ponto de vista.
Assim, nasce o fenômeno que o TikToker Matheus Sodré chama de “e eu com isso?”, que nos faz ficar impacientes diante de conteúdos que não têm nada a ver conosco — e ofendidos quando aquilo expõe nossas vulnerabilidades.
Quem nunca ouviu falar que a coisa mais ofensiva que você pode fazer nas redes sociais no Dia dos Pais é… ter um pai? Ou ter um namorado no Dia dos Namorados?
O costume com um mundo editado faz com que nos “falte a indiferença”, visão do CIO da Empiricus, Felipe Miranda. Nós vemos algo e aquilo ou nos agrada, ou nos ofende porque acreditamos que é sobre nós, neurose que as redes inflam.
E assim, desejamos o fim do que nos tira o conforto, no que a Chimamanda Ngozi Adichie, autora do clássico contemporâneo Americanah, argumenta ser a censura social do nosso tempo.
No texto “Sobre a liberdade de expressão”, ela discute como a hipersensibilidade impulsionada nas redes sociais pode estar criando uma espécie de censura interna nos artistas, que passam os dias sendo constantemente assombrados pelo medo de expressar “errado”.
Até porque todos sabemos o preço que quem comete esse erro pode pagar…
O que, na minha visão, cria um paradoxo: em nome de parecermos mais tolerantes, ficamos menos — com a arte, com os outros e até com nós mesmos...
Sob o lema da tolerância, paramos de questionar o que de fato ela é, adotando um discurso padronizado que seleciona o que pode ou não pode ser dito — o que inclusive reduz pautas importantes, como racismo, a uma questão de dizer ou não a palavra nigger.
Um exemplo disso são os “leitores sensíveis” das editoras, que ficam a cargo de suprimir termos potencialmente ofensivos em obras literárias, até mesmo de autores consagrados.
Nas redes, a controvérsia é desincentivada e espera-se que os personagens da ficção sejam um retrato do que o Twitter considera como virtuoso.
A própria Carrie Bradshaw, protagonista da série Sex and the City, que fez sucesso por ser cheia de conflitos — e completamente politicamente incorreta, na maioria das vezes — virou uma chata unidimensional no revival da série, And Just Like That.
“Uma presunção perturbadora que há por trás da ideia de censura é que pessoas boas não precisam de liberdade de expressão, já que é impossível que elas queiram dizer algo que vá magoar alguém. A liberdade de expressão é para pessoas más que desejam usá-la como desculpa para dizer coisas más”, aponta Adichie.
Adichie conclui:
“É de se perguntar, nessa epidemia de autocensura, o que estamos perdendo e o que já perdemos. Muitos jovens estão nesse caldeirão desde que nasceram, se censuram de modo febril e, mesmo que acreditem que algo é verdadeiro, não dizem, porque acham que não devem”.
As redes sociais ajudam a criar um ambiente em que, em nome da aceitação social, queremos ir com a maré. Mas isso não seria humano? Acho que sim. Afinal, quem quer passar por Cem anos de solidão? É melhor trocar o C pelo S…
Para finalizar nessa pegada de títulos que brincam com os nomes de obras do Gabriel García Márquez, uso o “Crônica de uma morte anunciada” para fazer meu Call To Action (CTA) de sempre.
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Bom domingo e até mais.
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